A verdade

3094 Palavras
O ecoar da porta de madeira era irritante e desgastante, às oito da noite era realmente um momento inadequado para uma visita. Betty amarrava o roupão, estava irritada, os cachos amassados e de brinde o batom borrado, ela havia iniciado a retirada de sua maquiagem. A morena abriu a porta esboçando toda sua insatisfação. - Quem diabos é? Antes que pudesse ver corretamente teve os lábios capturados, em um beijo intenso, o herdeiro da máfia havia entrado na brecha quando ela abriu a porta. Os um e oitenta de pura luxúria já havia entrado tomando a mulher nos braços, pressionando os dedos na cintura dela a fazendo recuar para trás. – Me dê um pouco daquilo. - Dizia entre o beijo erguendo a mulher nos braços, antes que ela tivesse tempo de responder. Apoiava as mãos nas coxas dela, a batendo contra a parede, subia as mãos pelo traseiro dela o apertando com vontade. – Querida? - A voz masculina dizia pelo corredor. – O que? - Harry olhava surpreso para a mulher. – Se tivesse me esperado falar eu diria, meu marido está em casa. - A de cabelos negros cacheados apoiou a cabeça contra a parede olhando para o outro. – Que merda. - Soltou a mulher com cuidado e se afastou. – Aqui querido, é o Harry. - Disse Betty se ajeitando. Jack se aproximou, olhando para o amigo. - Já imagino o porquê de estar aqui. – Imagina? - O mafioso olhou para o outro. – Seu pai saiu anunciando para qualquer um que tivesse ouvidos, que você iria se casar... Casamento arranjado. - O ruivo cruzou os braços sorrindo. - Ainda não acredito. – Casar? - A morena olhou chocada. – Exatamente por isso que eu vim, vocês sempre me aconselham com sabedoria, perdão se é tarde demais. - Sebastian olhou para a bela mulher que parecia irritada. – Venha, vamos beber e conversar. - Jack apoiou a mão no ombro do rapaz. – Doll já dormiu? - Perguntou curioso olhando por cima do ombro para Betty. – Sim, volte para ver ela depois, ela adora sua presença. - O ruivo sorriu servindo dois copos de whisky. - Como Jeremy tomou essa decisão? – Meu pai está caducando... Ele quer que eu herde a família, mas só se for casado e tiver um herdeiro. - Harry aceitou o copo de whisky. – É uma preocupação plausível. - Disse o homem se sentando. – Entendo que sim. Mas sequestrar uma garota? Me forçar a casar? Não sei a que ponto a psicopatia dele pode chegar. - O herdeiro se apoiou no batente segurando o copo. – Jeremy parece estar enlouquecendo... Mas a garota é bonita? - Perguntou curioso. – Não que seja importante para um homem casado. - A morena se sentou ao lado do marido. Harry sorriu com o copo diante dos lábios olhando para a moça. Desde a adolescência de Harry ele visitava aquela mulher, mesmo ela sendo mais velha e casada, disse uma vez brincando que quando completasse seus 18 anos deveria a procurar, foi o que ele fez, a procurou e imediatamente se tornou seu amante. Isso já faziam seis longos anos, Jack e Betty trabalhavam para o pai do rapaz na fábrica de fachada, ambos muito gratos por tudo que a máfia lhes derá. – Como posso dizer, ela é realmente linda, cabelos negros. - Sorria de forma maliciosa olhando para Beast. - Intensas e belas curvas, exatamente o meu tipo, eu diria. A morena olhava com um olhar assassino para seu amante. – Eu te recomendaria tentar, pelo menos mostrar para o líder que você está de acordo com o plano dele. - A morena dizia abraçando o braço do marido. – Betty tem razão, você não tem nada a perder. - O ruivo confirmou. – Só minha vida s****l, meus prazeres próprios e minha liberdade. - Moveu os ombros debochado. - Nada a se perder. – Harry já está na hora de você se ajeitar... Ficar pulando de galho em galho não trará frutos para a família. - A morena repreendia com sorriso vitorioso. – De fato. Terei que privar algumas mulheres da minha companhia para me casar. - Piscou para a esposa do amigo, que imediatamente corou e desviou o olhar. – Durma aqui, pense sobre isso, amanhã volte para casa, converse com o papa e tome sua decisão. - Jack se ergueu. – Obrigado, vocês são bons amigos. - Sorriu, olhando para o casal. ^~^ Quatro dias haviam se passado, Annabeth estava relaxada, Harry não retornava para casa quase nunca, mas de fato isso acalmava o pobre coração da garota. Não sabia se o noivo