8. Cicatrizes

2382 Palavras
Juiz Ela não é para você. Tenho que repetir isso para mim um milhão de vezes, mas não consigo deixar de me sentir um animal perto dela. Não consigo deixar de querer desejar o que não posso ter. Deito Olga em sua cama. Ela está vestida com calças de ioga e um suéter, o cabelo ainda solto, os pés ainda descalços. Ela. Não. É. Para. Você. Eu engulo esse fato e sento na beirada da cama, esfregando meu rosto. Eu me pergunto o que meus colegas e aqueles programados para aparecer no meu tribunal pensaram das marcas em forma de meia-lua nas minhas bochechas das unhas de Olga. Ninguém ousou perguntar. Eles sabem bem quem eu sou. Ela não comeu o dia todo. Carmen me informou sobre, na minha chegada. Provavelmente é por isso que ela desmaiou. Isso ou a culpa que tenho certeza que ela está revivendo trancada aqui sem nada para distraí-la. Esse é o ponto, no entanto. Sem distrações. Muitas pessoas esperam atalhos na vida. Mas não é assim que as coisas funcionam. A escuridão toca todas as nossas vidas. Os fortes ficam de pé e caminham voluntariamente para o abismo para enfrentar as sombras. Os fracos se distraem para não ter que enfrentá-lo. Não vou deixar a Olga ser fraca. Ela não é assim. — Olga. — Nada. Chamo, mas ela não responde. Eu empurro o cabelo de seu rosto. Sua testa está úmida. Eu me pergunto se isso é por causa da ioga — seu tapete está estendido no chão — ou por estar doente. Meu palpite é o último quando vejo a pele rosada e inchada ao redor dos olhos. Eu nunca a estudei antes. Nunca tive a oportunidade, realmente. E percebo que há algo errado em fazer isso enquanto ela está desmaiada, mas empurro esses pensamentos de lado e me pego despindo-a com o pretexto de que ela está muito quente com as roupas. Mas eu quero dar uma olhada nela - nessas cicatrizes - e duvido que ela permita se estiver acordada. E assim, sem pensar muito, tiro o suéter e as calças dela, a regata por baixo, coloco ao pé da cama. Quando eu a sento para remover o sutiã, ela faz um som, mas sua cabeça pende contra o meu peito. Uma vez que o sutiã está solto, eu seguro a parte de trás de sua cabeça e a deito. Ela se acalma enquanto eu puxo as alças de seus braços e coloco o sutiã em cima de suas roupas. Eu toco em seus s***s. Cheios. Perfeitamente redondos. Seus grandes m*****s escurecendo enquanto enrugam. Eu limpo minha garganta, então olho por cima de seu peito, seu estômago. Nada aqui. Pele perfeita e sem manchas. A fera adormecida dentro de mim se mexe. Eu mudo meu olhar de sua barriga lisa para a calcinha de renda que m*l a cobre. Eu deslizo meus dedos no cós. O que ela pensaria se acordasse agora? O que eu diria a ela? A verdade. Essas cicatrizes são preocupantes. Ângelo não teria feito isso com ela, teria? Será que ele sabe sobre elas? Eu deslizo sua calcinha por suas longas pernas e estou prestes a colocá-la de lado, mas em vez disso a empurro no meu bolso, meu olhar novamente pegando a f***a de seu sexo. Ela faz um som, se move, mas se acalma novamente. Suas pernas se separam um pouco. Apenas o suficiente para me dar um vislumbre dos lábios abertos de sua b****a. Um estrondo dentro do meu peito sinaliza que o interesse da fera foi despertado. Eu respiro fundo e depois expiro lentamente. Ajusto-me. Digo a mim mesmo que estou inspecionando as cicatrizes. Isso é tudo. Mas não é, eu estou ficando louco. Perdi completamente a sanidade. E encontro a primeira cicatriz. Apenas em torno da curva de seu quadril em seu osso pélvico. Como se o cinto - e eu sei que era um cinto - enrolado e a fivela cravada com força na carne. Foi empunhado com raiva. Descontrolado. Eu sei disso também. Minha mandíbula aperta quando eu me abaixo para tocá-la, a cicatriz esburacada sob meu polegar. As frentes de suas pernas estão quase sem manchas, além de duas marcas menores como aquela em seu quadril, de onde o cinto se enrolou quando atingiu. Quem fez isso com ela? p***a, eu poderia matar quem fez isso. Eu corro minha mão sobre a pele lisa de sua coxa, joelho, canela. Eu me movo ao redor da cama e seguro um pé em minhas mãos, quando vejo a parte de baixo dele, todos os músculos do meu corpo ficam tensos. E aquele estrondo de antes, é diferente agora. Alto e possessivo e enfurecido. Ambos os pés