Juiz
A Corleone é arcaica, eles precisam de boas moças que cumpram suas regras. Que sejam boas esposas para a máfia. Eu sei que o que estou fazendo aqui é domar Olga para isso, Ângelo pretende seguir as tradições. É mais interessante que ela se case e sua responsabilidade seja passada para outra pessoa. Esse é o destino de qualquer garota dentro da organização.
Olga está quieta no caminho para a casa. Como prometido, removi a venda, mas deixo a corda em volta de seus pulsos. Não que ela vá a lugar algum, mas suas aulas começam hoje à noite. E eu preciso definir expectativas.
Ela mantém o olhar pela janela enquanto dirigimos pela avenida de carvalhos antigos e gigantes em direção à propriedade. Ela me disse antes o quão bonito ela acha isso. Mágico foi a palavra que ela usou uma vez distraidamente.
Do beco dos carvalhos, surge a casa, uma casa de fazenda clássica, embora gigantesca, que minha família construiu e possuiu ao longo dos séculos. É minha agora. Desde o falecimento do meu avô, Carlo Montgomery, há meio ano, sou o único herdeiro.
A mansão é linda. Elegante, com varandas que abrangem todos os três andares, apoiadas por grandes colunas e frisos ornamentados no estilo renascentista grego. O design é simples. A simetria é o foco do exterior, com uma ampla escadaria de pedra que leva às portas da frente e grandes janelas uniformemente espaçadas com persianas decorativas. As luzes brilham quentes por dentro, sugerindo a opulência que o aguarda.
É uma visão muito diferente do estilo gótico da mansão Gutierrez.
Raul, meu motorista, para. Olga se vira para mim. Ela não pode esconder a antecipação em seus olhos. A ansiedade de não saber o que vem a seguir.
— Obrigado, Raul — eu digo enquanto saio e dou a volta para abrir a porta da Olga. Estendo minha mão para ajudá-la, mas ela ignora para sair sozinha. Ela está desequilibrada com os pulsos amarrados e tropeça no meu peito. Eu a pego, então a acerto. Embora talvez eu devesse deixá-la cair. Começar a ensiná-la que ela precisa disso. Precisa de mim.
Ela se solta de mim, colocando espaço entre nós. Ele é teimosa e eu adoro isso.
— Você não precisa me manter amarrada. — ela diz mudando seu peso. As pedras sob seus pés não podem ser confortáveis. — Eu não vou correr. Não tenho para onde ir.
— Talvez eu apenas goste de te olhar amarrada.
Ela abre a boca, depois a fecha incerta do que quero dizer.
Eu limpo minha garganta. Preciso ter cuidado com ela. Preciso lembrar que ela é a irmã mais nova de Ângelo.
— Devo te carregar? — Eu pergunto.
— Sou perfeitamente capaz de andar.
— Seus pés.
— Estou bem.
— Como você queira.
Faço um gesto para que ela vá em frente. Uma sombra se move na janela do andar de cima. Olga também vê e faz uma pausa. Ela olha por cima do ombro para mim. Está tarde. A equipe deve estar na cama. Mas haverá uma testemunha de sua chegada.
— Vá em frente — eu digo a ela.
Ela o faz, seus pés descalços quietos nas escadas de pedra. Abro a pesada porta da frente para deixá-la entrar na minha frente.
Olga hesita no limiar. Eu me pergunto o que ela está pensando. O que ela está esperando.
Ela respira fundo e entra, estudando a entrada como se fosse a primeira vez que a visse. Olga não se impressiona com dinheiro. Deus sabe que a família Gutierrez tem muito disso. Mas ela aprecia o piso de mármore branco e as paredes com veios em tons de cinza. Todos os três andares são visíveis a partir daqui com uma escada central, também de mármore, para o segundo andar e duas escadas mais modestas para o terceiro.
Ela se vira para mim.
— Meu quarto — diz ela, seu tom altivo. — Estou cansada.
Eu sorrio. Eu quase pensei em deixá-la dormir esta noite e começar amanhã, considerando o que ela passou. Mas não.
— Mesmo quarto da última vez que você foi minha convidada.
— Convidada. — ela bufa. — Você amarra todos os seus convidados?
— Só quem precisa ser amarrado.
A máscara da superioridade vacila. É a defesa dela. Sempre foi a defesa dela.
Sem outra palavra, ela se vira para subir as escadas. Eu mantenho uma mão em seu cotovelo para o caso de ela tropeçar, mas eu não a toco. Quando chegamos ao segundo andar, no entanto, o movimento no final do corredor a faz parar.