era muito ocupado, ou se a estava evitando. Mesmo que ela tivesse se agradado muito da companhia dele, que era um belo homem educado e muito gentil, não ter que lidar com o casamento forçado a tranquilizava. – Bom dia. - A bela moça de fios negros se sentou diante da mesa. – Bom dia. - Katherine retribuiu em tom baixo, aos poucos ela se soltava. – Bom dia querida, dormiu bem? - Senhora Wright sempre doce perguntava. – Como um anjo e a senhora? - Sorria forrando as coxas com o guardanapo. – Quando meu marido está em casa, durmo como um bebê. - A mulher sorriu para o marido que estava na outra extremidade da mesa. – Então, não tenho visto Harry, como está o relacionamento de vocês dois, querida Anne? - Sorria para a moça. – Achei que ele estivesse viajando a trabalho, não o vejo desde que nos conhecemos. - Disse ao máximo tentando conter o suspiro. O patriarca e a matriarca se olharam, visivelmente irritados. – Meninas, uma amiga da família virá em breve trazer algumas revistas para que possam montar um estilo, não podem viver com as roupas que comprei para sempre. - Victoria forçava um sorriso. Ambas garotas assentiram. – Ela já deve estar a caminho. - Matriarca olhando para o marido. – Entendo, vou deixar as senhoritas lidarem com tais problemas, enquanto vou atrás de um certo irresponsável. - Forçou um sorriso gentil e se levantou da cadeira. - Espero que as damas tenham um bom dia. Anne observava a cena com atenção, a família era sútil, mas aquela mulher já estava aprendendo que a comunicação ocorria muito em subtexto naquele ambiente, de fato um pensamento correto para uma família de mafiosos. Ao longo do dia a jovem sempre ouvir sobre, "resolver o problema", ou "Cuidar do empecilho", não demorou muito para ela descobrir que isso era uma ordem de assassinato, assim como "sair para caçar" que era usado para procurar os devedores da máfia. Até os olhares eram envoltos em subtexto. – Senhora, a senhora Betty já chegou. - Disse uma das empregadas se inclinando. – Ótimo, venham meninas. - Victoria imediatamente se levantou colocando o guardanapo sobre a mesa. As duas repetiram o feito pela mulher a a seguiram até a sala, onde uma mulher maravilhosa se encontrava. A bela de cabelos cacheados curtos, curvas intensas e monumentais, s***s fartos e um belo e redondo traseiro estava parada a espera das três, usava uma calça de couro, com veloz saltos de bico fino, uma camisa de gola alta preta e uma bela jaqueta vermelha por cima. – Betty! Achei que traria a pequena Doll com você. - A senhora se aproximou apoiando a bochecha contra a outra e fazendo um sonoro som de beijo. – Ela quis ir com pai para o trabalho. - A de cabelos negros sorriu. – Que pena. - Sorriu docemente. - Deixe eu te apresentar as meninas. Senhora Wright se aproximou das duas. – Está é Katherine. - Apoiou as mãos no braço da de longos cabelos brancos. – Prazer! Você é realmente muito bonita, tirando o olhar triste. - A morena sorriu para a moça. – O-obrigada. - Sorriu Katherine sem jeito. – Você acredito ser a futura esposa do Harry. - Betty encarou detalhe por detalhe da moça de longos fios lisos e negros. Anne corou imediatamente, colocando os fios atrás da orelha. – Você é realmente linda também... Exatamente o tipo de mulher que ele gosta. - Apoiou a mão na cintura e a jovem pode sentir um pouco de ódio nas palavras dela. – Falando nisso, acredito que você saiba do sumiço desse irresponsável. - A matriarca olhava seria para a mulher. – Não tem com o que se preocupar, Harry dormiu todos esses dias na minha casa. Na realidade foi ele quem me trouxe. - Sorriu vitoriosa apoiando uma das mãos na cintura. – Não vou fazer mais perguntas, tenho medo das respostas que obterei... Ajude as meninas com suas roupas, temos o jantar de noivado de Katherine em breve. - Victoria se sentou. - Todo tipo de roupa para todo tipo de ocasião. – Entendo, ainda bem que vim preparada. - A de longos cabelos cacheados abriu a bolsa que carregava tirando revistas e mais revistas. – Ótimo, escolham tudo. - A mulher se levantou. As duas assentiram positivamente. Folheando as páginas da revista, Anne se encontrava distraída, não na revista mas sim em sua turbulenta cabeça. Harry era o prometido dela, não parecia legal ele dormir na casa de