estão fortemente marcados. As solas foram chicoteadas impiedosamente. Eu seguro os dois, querendo aquecê-los. Cura-los. Eles são pequenos para sua altura, as unhas polidas com perfeição em sua assinatura vermelha. Impecável de um lado. Danificado no outro. Como ela. — O que você está fazendo? — pergunta Olga. Eu olho para cima para encontrá-la olhando para mim, os olhos arregalados de horror. Ela se apoia nos cotovelos. — Que diabos está fazendo? — ela exige, puxando seus pés do meu alcance. Eu permito que ela se afaste e estudo seu rosto. Os olhos dela. Lá está ela, dentro deles. Uma garota quebrada. — Quem fez isto com você? Ela engole em seco, olhos embaçados, se senta. Ela puxa o edredom para o colo, sobre os s***s. — Como eu disse ontem à noite, não é da sua conta. — Ângelo? — Eu pergunto, não querendo. Não pode ser, mas e se eu estiver errado? Eu vou matá-lo. Eu vou ter que matá-lo. — Não. Deus! Ângelo nunca... — Sua voz falha, ela leva um momento para se recompor e encontrar meus olhos novamente. E quando o faz, os dela são duros. Camadas de obsidiana impenetrável. — O que diabos você pensa que está fazendo me despindo quando estou desmaiada? Inspecionar você e verificar se há cicatrizes parece fraco. Eu queria ver sua b****a mais uma vez está mais perto da verdade. A imagem dela esta manhã, quando eu levei o chicote para ela, flutua de volta à memória. Seus quadris presos pelas minhas coxas. Sua b***a posicionada para receber minha punição. As marcas de vermelhidão. Suas partes mais secretas em exibição para mim. Para mim. Não. Para. Você. — Você não comeu nada. — Responda a p***a da minha pergunta por que eu tenho certeza que meu irmão não teria aprovado isso! — Ele sabe sobre as cicatrizes? — Eu pergunto, parando essa linha de questionamento porque, honestamente, ela está certa. Ela vacila. Abraça seus braços um pouco mais perto. — Ele sabe? — Não. E você não vai contar a ele. — Quem fez isso? Ela se senta contra a cabeceira da cama e olha para mim, os lábios selados com força. — Diga-me quem e talvez eu não mencione isso a Ângelo. — Você vai me chantagear? — Olga... — Não. — Diga-me. Eu a observo. Eu não posso desviar o olhar. — Não diga a ele. — Ela vacila, balançando a cabeça. — Por favor. Eu a estudo por um momento de silêncio. Não vou ter uma resposta dela esta noite, mas tenho tempo. — Por que você não comeu? — Eu pergunto, mudando de assunto. — Hum. Não sei. Vamos ver. Você me trancou em um quarto. Você bateu na minha b***a. Meu irmão acabou de me expulsar da minha própria casa e da vida dele. Eu tenho uma empregada – uma maldita empregada – que claramente tem prazer em meu sofrimento, meu carcereiro é um sádico. Eu não sei por que eu não tenho apetite! Eu vejo a fúria em seu rosto. É uma camuflagem frágil para sua incerteza. Sua vulnerabilidade. — Por que você está aqui, Olga? Ela pega seu suéter ao pé da cama e o veste, então se levanta. É grande e chega ao topo de suas coxas. — Estou aqui porque meu irmão está pagando você para lidar comigo enquanto ele brinca de casinha com aquela mulher. Há uma batida na porta. — Entre — eu chamo, sem tirar os olhos de Olga, que tenta manter os dela nos meus, embora eu veja como ela olha para Carmen entrando com mais uma bandeja de comida. Carmen coloca a bandeja grande na mesa e sai. Olga olha para ela. Sua testa franze, ela muda seu olhar para mim. Vou até a mesa, vejo os ovos mexidos frios, as tiras de bacon desagradáveis, uma sopa fria de tomate, um sanduíche no pão que ficou encharcado por causa dos legumes assados e queijo de c***a. — Café da manhã e almoço. Você vai comer essas refeições antes de ser servida qualquer coisa diferente. Se for esta noite, ótimo. Se for amanhã, tudo bem. Semana que vem? Novamente, tudo bem. Há uma coisa que eu sei, Olga. Você vai comer. Eu puxo a cadeira e gesticulo para ela se sentar. Ela exala alto, decidindo claramente que esta não é uma batalha que ela vai lutar. A dor não a incomoda. Ela mesma disse. Nem a dor de uma chicotada. Nem a dor da fome. Mas todo mundo tem um limite. Eu só tenho que encontrar o dela. E eu vou. Olga olha para suas roupas. Ela pega as calças que eu tirei dela e procura por um momento. A calcinha queima um buraco no meu bolso enquanto ela puxa a calça