— O que... — ela começa, parando quando Carmen, a governanta que herdei de minha mãe, limpa a garganta. Ela espera do lado de fora da porta do quarto de Olga em seu tradicional vestido preto com gola de renda branca.
Carmen está com minha família há cerca de seis anos. E ainda não tenho certeza se gosto dela. Por mais eficiente que seja, ela não é gentil nem calorosa, o que a torna perfeita para a tarefa em questão.
Olga olha para mim. Eu sei que ela esperava que sua chegada fosse mais privada, mas isso não faz parte do plano.
— Você se lembra de Carmen? — Eu pergunto.
Ela assente com força. Ela está se lembrando de como foi condescendente com a mulher da última vez que esteve aqui? Quando eu segurei minha língua considerando as circunstâncias. Seu irmão à beira da morte.
— Ela preparou seu quarto. — digo a ela.
Ela força sua boca em um sorriso, levantando o queixo enquanto faz seu caminho para seu quarto.
— Senhorita — diz Carmen em saudação, acenando para Olha. — Senhor.
Eu a cumprimento. Olga não. Em vez disso, ela entra no quarto, parando lá dentro para observá-lo.
Assim como da última vez, escolhi o quarto mais confortável para ela. Perdendo apenas para o meu. É espaçoso e luxuoso em tons de rosa sombrio e branco cremoso. O quarto tem grandes janelas e portas francesas que dão para a varanda com vista para a avenida de carvalhos que ela tanto ama.
Ela caminha até a cama king-size de pelúcia coberta com o melhor edredom e mais travesseiros do que precisa. Ela absorve tudo como se fosse a primeira vez. Então ela olha para mim, ignorando Carmen enquanto a mulher entra e fecha a porta atrás dela.
— Estou cansada — diz Olga.
— Estenda seus pulsos. Vou desamarrá-los.
Ela faz e eu desfaço seus pulsos. Ela faz questão de esfregar a pele avermelhada.
— Com fome? — Eu pergunto.
Ela balança a cabeça. Em seus olhos, vejo a incerteza que ela está tentando esconder. Ela está se perguntando por que Carmen está aqui.
— Só mais uma coisa para fazer antes de dormir — digo a ela.
Noto como ela parece vulnerável novamente. Pequena sem seus saltos altos, a armadura de suas roupas de grife e o rosto maquiado. O batom carmesim de assinatura.
— O quê? — ela pergunta friamente.
— Suas roupas.
Suas sobrancelhas praticamente desaparecem na linha do cabelo.
— Perdão?
— Suas roupas, Olga. Acho melhor não haver lembranças desta noite. Amanhã, como disse Ângelo, você vai começar de novo.
Ela olha para a mulher parada ali perto, a testemunha de sua
humilhação, depois para mim.
— Isso é algum tipo de piada? Porque não é engraçado.
— Não. Nenhuma piada. Suas roupas.
— Meu irmão não permitiria isso!
— Seu irmão iniciou o ritual. Você é minha. Eu decidirei o que é melhor para você. Você simplesmente obedecerá.
Ela bufa.
— Você precisa de ajuda?
— Eu quero falar com ele. Ligue para ele. Agora!
Ela dá um passo em direção à porta. Eu agarro seu braço antes que ela possa dar outro. Ela tenta me ignorar, mas eu a viro para me encarar completamente e coloco minhas mãos em seus ombros. Suas mãos se fecham sobre meus antebraços, ela olha para mim. Seu longo cabelo preto está solto ao redor de seu rosto e sobre seus ombros, revelando uma suavidade que eu só vi de relance. Ela se esconde bem.
— Por que você está aqui, Olga?
— Você é um psicopata. — Esbraveja.
Seu maxilar aperta. Ela sabe exatamente por que está aqui. O que ela fez. Seus olhos correm por cima do meu ombro, lágrimas à beira de cair, mas ela se recusa a permitir isso. Em vez disso, ela estreita o olhar, olhando para mim. Aquela suavidade de momentos atrás se foi.
— Por quê você está aqui? — Eu repito.
Depois de um longo momento de silêncio pesado, ela finalmente quebra o bloqueio de nossos olhos e abaixa o olhar. Uma lágrima gorda cai nas costas da minha mão. Eu assisto, por um momento, eu me esqueço. Esqueço o ponto disso. A razão para isso.
Por um momento, quero puxá-la para mim e dizer que vai ficar tudo bem.