outra mulher, principalmente uma mulher tão bonita. Mas de certa forma a moça nem tinha direito de se sentir traída já que era tudo falso... Ela nunca mais havia falado com rapaz. Katherine se encontrava na poltrona do outro lado da sala, diferente da morena a moça tinha muito interesse em roupas. – Annabeth não é? - Beast se sentou ao lado da moça. – S-sim. - Disse tímida. – Você não transmite a confiança da esposa de um líder da máfia. - Sorria me olhando. – Estou me adaptando ainda... - Corou jogando os fios para o outro lado. – Você deve estar se perguntando do porque de seu noivo estar dormindo na minha casa, não é? - Cruzou as pernas com um sorriso vitorioso. – De fato tenho me questionado sobre... - Suspirou, fechando as pernas e apertando suas coxas uma contra a outra. – Bem, Harry é meu amante desde que atingiu a maioridade, ele come várias, mas no final da noite é sempre para minha cama que ele volta... - Sorriu de forma maldosa. - Eu sei que você não se importa, nem o quer, já que foi sequestrada para se casar com ele, e sinceramente ele não precisa disso. Então sejamos amiguinhas, você se recusa a casar com ele, eu arrumo um jeito de te tirar daqui. Anne olhou surpresa para a mulher, não esperava por isso. – Não sei, não quero viver fugindo da máfia. - A de longos cabelos negros suspirou. – O que eles te ofereceram para ficar? - Olhou curiosa para a mais nova. - Dinheiro? – Uma academia de dança. - A de pele pálida disse apertando os dedos no vestido rodado. – Eu dou dinheiro para uma academia de dança e mais alguns milhões para sumir do mapa. - Disse firme. Anne ficou realmente tentada a aceitar, mas era óbvio demais que tudo aquilo era um tipo de teste da máfia para saber sobre a lealdade dela. – Eu recuso. - Entregou a revista. - Irei utilizar o toilette, perdão. Se levantou rapidamente e seguiu até o banheiro, mas antes que chegasse em seu objetivo ouviu uma voz irritada vir do escritório. Ela se apoiou na porta para ouvir. – Não acredito na sua irresponsabilidade. - Era a voz do líder. – Não acredito no quão louco pode ser... Me forçar a um casamento? Você vive em 1800? - Era visivelmente uma voz familiar, um sotaque britânico puxado... Harry provavelmente. – Harry! Você precisa de uma família, você precisa criar responsabilidades, eu faço o que acho certo. - Jeremy dizia tentando reduzir o tom de voz. - Você tem que parar de viver da máfia e do seu status para luxúria... Começar a agir como um líder. – Eu nunca quis ser a merda do líder pai, eu quero liberdade... Eu já mato pela família, eu limpo, caço, fodo pela máfia... Eu não quero me casar, viver o resto da vida com uma mulher que não conheço. - Aumentava o tom de voz visivelmente irritado. – Deixa de ser um garoto mimado Harry. - Disse o líder entre os dentes. - Ou você se casa e segue como meu herdeiro, ou deixe sua arma e abandone essa família, perca seu nome, perca sua posição de privilégio e veremos quantas bucetas você come sem isso. O silêncio se instaurou por alguns segundos. – Senhorita? - Wolfram chamou a atenção da moça. Anne se ergueu afastando da porta, sorriu para o segurança. – Posso ajudá-la? - Olhou curioso. – Sim, eu não acho o banheiro. - Forçou um sorriso. Wolfram guiou a jovem moça até o banheiro e a indicou onde deveria caminhar para chegar a sala outra vez, como Sebastian se encontrava em casa o segurança devia servir a ele também. A moça tinha cada dia mais liberdade dentro daquele ambiente. Saiu do banheiro batendo as mãos no vestido, enquanto caminhava. Desatenta como de costume, trombou em alguém. – D-desculpe. - Falou erguendo o olhar e se deparando com o noivo. Não pode conter a surpresa no olhar e nem conteve o olhar de apreciação, ele era ainda mais belo de perto, principalmente estando com a expressão seria. – Tudo bem. - Olhou para a moça desfazendo a expressão. - Está perdida? Anne corou, não conseguia manter um diálogo com ele, de certo modo se sentia m*l por toda a situação. – A-acho que sim. - Apertava os dedos contra o vestido. Harry soltou o ar das narinas dando um sútil sorriso. - Onde você pretendia chegar? – Na sala... Não sei em qual delas mais. - Colocou os fios atrás da orelha. – Acredito ser a de visitas, com a senhora Betty... Não seria? - Olhou para moça