Capítulo 52. Henrique compra Amélie

1102 Palavras

Henrique tenta voltar ao papel que vestiu ao chegar. Aceita cumprimentos. Responde perguntas sobre as terras. Sorri na medida exata. Mas não consegue permanecer inteiro ali. A cada vez que um criado atravessa o salão, seu olhar procura automaticamente cabelos curtos e olhos cor de mel. Ele a vê passando perto das escadas. Depois próxima à mesa central. Sempre rápida. Sempre silenciosa. Sempre sob o campo de visão de alguém. E então as lembranças começam. Não suaves. Não distantes. Vivas. O corredor lateral daquela mesma mansão, anos atrás. As risadas abafadas atrás de portas fechadas. A sensação de ser tolerado, nunca respeitado. As ordens disfarçadas. Os castigos. O orgulho engolido seco. Henrique fecha a mão ao redor da taça com força demais. O cristal quase estala.

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