Keira
Foi como jogar um balde de gelo em cima de mim, ele abaixou-me devagar e colocou-me no chão, não olhou nos meus olhos e eu não sabia se era eu ou ele que estava a tremer, mas ele ajeitou as minhas roupas, o meu corpo tremeu com lembranças indesejadas, era como se meu corpo o repelisse naturalmente, Ibrahim hesitou por um instante e depois saiu do cômodo antes que chegasse a uma conclusão a respeito da sua rejeição ou da minha, ele fez isso mesmo?
Estava mortalmente furiosa.
Havia a vergonha a frustração, havia deixado ele saber, ver o que eu sentia, eu deixei-o saber de tudo, sentia tantas coisas em simultâneo, mas a raiva, a raiva ainda dominava os meus sentidos, quando estava prestes a queimar e destruir aquela dispensa, ouvi o rangido da porta se abrindo novamente.
Ibrahim havia voltado.
Não sabia se ficava aliviada ou ainda mais furiosa, e quando a porta se abriu completamente, arfei.
Não era Ibrahim, era ninguém menos que Aina.
— O que está fazendo… - Comecei, mas ela aproximou-se e me encurralou como o seu irmão havia feito há poucos minutos, os seus olhos estavam brilhantes e maliciosos.
— Deixe-me ajudá-la com isso.
Isso? Do que ela estava falando? Fiquei zonza.
-Aina!?
Gritei quando ela deslizou suavemente ao chão e ajoelhou-se à minha frente, o seu rosto rente a minha pelve, ela encarou-me, os olhos suplicantes…
Aina estava ajoelhada, a princesa herdeira, a futura rainha de Solarian estava ajoelhada aos meus pés e eu sabia o que ela queria, eu não devia, mas senti-me poderosa ao vê-la diante de mim daquela forma, mas não foi por frustração que abaixei as mãos e ergui o vestido, meu rosto queimava e a minha i********e pulsou quando me expus a ela, foi simplesmente o desejo e a aceitação que ordenaram aquilo, eu não me encolhi quando ela me tocou, não lembrei de coisas ou sensações ruins, era apenas nós e o desejo carnal e desenfreado que foi desperto em mim, uma fera adormecida que estava faminta.
Ela afastou com brutalidade o tecido translúcido, passou a língua nos lábios como se estivesse sedenta, o meu coração falhou quando vi a protuberância dos seus caninos expostos, ela aproximou-se e então… me beijou. Tão suavemente que chegou a doer.
Ela começou a depositar beijos delicados, as suas mãos cravaram-se nos meus quadris me mantendo no lugar e ela rosnou.
—Você o marcou? — Rosnou irritada esfregando o rosto na minha pelve. - Devo marcá-la e reivindicá-la num duelo?
Pelos Deuses, não.
Não queria isso, mas estaria mentindo se dissesse que a ideia de ter os dois duelando por mim não alimentava a minha vaidade recém-descoberta e seria hipocrisia se dissesse a mim mesma que não a queria nesse momento. Contudo, eu não era um prêmio para ser disputado entre eles, a escolha era minha, a escolha sempre seria minha e não deixaria ninguém tirar isso de mim.
— Não e não. - Disse simplesmente, ela ergueu o rosto e pareceu compreender todas as palavras não ditas.
— Que seja, então deixe-me fazer o que faço de melhor…
Não sabia a que ela se referia, mas quando assenti e ela mergulhou entre as minhas pernas, descobri.
Apoiei a minha mão em sua cabeça quando a sua boca atacou-me, um pequeno gemido escapou, aquilo de alguma forma incendiou Aina, ela capturou a minha perna e a colocou nos seus ombros esguios enquanto mergulhava mais profundamente, me lambendo tão maliciosamente que arfei e o meu rosto ficou quente de vergonha.
Os lábios me sugavam com voracidade, senti a protuberância das garras dela se cravarem em meu quadril, quase rasgando minha pele enquanto sua boca ardilosa me devorava.
