Capítulo 11

1248 Palavras
O Sr. Petersson não demorou a redigir a petição de Elena nem a enviá-la a Walker.Cinco advogados entraram em sua sala e se alinharam. O que estava ao centro deu um passo à frente, estendendo o documento que tinha na mão. — É uma ação da Sra. Elena Olivier, que reivindica seus direitos como mãe da menina Eva Walker. Owen os olhou, confuso. O quê? Que mãe? Não reagiu. Os cinco advogados, parados diante dele, começaram a ficar nervosos; ele não se mexia, não dizia uma palavra, apenas os observava. Sua fama era conhecida, sobretudo por aqueles que ousavam entrar em confronto direto com ele. Owen nunca perdia. — A Sra. está disposta a resolver esta situação antes de chegar ao tribunal — continuou o advogado, diante do silêncio dele —. Acreditamos que seja a melhor forma de evitar conflitos maiores. De repente, Owen se levantou e fez um gesto para que o advogado deixasse o documento sobre sua mesa. O homem hesitou por um instante, mas finalmente, sob o olhar intenso de Owen, depositou o papel sobre o tampo. Depois, levantando a mão, Owen apontou a saída. Não disse uma única palavra. Eles foram embora com a mesma discrição com que haviam chegado, deixando para trás um silêncio pesado que tomou conta de todo o andar, como se todos estivessem esperando uma explosão iminente. Mas nada aconteceu. Nenhum som, nenhuma queixa: nada. Mesmo assim, o ambiente havia se transformado em um campo minado; todos pareciam andar na ponta dos pés, falando em sussurros, talvez para não perturbar o silêncio desconcertante que pairava atrás da porta da Diretoria Geral. Mas então Bob apareceu, como sempre: fazendo barulho, cumprimentando em voz alta e acenando para todos. Seguiu direto para o escritório do amigo, mas a secretária o interceptou antes. — Não sei se é uma boa hora — disse ela, em tom baixo. Aquilo era estranho. Por que ela falava daquele jeito? Instintivamente, ele olhou para a porta onde estava gravado o nome de Owen. — O que aconteceu? — perguntou Bob, ajustando-se ao mesmo tom. — Acabaram de sair cinco advogados de Petersson… trouxeram uma ação… em nome da Sra. Olivier. Meu Deus. O coração de Bob acelerou tanto ao ouvir o nome de Elena que sentiu que lhe subia à garganta. Meu Deus! Ela não só tinha voltado… tinha voltado para atormentá-lo, para humilhá-lo outra vez. Em vez de recuar, Bob entrou com ainda mais ímpeto, sem bater. Abriu a porta e encontrou Owen na mesma posição, com os olhos fixos na ação judicial. Nem sequer tinha ousado tocar no papel. — Owen — chamou Bob, com a voz mais baixa do que de costume. Ele levantou o olhar e sentou-se em sua cadeira. — O que aconteceu? O que aqueles caras queriam? — Isso — respondeu Owen, apontando o papel com o dedo. Bob se atreveu a pegá-lo, tirou o documento do envelope e começou a lê-lo. Owen não precisava fazê-lo; sabia exatamente o que estava ali. Era um “Olá, querido, como você está?” de Elena, uma declaração de que ela estava de volta à sua vida. Seu amigo precisou apenas olhar para ele por alguns segundos para entender o que estava acontecendo por dentro. Owen estava apavorado, paralisado pelo medo que lhe apertava o peito. E não era para menos: da noite para o dia, um fantasma do passado havia ressurgido. Mas não porque Elena quisesse ver Eva; isso era só uma desculpa. Owen sabia que o que realmente estava acontecendo era que aqueles sentimentos que ele acreditava terem sido enterrados estavam lutando para voltar à superfície. E se os deixasse sair, acabaria enredado nela outra vez. O olhar nublado, o gesto tenso da boca… Bob conhecia tudo aquilo bem demais. De repente, uma onda de desespero o tomou, adivinhando num instante o que Owen pretendia fazer. — Você pretende ir? — perguntou Bob, assustado —. Você realmente pretende ir? Não posso acreditar! — Ela enviou o documento de propósito, quer uma reunião com meus advogados. Por que não? Quer me humilhar de novo. — E mesmo assim você vai… Sério, Owen, quando é que você vai acabar com isso? — Terminei faz muito tempo. Mas não vou dar a ela o prazer de usar Eva nos joguinhos dela. — Não acredito que ela reapareceu depois de tantos anos, que teve a cara de p*u de voltar para fazer tudo isso… Que descaro. — Para ela tudo é um jogo, uma farsa. Sempre foi uma boa atriz. Deve querer mais dinheiro. — Não, ela não quer — sentenciou Bob com voz grave —. A empresa que o marido deixou vale milhões no mercado. Ela não voltou pelo dinheiro. Owen sabia. Bob tinha razão; qualquer outro homem teria simplesmente descartado tudo, sem se prestar às intenções dela. Ele não precisava ir àquela reunião, mas tinha que enfrentá-la e aceitar a luva que ela lhe havia lançado, numa clara declaração de batalha. Às vezes, quando estava sozinho, na escuridão dos próprios pensamentos, Owen ainda pensava em Elena, evocando os poucos momentos limpos que restavam. — Não vou deixar que ela chegue perto da minha filha. Se for preciso, vou subornar todos os juízes e advogados desta cidade. Bob negou com a cabeça lentamente. Sabia que tudo aquilo não passava de desculpas.Elena havia preparado o terreno, e Owen havia aceitado o início do jogo. No fundo, Owen só queria voltar a vê-la. Ele não admitiria nem para si mesmo, mas esse desejo o apavorava. Aquela mulher sempre o enfraquecera, sempre o manipulara como quisesse; exercia sobre ele uma espécie de feitiçaria sombria que o transformava em um boneco de pano. — Eu vou com você — decretou Bob, firme, sem deixar espaço para discussão. — Não é necessário, levarei a equipe jurídica. — Não me interessa com quem você vá; mesmo que vá com um exército inteiro, eu vou com você. E se tentar qualquer coisa além dessa reunião, juro que eu te mato ali mesmo. Owen esboçou um leve sorriso. Era grato à vida por ter um amigo como Bob. Um amigo que era seu irmão, seu cúmplice, padrinho de Eva e um ombro seguro onde chorar. Ele estava lá até para despedir a legião de secretárias quando Owen decidia que já era suficiente. Bob era o único que sabia o que acontecia naquele andar. Ele chegava com o cheque na mão para encerrar os acordos. Não porque Owen preferisse se esconder ou evitar a situação, mas porque Bob o poupava da humilhação de ouvir a chuva de insultos e grosserias das damas. Era sua forma de protegê-lo, garantindo que assinassem um contrato de confidencialidade antes de deixarem suas “funções”. Nem Owen sabia desse detalhe, jamais imaginaria. Bob não só o apoiava como amigo; também cuidava da sua reputação como empresário, da sua “virtude” social, na esperança de que um dia aparecesse uma mulher capaz de resgatá-lo, alguém que não fugisse por causa das suas aventuras ou da maneira como lidava com a dor e a desconfiança. Quantas vezes tentara apresentar alguém a ele, convencê-lo a abandonar aquela postura autodestrutiva com as mulheres, a se abrir novamente para a vida… E quantas vezes Owen recusara, até que Bob desistiu de insistir. Era o processo de Owen — turbulento, sufocante — mas era assim que ele lidava com a própria alma. Um dia tudo terminaria, mas com o retorno de Elena, esse dia havia se afastado ainda mais.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR