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" A Princesa do Dono Do Morro"

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drama
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Sinopse

A Princesa do Dono do Morro

Ula sempre acreditou que sua vida seria simples: cuidar da mãe e da irmã, administrar o salão de beleza que construiu com muito esforço e deixar para trás os traumas de um passado que quase destruiu sua inocência. Reservada, forte e dona de um coração enorme, ela jamais imaginou chamar a atenção do homem mais temido da comunidade.

Dogão, o poderoso dono do morro, era conhecido por sua frieza, inteligência e por nunca misturar sentimentos com sua posição de chefe. Mas tudo muda quando conhece Ula. O que começa com encontros inesperados se transforma em um amor intenso, capaz de mudar completamente os dois.

Só que esse romance desperta a inveja de Suzana, uma mulher consumida pela obsessão e pelo ciúme. Disposta a tudo para atingir Dogão, ela arma uma emboscada, paga comparsas, tenta atrair Ula para uma viagem que terminaria em tragédia e, quando o plano fracassa, ordena um atentado dentro do salão de beleza. Ula é baleada ao proteger a própria mãe e a irmã, ficando entre a vida e a morte.

Enquanto luta para sobreviver, Dogão declara uma verdadeira guerra para descobrir quem está por trás do ataque. Ao lado de seus homens de confiança, Orelha e n***o, ele desmonta toda a conspiração, faz os culpados fugirem e aplica a sentença contra Suzana, deixando claro para todo o morro que mexer com a mulher do chefe tem consequências.

Mas o maior pesadelo de Ula ainda está vivo.

Davi, o ex-namorado que a traumatizou na adolescência, reaparece depois de anos, fazendo antigas feridas voltarem a sangrar. Pela primeira vez, Ula encontra coragem para revelar o segredo que guardou por quase uma década. Consumido pela dor e pela culpa de nunca ter sabido da verdade, Dogão promete que ninguém jamais voltará a tocar nela.

Entre perseguições, ataques, segredos do passado e a constante ameaça de novos inimigos, nasce uma história de amor intensa, onde proteção, lealdade e coragem caminham lado a lado.

Porque, naquele morro, todos aprenderam uma única regra:

Quem ousa tocar na princesa do dono do morro... assina a própria sentença.

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O salão da Ula era um dos poucos lugares do morro onde até os mais brabos baixavam a guarda. O respeito ali era automático. Ninguém fazia bagunça, ninguém levantava a voz. Era o espaço dela. Numa tarde quente, a porta abriu. Dogão entrou. Mais de dois metros de altura, moreno, forte, cheio de tatuagens, olhar pesado. Os dois homens da contenção ficaram do lado de fora, de vigia. Ula levantou os olhos e abriu um meio sorriso. — Oi, Dogão... Até que enfim apareceu. Deve tá todo travado de novo. Ele soltou um riso curto. — Tô mesmo. Ela apontou a cadeira. — Senta aí. Sem cerimônia, começou a lavar o cabelo dele. A água morna escorria enquanto ela massageava o couro cabeludo. — Esse corte de sempre? — É. Tu sabe qual eu gosto. Ela sorriu. — Sei. Minutos depois, terminou o degradê perfeito que ele fazia questão de manter. — Pronto. Agora bora pra sala. Dogão entrou na sala de massagem e deitou na maca. — Rapaz... só de deitar aqui já melhora. Ela passou óleo nas mãos e começou a trabalhar os ombros dele. Assim que pressionou um ponto perto da nuca... — Caralho... Ela riu. — Tá doendo? — Tá saindo até a alma. — Aguenta. As mãos dela desceram pelas costas largas, desfazendo os nós dos músculos. Dogão fechou os olhos. — Tu é a única pessoa que me vê vulnerável aqui dentro. Ela continuou a massagem, tranquila. — Porque aqui tu não é o chefe do morro. Aqui tu é meu cliente. Ele soltou um riso abafado. — Talvez seja por isso que eu gosto de vir. Ela encontrou outro ponto de tensão e pressionou. — Aí... — Eu falei... tu tava todo travado. — Parece que tu sabe exatamente onde tá doendo. Ula sorriu, concentrada no trabalho. — Sei, ué. É meu serviço. O importante é tu sair daqui relaxado... porque lá fora eu sei que o peso volta todo pra tu carregar. Dogão respirou fundo enquanto a tensão ia embora aos poucos. — Tu tem dom, garota. Ela apenas deu um sorriso discreto e continuou a massagem, sem imaginar que, mesmo sendo o homem mais temido do Alemão, Dogão saía daquele salão um pouco mais leve toda vez que passava pelas mãos dela. Ula continuou a massagem com a mesma calma de sempre, trabalhando os músculos do peitoral, dos ombros, do abdômen e das pernas, sempre com profissionalismo. A cada ponto de tensão que encontrava, ela diminuía a força devagar até sentir o músculo relaxar. Dogão soltou um suspiro comprido. — Caralho... agora sim. Ela deu um leve sorriso. — Falei que tu tava carregando o morro inteiro nas costas. Ele riu de canto. — E não tô? — Tá... mas teu corpo entrega antes de tu admitir. Ele balançou a cabeça, ainda de olhos fechados. — Impressionante... eu chego aqui quebrado e saio parecendo outro homem. — Esse é o objetivo. Ela terminou os últimos movimentos da massagem e pegou uma toalha para limpar o excesso de óleo das mãos dele. Dogão abriu os olhos e sorriu. — Ula... — Hum? — Tu devia cobrar o dobro. O serviço que tu faz vale cada centavo. Ela deu uma risada. — Se eu cobrar o dobro, tu para de vir. — Eu? Nem fudendo. Se precisar, eu pago até mais. Ela cruzou os braços, divertida. — Tá bom, chefe. Agora levanta daí antes que tu durma na minha maca. Ele riu, passou a mão no rosto e se levantou, sentindo o corpo muito mais leve do que quando tinha entrado no salão. Dogão terminou de vestir a camisa, ainda alongando os ombros. — Daqui a cinco dias eu volto. Ula sorriu enquanto organizava os frascos de óleo sobre a bancada. — Assim espero... cliente VIP não pode sumir. Ele deu uma risada de canto. — Cliente VIP? — Claro. Tu nunca falta no horário, não reclama do preço e ainda confia no meu trabalho. Quer mais VIP que isso? Dogão balançou a cabeça, divertido. — Então tá certo. Ela caminhou até a recepção. — Se continuar se acabando daquele jeito, daqui a cinco dias tu vai chegar todo travado de novo. — Provavelmente. Ela abriu a porta para ele. — Então eu te espero. Dogão parou por um segundo, olhou para ela e deu um leve sorriso, coisa rara de se ver. — Valeu, Ula. — Vai com Deus, chefe. Ele fez um aceno com a cabeça e saiu. Os homens que aguardavam do lado de fora imediatamente se posicionaram ao redor dele. Em poucos segundos, o chefe do Alemão já descia a viela cercado pela segurança, enquanto Ula voltava para dentro do salão, sem imaginar que aqueles poucos minutos ali eram um dos raros momentos em que Dogão conseguia esquecer, nem que fosse por um instante, o peso de comandar o morro.

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