Suas mãos subiram para minha cintura, me guiando contra a sua boca enquanto segurava sua cabeça com mais afinco, Aina fazia ruídos tão primitivos, era difícil processar os movimentos da sua língua, dos seus lábios, suas garras, ela me devorava tão incondicionalmente, a sensação foi a mais extraordinária que já havia experimentado.
E quando sua língua deslizou para dentro de mim, as minhas próprias garras projetaram-se para fora e só tive tempo de descer a mão para o ombro de Aina, ainda assim a arranhei severamente enquanto com a outra mão eu perfurava a madeira da prateleira acima da minha cabeça para tentar dar vazão aquele descontrole, tentando agarrar-me a algo sólido, algo que me mantivesse no meu próprio corpo.
Aquela língua profana se retesou e quando me penetrou novamente, arqueei o corpo me afastando das prateleiras, quando o clímax me assolou, a sua língua continuou se impulsionando para dentro de mim, tantas malditas vezes, as suas garras afundaram-se na minha pele e urrei, alcancei o ápice novamente.
-Aina! - Vociferei rouca, precisava parar agora ou eu iria colapsar.
Mas Aina não parou, continuou a avançar impiedosamente, me devorando, de novo e de novo, até que as minhas pernas falharam e ela segurou-me para me impedir de cair, mas permitiu que eu deslizasse lentamente até o seu colo.
Ela permaneceu de joelhos e acolheu-me, tremores sacudiam o meu corpo, percebi que ela me encarava corada e com os lábios úmidos, a minha excitação que ela havia provado e devorado como um animal faminto, ela me deu um sorriso lento e satisfeito, e quando ergui a mão para tocá-la, ela segurou o meu pulso com firmeza.
-Não.
Franzi o cenho confusa, mágoa e vergonha começavam a se formar em mim novamente, qual era o problema desses dois? Ela beijou a minha mão, uma tentativa falha de suavizar a recusa.
— Não posso. Se permitisse o seu toque não poderia evitar um duelo com o meu irmão, mesmo contra a sua vontade, e se duelarmos, nenhum de nós irá parar até que o outro esteja morto, entende?
-Por quê?
Por que ela fez isso comigo apenas para me rejeitar depois? Não entendia, merda, não entendia nenhum dos dois! Ela parecia compreender a minha confusão ao apoiar-me gentilmente no chão ajeitando a minha roupa.
— Queria prová-la ao menos uma vez, e o seu gosto… ele é melhor que nos meus sonhos. Obrigada, por deixar-me fazer isso.
-Aina? — Protestei quando ela se levantou. Precisávamos conversar sobre o que aconteceu, ela devia ficar ao menos um pouco.
— Não se sinta m*l por mim, estou feliz e satisfeita, não preciso de nada.
Não consegui me mover, não consegui acionar os músculos e tendões necessários para isso, o meu cérebro nem conseguia acionar as sinapses necessárias para obrigarem o meu corpo a funcionar e observei chocada Aina recuar o corpo para longe de mim e ir para a porta.
— Você não me deve nada, espere um pouco antes de sair.
Ibrahim
Tentava me acalmar ao entornar o quinto copo de conhaque recostado à janela, tentava esquecer o cheiro da excitação dela que ainda estava impregnado no meu corpo, na minha roupa, p***a, eu precisava trocar de roupa, mas tinha impressão que mesmo que trocasse de pele, o seu cheiro ainda estaria em mim.
Tentava e falhava miseravelmente, como vinha a falhar há meses em tentar conter os pensamentos sujos que tinha a respeito da herdeira de Caelestis.
Era imoral.
Não devia pensar nela assim, era jovem demais, inexperiente demais e importante demais, e havia passado por muitas coisas, ao menos era o que parecia, nunca esqueci o olhar de pânico que vi naquele dia na margem do lago, havia visto algo parecido no primeiro dia quando Liam se aproximou dela, mas não chegou nem perto daquele dia, ali ela parecia um animal acuado e prestes a fazer algo desesperado.
Algo havia acontecido, queria exigir o nome do maldito que a tinha machucado, eu o desmembraria lentamente, mas não podia fazer isso, não tinha o direito de fazer isso.
