Olga
Eu estava furiosa com o Juiz, mas também comigo mesmo. Eu quebrei minha regra fundamental. A única lei absoluta que sempre obedeci.
Nunca deixar ninguém ver minhas cicatrizes.
Em meu estado de espírito desconcertado, eu nem estava considerando isso. Provavelmente é a primeira vez na minha vida que esqueci que aquelas cicatrizes estavam lá. Ninguém nunca deveria vê-las. Ninguém jamais viu, exceto a única testemunha que não pronuncia uma palavra.
Mas agora o Juiz viu. Ele sabe, parece inclinar ainda mais a balança da desigualdade a seu favor. Odeio isso. Eu o odeio. Eu odeio todo mundo agora. E mesmo que eu tenha prometido a mim mesma que não ia chorar mais, é exatamente isso que eu faço quando ele me deixa sozinha no abismo silencioso do meu quarto. Choro pela perda da única vida que conheci. Eu sofro pela mulher que eu pensei que era. E sofro pela mulher que quase matou meu irmão antes de eu matá-la. Eu não sei por quê. Eu não a conhecia, além das poucas vezes que conversamos para acertar o acordo que fizemos. Quando eu descobri que ela me traiu e quase destruiu o último de minha família, eu a queria morta. Jurei que era a única punição adequada para o crime dela. Mas querer era uma coisa. Realizar o ato eu mesma, tão brutalmente e tão inesperado, é outra.
O peso da minha culpa cai sobre mim enquanto o remédio penetra em minhas veias e deixa meus olhos pesados demais para focar. Então eu os fecho, inevitavelmente, o sono me arrasta por algumas horas felizes quando nada mais existe.
Quando a luz do dia começa a rastejar na minha janela, a realidade da minha situação afunda novamente. Acordo em uma cama que não é minha, uma olhada ao meu redor confirma que ainda estou vivendo em um inferno que eu mesma criei.
Fecho os olhos e tento esquecer, mas é uma tarefa impossível. Torna complicado pelo som da minha porta se abrindo. Carmen está com uma expressão presunçosa e uma bandeja cheia de café da manhã em suas mãos quando eu olho para cima.
Algo sobre essa mulher me incomoda. Eu tive um mau pressentimento sobre ela desde que fiquei aqui antes, mas depois da noite passada, eu sei que ela não é confiável.
— Hora de levantar — ela anuncia com zombaria alegre em seus olhos. Ela está gostando muito disso.
— Apenas deixe ai. — Eu aceno para a bandeja. — Eu vou comer mais tarde.
— Temo que não. — Ela cantarola enquanto se move para a área de estar perto da janela e coloca a bandeja na mesa. — Você recebeu ordens para se levantar. Tome um banho, então você pode comer.
Eu olho para o relógio ao lado da cama em desânimo.
— São apenas seis horas.
— Sim e o Sr. Montgomery quer você acordada. Sugiro que siga suas regras. Ou não. Suponho que você é quem vai enfrentar as consequências, então não faz diferença para mim.
Eu estreito meus olhos para ela. Uma coisa é certa. Ela poderia ter algumas lições de boas maneiras de Antonia. Pelo menos nossa governanta sabe quando ficar calada.
— Vou voltar para a cama. — Eu puxo as cobertas mais apertadas ao meu redor e rolo para o meu lado. — Diga ao Juiz se quiser. Também não faz diferença para mim.
Eu quase posso jurar que a ouço bufar quando ela sai do quarto, por um segundo, eu questiono o que estou fazendo. Estou realmente preparada para enfrentar sua ira antes mesmo de tomar meu café?
Por um lado, tenho certeza que não. Por outro lado, ele é um i****a e eu quero que ele saiba que não vou tornar isso fácil para ele só porque ele manda. Se ele me conhecesse, saberia que fico acordada até tarde como Ângelo. É raro eu me levantar antes do meio-dia e não tenho intenção de mudar isso só porque algum egomaníaco bate os punhos no peito em uma demonstração de poder.
Fecho os olhos, meu quarto está tão silencioso que quase podia acreditar que estava certa. O Juiz não vai perder tempo vindo aqui esta manhã. Não quando ele tem coisas mais importantes para fazer, como atormentar todas as almas infelizes que têm que enfrentá-lo no tribunal.
Cinco minutos se passam e depois dez. A cada segundo adicional, meu corpo começa a relaxar novamente e meus olhos ficam pesados. Estou à beira do sono me roubando quando minha porta se abre, um calafrio percorre minha espinha. Sem nem olhar, eu sei que é ele. Posso sentir a escuridão de sua energia pulsando pela sala, ofuscando a luz do sol que entra pelas janelas.
