Damian Hernandez, conhecido como Capo, cresceu nas ruas, desde cedo admirando os traficantes que dominavam seu mundo com poder e dinheiro. Com apenas quinze anos, ele já era considerado um prodígio pelos grandes nomes do crime. Seu talento natural para o tráfico, sua frieza e inteligência estratégica o tornaram uma lenda. Ao crescer, Damian consolidou seu império, e agora era o maior traficante do México, temido e respeitado por todos.
Capo encarou Guto com um olhar frio, mas curioso. Ele já havia ouvido muitas propostas imorais em sua vida, mas a oferta de Guto parecia particularmente repugnante. Com a sobrancelha levemente arqueada, ele repetiu a pergunta, com uma voz carregada de incredulidade:
— Você está me sugerindo levar sua própria irmã em troca da sua dívida? — Capo perguntou, cada palavra dita com um tom grave, como se testasse a coragem de Guto.
Guto, porém, não hesitou. Ele sorriu, aquele sorriso desprovido de qualquer moralidade, frio como gelo.
— Ela pode te render um bom dinheiro — respondeu Guto, como se estivesse discutindo algo comum. — Sabe, ela é virgem. Isso pode valer muito mais do que eu te devo.
A sala ficou em silêncio por alguns segundos. Reina, que até então m*l conseguia respirar, sentiu o chão sumir sob seus pés. O choque e a dor de ouvir seu próprio irmão negociá-la como se fosse uma mercadoria a esmagaram. O coração dela batia tão forte que ela sentia como se fosse desmaiar. Como ele podia fazer isso? Como podia ser tão c***l?
Capo se aproximou de Guto, o semblante impassível. Ele parecia estar considerando a proposta, como se ponderasse o valor de algo que não tinha preço.
— Interessante — murmurou, seus olhos escuros cravados em Guto, avaliando a vileza do homem à sua frente.
Reina tremia no chão, sem forças para reagir. Cada palavra que Guto proferia era um golpe. Ela m*l conseguia processar o que estava acontecendo. A ideia de ser vendida, tratada como uma mercadoria, a aterrorizava de uma forma que ela nunca imaginou possível.
— Eu sempre gosto de testar os limites das pessoas — continuou Capo, sua voz carregada de maldade.
Reina não conseguia se mover. Suas pernas pareciam enraizadas no chão frio da pequena sala, enquanto sua mente tentava processar o absurdo que acabara de acontecer. O ar ficou pesado, cada respiração difícil, como se o próprio ar tivesse sido roubado. Capo aceitou a proposta de Guto sem pensar duas vezes. O irmão, aquele que deveria cuidar dela, protegê-la, simplesmente a entregou como se fosse um objeto. Ela, sua própria irmã.
O homem que agora a possuía em troca de uma dívida era conhecido por sua frieza e crueldade, alguém que não se importava em esmagar qualquer obstáculo em seu caminho. Capo não via pessoas, ele via oportunidades, e para ele, Reina era apenas mais uma dessas oportunidades.
A mente de Reina girava, buscando algum fio de realidade. Seu peito subia e descia rapidamente, e o silêncio que tomou conta da sala parecia um grito de desespero preso em sua garganta. “Como isso pode estar acontecendo?”, ela pensava, tentando encontrar uma saída. Mas a realidade era implacável: Guto, sua única família, acabara de traí-la da maneira mais vil possível. Ele a tinha vendido como se fosse um simples objeto, sem valor humano, sem remorso.
Capo a olhou de cima a baixo, seu semblante inexpressivo, mas seus olhos, escuros como a noite, carregavam uma frieza. Ele não a via como uma pessoa, isso estava claro. Reina era apenas mais um bem, um pagamento, uma dívida quitada.
— Pronto, o negócio está feito — disse Guto, com um sorriso arrogante, como se tivesse conseguido o acordo da vida. Ele olhou para Capo, esperando uma confirmação, uma garantia de que sua dívida seria perdoada.
Capo deu um passo à frente, cruzando os braços enquanto observava a interação. Ele assentiu brevemente, seu olhar de desaprovação fixo em Guto.
— Você não vale nem metade do problema que me deu, mas... — Capo fez uma pausa, seus olhos se voltando para Reina — ...posso fazer bom uso dela. Ela vai me render o que você nunca seria capaz de pagar.
Reina sentiu o peso das palavras de Capo como um golpe. O futuro que a esperava era incerto e aterrorizante. Ela sabia que sua vida estava fora de suas mãos agora, entregue a um homem perigoso que a via como uma mercadoria valiosa. O coração dela batia acelerado, enquanto uma onda de pânico ameaçava tomar conta.
Guto sequer olhou para ela. Ele pegou o casaco e, sem um pingo de remorso, saiu da casa, deixando Reina para trás, nas mãos de um dos homens mais temidos do país. Seu irmão, aquele que deveria cuidar dela, proteger, havia sido o próprio carrasco.
— Vamos, temos um longo caminho pela frente — disse Capo, sua voz firme, quase um comando. Ele se aproximou de Reina, segurando-a pelo braço com força, como se já a estivesse reivindicando.
Reina não sabia para onde iria, o que seria de seu futuro. Ela queria gritar, implorar, mas as palavras não saíam. O terror a paralisava. Como ela havia chegado a esse ponto? Como Guto havia se tornado tão c***l? As lágrimas silenciosas desciam por seu rosto, mas ela sabia que não havia escapatória naquele momento.
O vento da hélice do helicóptero levantava poeira enquanto um dos homens de Capo acompanhava Reina até a aeronave. Seus passos eram hesitantes, pois, sem enxergar, ela sentia a incerteza em cada movimento, ainda tentando processar o caos que sua vida se tornara. O capanga a guiou com firmeza até o assento e a fez sentar, sem dizer uma palavra. Aquele seria o primeiro passo de sua nova realidade, uma realidade que ela não escolheu.
Enquanto Reina tentava controlar sua respiração e os pensamentos caóticos que atravessavam sua mente, o homem voltou até onde Capo estava, com uma expressão de dúvida no rosto. Ele olhou para o chefe, que permanecia impassível, observando tudo com seus olhos calculistas. Então, o homem arriscou perguntar:
— Chefe, ela é cega... — disse, a voz baixa, mas carregada de incerteza. — Tem certeza que fez um bom negócio? Que homem vai se interessar por ela?
Capo virou-se lentamente, seus olhos sombrios se fixando no subordinado. Ele permaneceu em silêncio por um momento, como se estivesse refletindo sobre a pergunta, mas logo um leve sorriso curvou seus lábios. Era um sorriso que não trazia calor, apenas frieza.
— A cegueira dela não diminui o valor que ela tem — respondeu Capo, a voz cortante. — Na verdade, talvez seja ainda mais interessante assim. O que faz uma pessoa valiosa não é apenas o que se vê por fora, mas o que pode ser explorado. E ela... — ele fez uma pausa, olhando de relance para o helicóptero onde Reina estava sentada, com as mãos trêmulas pousadas no colo — ...tem algo que muitos irão querer. Pode ser cega, mas isso não a torna menos útil para mim.
O homem tentou esconder a surpresa diante da resposta, mas o respeito e o medo que tinha por Capo o fizeram apenas assentir em silêncio. Sabia que questionar o chefe era uma má ideia, e claramente Capo enxergava algo em Reina que ele não conseguia ver.
Capo deu um último olhar para o helicóptero antes de seguir em direção à aeronave, a expressão inabalável. Para ele, Reina era um investimento, uma peça em seu jogo, e ele sabia jogar como ninguém.