Aquela noção vaga e persistente de proteção era a mesma que me impedia de ceder aos meus desejos agora, mesmo quando cada fibra do meu ser urrava em protesto a cada vez que me afastava dela.
O cheiro estava mais forte agora, no entanto... estremeci.
Devagar, me virei para trás e a vi.
Aina m*l se movia, estava parada no pórtico, os cabelos um tanto quanto mais desgrenhados que o normal, o rosto impassível, a expressão arrogante de sempre, atrás dela Keira grunhiu um palavrão, quando o cheiro de Aina me atingiu em totalidade, um rosnado baixo e c***l deixou todos imóveis, a sala ficou em silêncio, ela estava banhada com o cheiro dela, a minha irmã estava imersa no cheiro da fêmea que eu queria.
Os olhos azuis-cinzentos arregalaram-se, depois se agitaram em pânico ao olhar para Aina quando ela notou que eu havia sentido o cheiro dela, delas, Keira deu apenas um passo à frente, momentos antes de chocar-me furiosamente contra Aina e derrubá-la do outro lado do corredor, as garras à mostra, prontas para dilacerar e despedaçar, mas ela não revidou, apenas se defendia.
Ira se acumulou no meu estômago, Keira tentava separar-nos inutilmente, estávamos ambos parcialmente nas nossas formas bestiais.
-Parem! Parem com essa loucura!
Vasos caíram e estilhaçaram-se no chão, o castelo estremeceu quando arremessei Aina através das paredes, ela levantou-se e para minha surpresa, sorriu.
— Está irritado por eu avançar, quando você nobremente, recuou?
A ergui pelo pescoço, Keira ainda tentava me fazer soltar Aina quando a encarei.
— Você... – Grunhi, m*l contendo o meu impulso para matá-la. -Você é uma v***a do c*****o, quer apenas usá-la!
- E você? Acha que é mais nobre rejeitá-la apenas por que tem medo de assumir o que sente? Continua a ser um covarde, se quer algo deve esticar a mão e pegar e se não tem essa coragem, não é digno!
— Parem já com isso!
Keira berrou batendo o pé no chão, um impulso de magia jogou corpos para todos os lados libertando Aina de meu agarre, escuridão queimava nos seus olhos, congelei no lugar, ela encarava-nos furiosa, parecia um ser de outro mundo, respirando com dificuldade.
Amondiel surgiu ao seu lado e soube que estava tentando falar com ela, Keira apenas nos encarava, uma criatura atemporal, fria e c***l, como se ponderasse o valor das nossas vidas, como se fosse nos incinerar e nos apagar do mundo.
Uma existência de outro mundo, era o que ela era, sombras a contornaram e se mesclaram com calor e não soube dizer o que era chama e o que eram sombras, tudo ficou frio e quente ao mesmo tempo, como se ela pudesse nos congelar e nos queimar simultaneamente, aquilo... aquilo era impossível, tanto poder, todos se encolheram, até mesmo Aina, isso era mau, atrairia ela…
Chamas e sombras pareciam consumir a Caelestiana, e envolveram Amondiel, o ar estava tenso, parecia até mesmo venenoso.
— Não sou uma corda para puxarem num cabo de guerra. – disse com uma voz impiedosa.
Ela era como uma lâmina recém-forjada, capaz de cortar até mesmo pensamentos.
Keira tombou a cabeça de lado, uma loba avaliando a presa, era como se a própria morte estivesse a olhar para mim, algo parecido com o que aconteceu no lago, mas não recuei, não recuaria mais do que já havia feito.
-Minha senhorita, acalme-se. -Amondiel pediu tranquilamente.
— Não se esforcem tanto, o que garante que irei escolher apenas um de vocês? Talvez, não queira nem um, nem outro depois desse comportamento deplorável.
Um fogo gélido e interminável queimava nos olhos dela, a roupa fora consumida, o corpo estava nu e banhado em chamas e sombras que se enroscavam nela como serpentes feitas da mais densa escuridão, as chamas não queimavam Keira ou Amondiel, se esticasse a mão sabia que aquilo derreteria a minha carne e os meus ossos de uma só vez, mas aquelas chamas cobrindo o corpo pálido e cheio de curvas.