Eu não olho para ele. Eu fico ali, congelada, minha respiração presa no meu peito enquanto espero para ver o que ele vai fazer.
— Levante-se. — Sua ordem é emitida com aquela voz autoritária que me faz estremecer. Mas, ao mesmo tempo, alimenta minha própria ira.
— Não.
— Olga — ele avisa. — Não me teste. Posso prometer que você não vai gostar do resultado.
— Apenas me deixe em paz! — Eu grito por cima do meu ombro, as palavras morrendo quando eu pego um vislumbre dele.
Ele está lá em um par de calças de montaria, botas e uma camisa que está aberta para revelar seu peito nu, brilhando com o suor de um treino matinal. Eu tento engolir o nó na minha garganta enquanto meus olhos se movem involuntariamente sobre sua estrutura musculosa. Eu sempre soube que Juiz era forte. Não é um detalhe que você pode perder em seus ternos bem cortados. Mas saber que é uma fera totalmente diferente do que testemunhar a ampla extensão de seus ombros e o abdômen cortado com aquele pedaço de cabelo escuro que desaparece sob sua cintura.
Oh Deus. Eu não posso olhar para ele assim. Juiz sempre foi o melhor amigo arrogante do meu irmão mais velho. O tipo que você tolera porque precisa. Isso parece errado. Muito errado. E eu não sei por que ainda estou olhando para ele ou por que sinto uma onda de calor se espalhando pelo meu pescoço e peito.
Se eu tivesse que adivinhar, seria porque nunca vi um homem nesse estado de nudez. Patético, eu sei. Mas regras são regras. Mesmo quando eu estava namorando Luke, eu nunca vi um vislumbre de seu peito. Eu não estava preparada para isso, não tenho ideia para onde devo olhar ou o que devo fazer.
— Olga — o Juiz fala meu nome com toda a delicadeza afiada que ele pode reunir.
Meus olhos se movem para os dele, é um erro. Porque eu posso ver o fogo neles. Ele nota o rubor se movendo sobre minha pele quando ele me olha. Isso não pode ser real. Não com Juiz. Ele nunca olhou para mim do jeito que está olhando para mim agora. Como se ele estivesse prestes a rastejar para fora de sua pele e... me devorar.
— Levante. — Sua voz está mais áspera agora. — Não vou falar de novo.
Eu o encaro, incapaz de falar. Incapaz de sequer formular um pensamento. Há uma tensão entre nós que não quero reconhecer. Acho que sempre esteve lá, fervendo silenciosamente sob a superfície. Eu sempre pensei que era um ódio mútuo, mas agora, parece outra coisa. Algo que está prestes a atingir um ponto de ebulição.
— Você tem um jeito de conseguir o que quer na vida, monstrinha. — Quando ele me chamar assim eu quero voar no pescoço dele. Ele dá um passo à frente com determinação, vejo algo em sua mão.
Leva um momento para registrar que é um chicote. Meu coração desacelera para um baque pesado no meu peito, eu tento balançar minha cabeça, mas ela não se move. Estou congelada, apavorada com o que ele pode fazer, é um sentimento que há muito pensei que deixaria para trás. Eu sou a p***a da Olga Gutierrez. Eu não recuo de nada. Eu não me curvo a ninguém. Mas agora... parece que é exatamente isso que estou fazendo quando ele dá mais um passo, eu abaixo minha cabeça para evitar seu olhar.
— Eu sabia que você tinha isso em você. — Ele arrasta a ponta áspera do polegar ao longo do meu queixo, levantando meu queixo para que eu tenha que olhar para ele. — Você pode se submeter. Você só precisa de alguém para guiá-la.
— Não. — Eu forço as palavras entre os dentes cerrados.
— Resista o quanto quiser — diz ele, sua voz estranhamente calma. — Gosto de domar animais selvagens.
Seu polegar desliza perigosamente perto dos meus lábios, eu respiro fundo. Ao mesmo tempo, ele congela como se não percebesse o que estava fazendo. Não sei o que fazer com essa estranha interação quando as coisas sempre foram tensas ou indiferentes. Este não é o Juiz que conheço e lembro. Este não é o mesmo homem que olhou para mim como se eu m*l me registrasse em seu mundo. Sempre achei que ele se achava superior demais para realmente me ver. Mas agora, parece que ele vê tudo.
— Olga. — Ele afasta a mão abruptamente, seu rosto adotando uma expressão neutra que me faz pensar se estou realmente enlouquecendo. Eu apenas imaginei isso?