Mas Carmen limpa a garganta e me lança de volta ao por que disso.
— Responda-me — eu digo e paro.
Olga vira os olhos irritados para os meus.
— Vão se f***r todos vocês.
Minhas mãos flexionam, os dedos apertando seus braços. Essa mulher vai me testar. Respiro fundo e sorrio. Porque é exatamente por isso que ela está aqui.
— Você permanecerá neste quarto até que possa responder a essa pergunta. Agora — eu começo, soltando-a e me afastando. — Você precisa de Carmen para ajudá-la a se despir?
— Não — Ela cospe e puxa desajeitadamente o moletom, deixando-o emaranhado em seu cabelo enquanto o tira e o joga em mim. Ele bate no meu peito, depois cai no chão.
Eu não tiro meus olhos dela enquanto ela continua com as calças, saltando em um pé, adagas me cortando enquanto ela segura meu olhar e as tira, as enrola e joga as calças m*l ajustadas em mim também.
— Satisfeito? — ela pergunta, endireitando-se para ficar em sua altura total. Não se cobrindo.
Incapaz de parar meu olhar de varrer sobre ela, eu engulo, absorvendo toda aquela pele, os pedaços de renda que m*l cobrem os s***s fartos, a f***a de seu sexo. Eu empurro minhas mãos em meus bolsos, cerrando-as em punhos, unhas cravadas em minhas palmas. Minha boca aperta quando me lembro quem ela é. Lembro-me de que essa monstrinha precisa que eu permaneça no controle. Para não ser desfeito pela visão dela quase nua.
Eu arrasto meu olhar lentamente de volta para o dela e vejo que suas mãos também estão cerradas e suas bochechas coradas.
— Continue — eu digo, minha voz grossa.
Sua boca se abre, sua respiração curta audível enquanto ela olha de mim para Carmen e de volta para mim. — Acho que é suficiente. Acho que meu irmão...
— Carmen — eu digo, nem me movendo nem tirando meus olhos de Olga.
Carmen entra em ação, caminhando em direção a Olga em três passos rápidos. Olga suspira, claramente não esperando por isso, e quando a mulher mais velha levanta os braços para tirar o resto de suas roupas, Olga aperta seus pulsos com força. Ela é mais forte do que eu percebi. Mas Carmen é tão forte e determinada. É por isso que eu a escolhi.
— Não se atreva a me tocar! Afaste-se de mim!
Há uma breve luta. Olga empurra Carmen e corre, mas Carmem é rápida para se equilibrar e se mover em direção ao seu alvo.
Olga olha freneticamente ao redor, sua mão se fechando sobre a base de uma lâmpada pesada. Ela vacila então. Eu me pergunto se ela está se lembrando do evento que a trouxe até aqui, que a colocou nessa situação. O assassinato da cortesã. A cena muito violenta que ela deixou para trás.
Ela fecha os olhos com força, eu levanto a mão para parar Carmen enquanto a observo, a pele já inchada ao redor de seus olhos ficando molhada. Ela tem chorado. Inferno. Parece que ela está chorando desde sempre.
Com um violento aceno de cabeça, ela abre os olhos, olhando para mim.
— Mande ela se afastar!
— Continue, ou eu vou fazer — digo a ela calmamente, me endurecendo contra a criatura ferida que desperta o protetor dentro de mim.
— Eu te odeio — diz ela, um estremecimento em sua voz quando ela solta a lâmpada e estende a mão atrás dela para desabotoar o sutiã e tirá-lo. Ela deixa cair no chão, então empurra sua calcinha para baixo, chutando ambas para longe. — Eu te odeio pra c*****o.
Ela descobre s***s bonitos e cheios, m*****s apertados e seu sexo raspado para revelar a sua b****a bonita. Este último me faz parar. Algum outro homem a viu assim? O Luke Smit viu?
Balanço minha cabeça para me impedir de pensar. Não sei por que estou indo por esse caminho. Ela teria seguido as regras. Quebrá-las envergonharia seu irmão e despertaria sua ira. Além disso, não é por isso que ela está aqui. Mas a nudez dela me impressiona. Ela certamente não é a primeira mulher que vejo. Longe disso. Mas aqui estou eu, incapaz de desviar meu olhar.
— Senhor? — Carmen interrompe.
— Saia — eu digo a ela.
Autocontrole. Disciplina. Duas características que trabalhei duro para aperfeiçoar em mim mesmo. Eu respiro fundo. Expiro. Ficar duro com a mera visão dela é tudo menos controlado. Ela será despida com mais frequência do que gostaria, eu não posso ficar com uma p***a de p*u duro como um adolescente toda vez que a ver.
