Dois anos passam quase sem ruído. Henrique agora tem dezenove anos. Mais alto, mais largo de ombros, o rosto já totalmente marcado pela maturidade. A postura continua firme, a presença ainda chama atenção talvez mais do que antes. E, ainda assim… nada muda. Nenhuma dança. Nenhum interesse. Nenhuma história sussurrada nos corredores depois dos bailes. É numa tarde quieta, longe de música e olhares curiosos, que Ana decide perguntar. Henrique está na sala menor, perto da janela, lendo. A luz entra de lado, desenhando sombras no rosto dele. Ana costura, mas a agulha para no ar mais vezes do que deveria. — Filho...— ela começa, com cuidado. Ele ergue os olhos na mesma hora. — Sim, mãe? Ela respira fundo. — As pessoas comentam. — diz, escolhendo as palavras. — Dizem que você nunca s