— Juiz. — Eu devolvo o nome dele em um tom cheio de arrogância.
Seu lábio se inclina ligeiramente para o canto, se eu não soubesse bem, eu poderia pensar que ele acha toda essa situação divertida. Mas é claro que ele acha. Ele é quem tem o verdadeiro poder aqui, nós dois sabemos disso. Mas eu vou resistir, vou tornar a vida dele o mais difícil possível.
— Ajoelhe, monstrinha. — Ele aponta para o chão com a ponta de seu chicote. — Agora.
— Você está brincando comigo? — Eu olho para ele.
— Parece que estou brincando?
Não, ele realmente, realmente não está.
— Eu não vou jogar esses jogos nojentos com você. — Agarro as cobertas com mais força ao meu redor. — Apenas me deixe em paz.
Seus olhos se movem para o relógio e depois voltam para mim.
— Você está atrasando o inevitável. Faça o que eu digo ou haverá mais consequências quando eu chegar em casa esta noite.
— Eu não me importo. — Eu me jogo do outro lado da cama e arrasto o edredom comigo, me protegendo enquanto corro para o banheiro. — Encontre outra pessoa para torturar, seu sádico. Vá bater em uma de suas prostitutas no...
As palavras param abruptamente quando sinto o edredom sendo puxado para fora do meu alcance. Tudo acontece tão rápido que nem tenho tempo de me fortalecer antes que o Juiz me agarre e me gire, expondo meu corpo nu para ele enquanto seus olhos brilham com fogo.
— O que você disse?
— Você me ouviu. — Eu mantenho meu olhar fixo no dele, embora pareça que meu coração está prestes a explodir. — Você é tão pervertido que nem consegue ver. Vindo me resgatar todo alto e poderoso falando sobre disciplina, quando tudo o que você realmente quer é...
Mais uma vez, minhas palavras são cortadas quando ele me agarra e me coloca de cara no tapete. Não há tempo para tentar um contra-ataque. Juiz está me mostrando sua verdadeira força, sua formidabilidade e sua capacidade de me dominar tão facilmente, não importa quanto eu lute. O medo real passa por mim pela primeira vez quando ele levanta minha b***a e prende meus quadris na posição com suas coxas musculosas, me apertando.
— É disso que você tem tanto medo? — Ele me provoca arrastando o chicote de couro pelas minhas costas nuas, patinando sobre as cicatrizes que eu gostaria que ele não tivesse visto.
— Não! — Eu grito e empurro contra ele, mas ele apenas me aperta mais forte com as pernas, usando a palma da mão para empurrar meu rosto de volta para o chão.
— Eu acho que é exatamente o que você tem medo. — Ele lança as palavras como se sentisse prazer com o fato, como se ele ficasse e******o ao me ver tão vulnerável. — Qual é o problema, monstrinha? Onde estão suas acusações agora?
— f**a-se!
— Me f***r — ele ecoa, sua voz zombeteira. — Bem que você queria.
Antes que eu possa sequer tentar formular uma resposta para isso, o chicote chicoteia contra a minha b***a esquerda inesperadamente, me fazendo sacudir. Dói e tem o efeito imediato de roubar meu fôlego, mas não há tempo para se recuperar antes que ele faça isso de novo.
— Quantas você acha que merece pela sua exibição desta manhã? — ele pergunta.
Eu aperto meus lábios e me recuso a pronunciar uma palavra ou fazer qualquer som. Eu sei que é isso que ele quer. Ele quer minha submissão. Ele quer sentir que está ganhando, mas eu nunca vou admitir a derrota mesmo quando estou de joelhos sendo humilhada por ele.
Quando eu não respondo, ele bate o couro contra a minha pele com mais força, isso queima. Mas, novamente, não emito nenhum som. O Juiz deveria saber que já passei por coisas muito piores. As cicatrizes são a prova disso. Ele acha que pode me quebrar, mas eu já fui quebrada. Eu simplesmente me recuso a deixar o mundo saber disso.
Tapa. O couro assobia contra minha b***a, ele grunhe, pegando o ritmo, trabalhando em ambos os lados enquanto gira da esquerda para a direita, balançando o chicote atrás dele. Da minha periférica, posso ver seus músculos se esticando enquanto ele se perde no momento, se eu o estivesse observando em qualquer outra circunstância, eu pensaria que é quase desumanamente bonito o jeito que ele se move. Quando o pensamento me ocorre, percebo o quão perturbador é. Mas eu levei muitas surras na minha vida. Nenhuma delas foi medida ou bem controlada. Nenhuma delas era bonita de qualquer maneira. Elas eram feias e aterrorizantes. Inexplicavelmente, desta vez é diferente, não sei por quê. Só sei que confio que o Juiz nunca irá longe demais. Ele vai me deixar desconfortável, mas eu não acredito que ele jamais colocaria a mão em mim só para me causar dor. Há uma lição em tudo o que ele faz, agora, a lição que será aprendida, quer eu goste ou não.