— Sim, senhor. — Carmen sai. Espero até ouvir a porta se fechar.
Já levei mulheres para minha casa antes e as disciplinei. Algo que fiz discretamente para certos membros da Corleone. Nenhuma delas me afetou como Olga Gutierrez. E eu nem comecei com ela.
— Vá para a cama — eu estalo, precisando que ela se cubra. Eu ando até o banheiro adjacente, tomando um momento lá. Agarrando a borda do balcão, passo a mão pelo meu cabelo. O que diabos há de errado comigo?
Vasculhando o armário embaixo da pia, encontro o kit de primeiros socorros. Quando eu volto, eu a encontro sentada no meio da cama grande, segurando o edredom grosso em volta de si mesma. Mais uma vez, penso em como ela parece pequena. Quão diferente da garota que eu vi se tornar uma mulher. Uma mulher formidável. Agora, neste momento, ela está completamente diferente.
E o animal dentro de mim se agita.
Eu limpo minha garganta, ela olha para cima, embora ela não encontre meu olhar. Seu rosto é ilegível. Ela é boa nisso. Sempre foi. Provavelmente tinha que ser. Conheço um pouco da educação dela. Embora certamente, seu pai não tenha sido tão c***l com ela como ele foi com seus filhos.
Atravesso o quarto e me sento na beirada da cama.
Ela puxa os cobertores para mais perto, se afastando de mim.
— Olhe para mim.
Sua mandíbula aperta.
Eu fecho meus dedos sobre seu queixo e a faço olhar. Seus olhos se
estreitam em fendas quando encontram os meus. Ela não será fácil de dobrar. Mas eu não quero que ela seja. Inclino seu rosto para cima e afasto o cabelo de sua bochecha. O corte já está fechado, o sangue secou e um hematoma está tomando forma. Estou surpreso que isso é tudo o que ela sofreu considerando o que aconteceu.
Olga Gutierrez assassinou uma mulher. Ela deveria ter que comparecer perante o Tribunal para responder por isso. Qualquer outro m****o da Corleone o faria. Mas Ângelo cuidará disso. E eu vou ajudá-lo a protegê-la.
Tenho a sensação, porém, de que sua própria culpa e o pensamento de perder o amor de seu irmão são maior punição do que qualquer coisa que o Tribunal possa infringir.
Limpo o sangue seco de sua bochecha e passo pomada antibiótica no corte, tomando cuidado para ser gentil. Eu sinto seus olhos no meu rosto, levo meu tempo fazendo isso. Assim que termino, coloco a pomada de lado e despejo um copo de água do jarro de cristal na mesa de cabeceira. Pego a pílula que Carmen deixou no pratinho e entrego os dois para Olga.
Ela olha para a pílula.
— Para ajudá-la a ter uma boa noite de descanso.
— Estou bem — diz ela, virando a cabeça.
— Vai ajudar, Olga.
Ela olha novamente para a pílula na minha palma. Ela quer. Ela quer o esquecimento que isso trará. E desta vez, vou permitir. Ela estende uma mão hesitante para pegar a pílula de mim e a coloca em sua língua, então pega o copo, bebe um gole antes de devolvê-lo.
Coloco-o na mesa de cabeceira e fico de pé.
Ela se deita e se afasta de mim. Longos cabelos escuros se espalham sobre o travesseiro branco, o edredom que ela está segurando dobrado até o queixo, deixando a maior parte de suas costas expostas. Eu alcanço o cobertor para cobri-la totalmente, mas algo chama minha atenção. Uma marca. Algo que eu nunca vi porque suas costas nunca estiveram totalmente nuas para mim. É uma cicatriz. É antiga. Vislumbro a borda de outra, mais profunda, mais baixa. Está escondida pelo cobertor.
Eu sei o que deixa essa marca em particular. Eu já vi isso antes.
Quando eu toco as pontas dos meus dedos em uma, a pele ao redor dela aperta e ela endurece. Eu paro. Agora não é a hora. É o suficiente por uma noite. Especialmente esta noite. Então eu puxo o cobertor até os ombros e a observo se enterrar sob o edredom pesado, mãos pequenas como punhos segurando firme. Alcançando o interruptor, apago a luz ao lado da cama e caminho em direção à porta. Eu paro lá e olho de volta para ela. Mas quando a ouço fungar, saio do quarto.