O tempo passa como passa tudo o que é bem cuidado. Quando o convite seguinte chega, Ana não rasga. Ela o segura por alguns segundos a mais do que o necessário, lê o nome com atenção e, só então, ergue os olhos para Marcos. — Está na hora. — diz. Henrique tem dezessete anos quando atravessa as portas do primeiro baile. Não como um convidado qualquer. Mas como um Cestáro. O salão é amplo, iluminado por dezenas de candelabros. Música, risos contidos, vestidos rodopiando. Olhares curiosos se voltam na mesma direção quando ele entra ao lado de Ana Laura e Marcos Cestáro. Henrique veste-se exatamente como Marcos. Terno escuro, corte impecável. Botas pretas, polidas. Postura ereta, passos firmes. Se alguém os observasse de longe, entenderia: ali não há imitação infantil, mas herança.