— Diga — ele resmunga. — Diga-me por que você está aqui.
— Dane-se! — Eu sorrio por cima do meu ombro. — É por isso.
Tapa. Seu chicote me atinge bem no meio das minhas coxas, isso me choca tão violentamente que eu solto um grito ensurdecedor. O chicote cai no chão no rescaldo, Juiz tropeça para trás, olhando para mim como se ele tivesse acabado de ser encharcado em água gelada.
Solto um soluço silencioso quando duas percepções me ocorrem ao mesmo tempo. A primeira é que ele pode ver tudo de mim agora, eu estou muito fraca para me arrastar e encontrar até mesmo um grama de dignidade. A segunda é que talvez eu estivesse errada sobre ele. Talvez Juiz não seja alguém em quem eu possa confiar para não me machucar. Porque embora eu tenha ficado mais chocada do que aflita, estou humilhada e isso é tão r**m quanto, não é?
Eu enterro meu rosto no chão, tentando esconder a umidade grudada em meus olhos. Não sei o que há de errado comigo, mas parece que uma represa se abriu e agora não posso impedi-la.
Um longo e pesado silêncio se segue antes de eu sentir uma mão gentil na minha cintura. Eu recuo com o contato, mas então ele me pega em seus braços. O calor de seu peito nu penetra em minha pele e tem o efeito mais estranho em mim. Eu quero me odiar por estar tão emocionalmente falida que eu poderia obter algum conforto desse homem, mas é exatamente assim que parece. Seu calor me cerca, não posso deixar de notar o cheiro masculino de seu suor combinado com o couro de suas botas e talvez até um toque de sua colônia. É picante e quente, acho estranho não odiá-lo. Eu deveria odiá-lo.
Eu tenho que acreditar que isso é apenas um efeito colateral do meu estado de espírito frágil. Qualquer outra pessoa na minha situação faria o mesmo. O conforto é escasso no meu mundo, pela primeira vez, acho que preciso dele. Mesmo que venha do bruto que me fez mostrar minha vulnerabilidade em primeiro lugar.
Ele me carrega para a cama, me deitando de bruços antes de fazer uma pausa para acariciar o cabelo reunido no meu rosto. Parece quase
como um pedido de desculpas silencioso, digo a mim mesma que deveria recuar de seu toque, mas, novamente, não recuo.
— Não se mova — ele ordena, a voz áspera. — Vou arranjar algo para ajudar com a dor.
— Eu não preciso de nada para a dor — eu sussurro. — Não me incomoda.
Ele ignora meu protesto e desaparece no banheiro, por um segundo, considero tentar correr para a porta. Talvez eu conseguisse se não estivesse tão exausta. Digo a mim mesma que poderia, mas a verdade é que sei que ele vai me pegar. Ele sempre vai me pegar. O Juiz é um caçador, de alguma forma, me tornei sua presa.
Quando ele volta com um tubo de creme, tento me virar, mas a palma de sua mão descansa no centro das minhas costas.
— Chega de brigas. — Sua voz trai uma pitada de suavidade que eu acho que nunca ouvi dele antes. — Não agora.
— Eu posso fazer isso sozinha. — eu resmungo.
— Mas você não vai — ele responde. — É meu trabalho cuidar de você.
Enterro meu rosto no travesseiro enquanto ele aquece o creme entre as palmas das mãos e então começa a alisá-lo sobre as curvas da minha b***a. Parece tão íntimo. Muito íntimo para compartilhar com o Juiz. Não consigo entendê-lo. Este homem é um Corleone e alto escalão. Ele poderia ter qualquer mulher que quisesse, mas nunca se casou. Aos trinta e um anos, tenho certeza de que inúmeras mulheres tentaram e falharam em tê-lo como marido. Mas Ângelo mencionou muitas vezes que o Juiz nunca se casaria, eu me pergunto por quê. Por que está tudo bem para ele recusar as expectativas da Corleone quando devo cumpri-las? Por que eu tenho que seguir essas malditas regras e ele não? E que possível benefício ele poderia obter desperdiçando seu tempo comigo quando uma infinidade de mulheres bonitas estão dispostas a se submeter a todos os seus comandos?