deitando a cabeça em busca de ver sua expressão. – Sim. - Corou ainda mais a pobrezinha. O moreno tinha uma presença marcante, ele se impunha e isso qualquer um poderia sentir, a postura fina, o jeito sútil mas ao mesmo tempo imponente, qualquer mulher em sã consequências abriria as pernas para ele, e Anne tinha certeza que um status, uma posição ou não, jamais mudaria o efeito que ele causa nas pessoas. – Seremos casados em breve, entao porque não te acompanho até seu destino? - O mafioso deu seu braço para que a moça segurasse. Isso significava que ele não iria embora? Que se casaria pelo status na máfia e na empresa de fachada? Ninguém poderia saber, mas a pobre garota queria porque queria ter ouvido o fim da discussão. Anne segurou no braço do homem e seguiu com ele pelo caminho. Acho que ambos não sabiam o que dizer durante aquele breve caminho até a sala, então um tortuoso silêncio se instaurou. Harry abriu a porta para que a noiva entrasse, e todas as mulheres ali presentes ergueram seus olhares para ele. – Boa tarde senhoritas. - Disse de forma doce. – Boa tarde senhor Harry Wright. - Katherine se aproximou estendendo a mão para o rapaz. O moreno beijou a mão da moça. Anne se soltou do noivo e caminhou até o sofá. O britânico por sua vez seguiu até Betty com um largo sorriso. – Não precisa me cumprimentar, já fez. - Disse sorrindo – Faço outra vez, para manter meus modos. - Se inclinou beijando a mão da bela mulher. Victoria por sua vez revirava os olhos para o filho. – Algum problema? - O filho se aproximou abraçando forte a mãe e a beijando o rosto. – Você sabe que sim. - Disse irritada, mas não continha o sorriso, ao sentir o filho iniciando as cócegas nela. - Para com isso. - Ria do jovem empurrando suas mãos. – Tudo bem. Deixarei as senhoritas com suas compras. - Acenou para as mulheres e beijou o rosto de sua noiva que corou como um tomate. - Até logo. - Saiu da sala fechando a porta atrás de si. Suspirou e seguiu em direção ao seu quarto, que agora era dividido. Entrou no aposento soltando um longo suspiro de frustração. Abriu o notebook para checar alguns emails, colocou uma música clássica, se livrou do blazer subiu as mangas da camisa social até os cotovelos, retirou as luvas, pegou um bom livro e sentou-se diante da escrivaninha, apoiou os pés na mesa. As batidas na porta do quarto atraíram a atenção do rapaz. – Entre. - Disse olhando em direção a porta. Wolfram entrou cuidadosamente no quarto, trazia consigo um bandeja com um lanche para o homem, colocou na escrivaninha ao lado dele. – Meu velho amigo, me diga o que fazer em uma situação como essa... Um casamento forçado, esse caos inerente que foi instaurado na minha vida. - O moreno deitava a cabeça para trás olhando o funcionário. – Eu entendo, mas acho que o senhor tem se limitado. Eu tenho cuidado da senhorita Anne a alguns dias, e acredito que ela seria uma esposa perfeita para o senhor. - O homem disse tranquilo. Harry o olhou incrédulo, era diferente ouvir aquelas palavras saindo daquela boca em especial, Wolfram foi um dos responsáveis por ajudar a criar o rapaz, então junto da mãe ele provavelmente era quem o conhecia melhor. – Você acha? - Girou a cadeira pra o empregado. – Sim, Senhorita tem se mostrado muito doce e gentil, além de bela... Você deveria se esforçar para conhecê-la. Se algo não for do seu agrado, quando liderar a máfia pode se divorciar, já será o líder de qualquer forma. - Moveu os ombros olhando para o jovem. O britânico sorriu, ergueu as sobrancelhas e se levantou. - É isso Wolfram... Como não pensei nisso antes. – Mas pelo menos tente, pela pobre garota. - Olhou com ternura para o rapaz. – Ok, tentarei... Para agradar a todos, ela me parece interessante de certa forma, mas como vou me aproximar? - Olhou curioso para o segurança. – Bem a senhorita Annabeth tem reclamado de solidão... - Wolfram disse com um sútil sorriso. - E tem dito o quanto gosta de gatos... Harry sorriu olhando para o outro. - Obrigado, velho amigo. – Por nada mestre. - Saiu pela porta a fechando com cuidado. O moreno suspirou apoiando uma das mãos na testa. Não custava nada se esforçar para conhecê-la e ter um bom relacionamento até que ele fosse o líder.
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