[NARRADO POR RAFAEL – ZONA DO CARREGAMENTO, DIA QUENTE E PODRE] O caminhão encostou com meia hora de atraso. Eu já tava com o cigarro colado na boca e a paciência em cacos. Desci da van sem falar. Os moleques abriram espaço. Sentiram no ar. Hoje o chefe quer sangue. Gustavo veio atrás, calado. Inteligente. Não era hora pra gracinha. Era hora de saber quem ia sair andando… e quem ia sair no plástico. A carga veio pesada: fuzil, munição, pó de primeira. Mas um dos pacotes tava m*l lacrado. RAFAEL (chutando a caixa): — Quem embalou isso aqui? Ninguém respondeu. RAFAEL: — Perguntei quem foi o filho da p**a que embala minha carga como se fosse pão doce. Um moleque levantou a mão, tremendo. RAFAEL: — Qual teu nome? MOLEQUE (baixo): — Valtinho... RAFAEL (encarando): — Tu tr