Esses pensamentos ocupam minha mente enquanto ele esfrega o creme na minha pele, mas por mais que eu tente, não consigo me distrair o suficiente da sensação de suas mãos em mim. Ele é meticuloso. Cuidadoso. Tratando-me como se eu fosse delicada quando cinco minutos atrás, ele estava me tratando como se eu fosse a ruína de sua existência. Eu não o entendo, não consigo me impedir de deixar escapar a pergunta que está em minha mente desde ontem à noite.
— Por que você está fazendo isso? O que isso é para você?
Sua mão vacila por um momento antes de retomar seu trabalho, tomando cuidado extra para massagear a pele sensível que tenho certeza que está vermelha e inchada.
— Tem que haver algo para você — eu persisto quando ele não responde.
— Tem. — ele diz baixinho.
Imediatamente, meus pensamentos vão para o pior cenário. Já sei de Ângelo que se alguma coisa acontecesse com meu irmão como chefe da casa, não só o Juiz assumiria meus cuidados, mas seria bem pago para isso. Não consigo imaginar que ele precise do dinheiro, mas os homens ricos nunca recusam dinheiro. Foi por isso que ele concordou com isso? É a única coisa que faz algum sentido. E de repente, toda essa situação
ainda mais mortificante do que eu imaginava que poderia ser.
— Ele está pagando a você, não está? — Eu exijo. — Ângelo está pagando por isso. É por isso que estou aqui.
O Juiz não responde, eu tenho minha resposta. Eu engulo meu orgulho, pronta para me levantar e redesenhar as linhas de batalha. Mas então sua palma desliza pelas minhas costas, levemente roçando as cicatrizes que viveram lá por tantos anos.
— Quem fez isto com você? — Sua pergunta me pega desprevenida, ainda mais quando pareço detectar uma corrente de raiva em seu tom.
— É problema meu — eu respondo com menos mordida do que eu esperava.
— Seu problema é meu problema. — Ele volta a acariciar, massageando a pele das minhas costas até que seus dedos deslizam sobre a curva do meu quadril, em seguida, ao redor do globo da minha b***a até a parte de trás das minhas coxas, onde residem mais algumas cicatrizes.
Eu não sei como, mas em algum momento, seus esforços para curar minha pele inflamada se transformaram em outra coisa. Algo mais exploratório. Algo mais escuro e... mais perigoso. Quando seu polegar desliza perigosamente perto da parte interna da minha coxa, eu respiro fundo quando uma cascata de arrepios se espalha por todo o meu corpo, e meu estômago aperta em antecipação.
Eu sei que ele não pode. Ele não vai. Estou fora dos limites. Isso é terra de ninguém até eu me casar. É a regra para as mulheres da Corleone, especialmente as mulheres do alto escalão. Nenhum homem jamais ousou me tocar ali antes, não consigo imaginar o Juiz testando os limites da ira de Ângelo. Se ele me tocar, nenhum homem jamais se casaria comigo, ele teria que enfrentar as consequências que certamente não valem a pena. Seria imprudente e e******o, mas uma parte de mim também se pergunta se ele quer. Essa mesma parte perturbada de mim está considerando como seria. Ele seria áspero, ou seria gentil como é agora? Qual seria a sensação de ter suas mãos por todo o meu corpo? Sua boca na minha boca. Seu p*u dentro de mim.
Eu afasto esses pensamentos horríveis, envergonhada por sequer considerá-los.
— Isso já é o suficiente — eu sufoco. — Se eu precisar de mais, eu aplico mais tarde.
Minhas palavras parecem trazê-lo de volta aos seus sentidos também, ele arrasta a mão, deixando-me no chão.
— Você tem uma hora para descansar — diz ele calmamente. — Então eu quero que você tome banho. Suas roupas estão no armário. Vista-se como gostaria, mas não deve sair deste quarto.
— Minhas roupas estão aqui? — Eu olho para o armário, me perguntando quando elas foram entregues. Deve ter sido enquanto eu dormia.
Ele acena com a cabeça, movendo-se para a porta, eu o chamo.
— E o meu telefone?
— Sem telefone — ele responde, seu rosto desprovido de qualquer emoção. — E sem maquiagem.
— Eu preciso do meu telefone, Juiz. Você não pode simplesmente...
— Você o receberá de volta quando me disser por que está aqui. Por enquanto, você pode usar esse tempo para pensar sobre isso. — Ele pega a maçaneta e faz uma pausa depois de abri-la. — As regras são muito simples, Olga. O bom comportamento lhe dá privilégios. O mau comportamento gera consequências.