sem nada por baixo e caminha em minha direção, mas ela não se senta. Ela olha para todos os pratos, pega a tigela de sopa e olha para mim. Seus olhos se estreitam e ela sorri, então aproxima a tigela, vira-a e a empurra contra meu peito. Ela ri enquanto despeja sopa fria de tomate na minha frente e sobre minhas calças. É um som estranho, quase desequilibrado. A sopa pinga nos meus sapatos e no tapete outrora imaculado. Ela deixa cair a tigela, enxuga as mãos com um guardanapo e deixa cair também, depois olha para mim. — Aí. Uma já foi. O que você gostaria a seguir? Ovos? — Eu gosto deste terno — digo a ela casualmente, há aquele sorriso novamente. — Tenho certeza de que o dinheiro que meu irmão está pagando a você será mais do que suficiente para pedir outro. Mas o que ela vê a seguir no meu rosto a faz vacilar. É como se a fera olhasse para ela de dentro de mim. Meus músculos se contraem, a escuridão dentro lançando sua sombra, nos prendendo. Ela dá um passo para trás, mas antes que ela possa dar outro, eu agarro um punhado daquele cabelo grosso e luxuoso, puxo com força. É bom fazer isso. Eu sinto prazer. Ela grita, eu me seguro. É um som involuntário. Tenho certeza que ela não me daria a satisfação se pudesse evitar. Ela agarra meu braço com as duas mãos enquanto eu a puxo na ponta dos pés e a puxo tão perto que nossos narizes se tocam. — Isso foi um erro. — Eu a empurro de joelhos. — Me solte! — Pegue a tigela e o guardanapo. — Me solte! — Pegue. Do. Chão. — Está bem! Só... — Ela estica um braço para pegar a tigela e o guardanapo, mantendo o outro no meu antebraço enquanto ainda tenta se soltar. — Carmen — eu chamo. A porta se abre instantaneamente como se a mulher tivesse a p***a do ouvido na porta. — Senhor — diz ela, sua voz não traindo nenhuma emoção. — A Olga fez uma bagunça. Ela precisa de um balde e uma esponja para limpá-la. — Imediatamente, senhor. — Eu mantenho Olga de joelhos até que Carmen retorne e coloque o balde no chão, deixando a água espirrar pelas laterais, então se vira para sair. — Fique. — digo a ela. — Sim, senhor. Eu solto o cabelo de Olga, ela cai em suas mãos, então se senta para esfregar a cabeça. — Limpe meus sapatos. Ela range os dentes, mas não se move. — Pegue meu chicote, Carmen. Carmen gira nos calcanhares, mas antes que possa dar um passo, Olga pega a esponja e está limpando meus sapatos. Garota esperta. Tenho certeza que ela não quer sua b***a chicoteada na frente dos empregados. Quando ela termina, ela se senta e olha para mim. Ela tem o bom senso de manter a boca fechada. Eu me afasto, então gesticulo para a bagunça no chão. — Carmen supervisionará enquanto você esfrega o tapete. Estarei de volta amanhã de manhã bem cedo para levá-la aos estábulos, onde você limpará os estábulos. Para começar. Mãos ociosas são oficina do d***o. — Você não pode fazer isso comigo — ela grita. Eu me agacho, pego seu queixo em minha mão e a puxo para frente para que ela tenha que abaixar as mãos para se equilibrar. — Você se lembra do que eu disse ontem à noite? — Ela tenta se libertar, mas eu apenas aumento meu aperto. — O bom comportamento lhe dá privilégios. O mau comportamento gera consequências. Se você acha que estou fazendo um jogo aqui, deixe-me ser bem claro que não estou. Eu levo o ritual muito a sério. E você, monstrinha, precisa ser domada. — Ela engole, olhos procurando os meus. — Eu não vou falhar com Ângelo ou com a minha tarefa. Eu te prometo isso. Agora me agradeça por minha clemência esta noite. Seus olhos se estreitam em fendas, mas ela diz as palavras. Ou mais as cospe. Está bem. Eu vou aceitar. Soltando-a, eu me levanto e ando até a porta, mas paro antes de sair. Volto-me para as duas mulheres - uma de joelhos e a outra de pé sobre ela, apreciando sua tarefa, essa humilhação da grande Olga Gutierrez. Vou ter que lembrar a Carmen de seu lugar também. Mas não esta noite. — Carmen sairá quando estiver satisfeita com seu trabalho e somente depois que você agradecê-la pela oportunidade. — Seu i****a do c*****o. — ela diz tão baixo que eu quase não ouço. — O que foi? — Eu pergunto, voltando para dentro. Ela se afasta e não abre a boca. — Eu pensei isso. — eu digo. — Boa noite, Olga.
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