Machos em geral não escolhiam, eram escolhidos, mas quando lhes era permitido escolher, eles preferiam um corpo sensual a um rosto bonito.
A herdeira O’Donnell, possuía um maldito corpo voluptuoso e cheio de curvas, os quadris largos e s***s fartos, os lábios carnudos e bem delineados, a leve imperfeição dos dentes da frente um pouco proeminentes que ficavam ainda mais tentadores quando fincados naqueles lábios perfeitos... Keira parecia ter sido feita para a veneração das alcovas, em qualquer outra fêmea teria ignorado aquilo apenas para me sentir superior por resistir a tamanha tentação.
Mas naquela fêmea em específico, aquele fogo mortal que queimava nela parecia atiçar a minha própria magia, provocava e incitava de uma forma tão selvagem, que tinha que cerrar cada vez mais forte o pulso sobre aquele poder, o poder que poderia insinuar uma disputa ao trono, uma disputa que não queria, mas que a magia no meu sangue continuava a desafiar.
E com a morte diante de mim, a única coisa em que conseguia pensar era que ela era tentadora demais, até mesmo para os padrões das Maenads.
Ela aproximou-se de mim, os meus instintos de guerreiro rugiram para me afastar daquela criatura, aquela aura demoníaca e predatória, mas a minha magia sibilava para ir de encontro a ela e quando a princesa inclinou-se, praticamente rosnou no meu ouvido.
— Se voltar a desafiar Aina por conta de alguma territorialidade i****a, que devo ressaltar, não possui sobre mim… Irei arrancar o seu p*u com os meus dentes.
Suas presas roçaram na minha orelha e lutei contra o instinto que me mandava deitá-la naquele chão e montá-la, ela afastou-se e sorriu ao encarar-me, depois voltou com os caninos à mostra mordendo o meu pescoço, grunhi quando os senti perfurarem a minha pele, mas não a afastei.
Senti o seu sorriso quando a pressão da sua mordida suavizou, senti o sangue escorrer e ela lambeu meu pescoço onde suas presas perfuraram a minha pele, o meu corpo inteiro latejou, meu m****o endureceu e ela afastou-se.
—Você é meu.
Declarou vitoriosa, mas ela afastou-se, o que aquilo significava?
Keira estava me marcando, essa fêmea sádica e diabólica.
Ela marcou-me como dela, eu deveria ter feito isso antes? O meu sorriso tornou-se selvagem ao encará-la de volta, Aina estava congelada no lugar, pálida, percebi que tentava parecer indiferente, mas notei a tristeza nos seus olhos.
— O que está...
A rainha parou lívida ao entrar no recinto, olhos verdes e cristalinos se tornando gananciosos ao percorrerem o corpo de Keira, fiquei tenso e a puxei de lado ignorando o cheiro de carne queimada, os meus instintos estavam aflorados e aquilo facilmente poderia se tornar uma briga se a rainha declarasse Keira como uma ameaça a sua prole, e no momento, Keira ainda queria estripar-nos, os dois.
Aina colocou-se à frente, Amondiel rosnou e sussurrou algo para sua protegida que com esforço, notei pela veia saltada na sua fonte, abafou as chamas e as sombras densas. Sombras e fogo n***o… pelos Deuses, os rumores… ela dominava sombras.
Murmurei uma prece em agradecimento e joguei um manto em cima dela.
— Parece que passou do limite, Princesa Herdeira . –A rainha sorriu sombriamente e sibilou para a sua corte na maioria, nua. – Saiam.
Eles obedeceram, aliviado, puxei Keira para a saída.
-Princípe.
Chamou e revirei os olhos praguejando.
— Deixe a nossa convidada se recompor, você e a sua irmã ficam.
Empurrei Keira aos tropeços para fora e voltei-me para minha mãe.
A rainha fez uma cara de nojo ao inflar as narinas e olhar ao redor, mas seus olhos cravaram-se em mim e Aina, provavelmente sentindo o cheiro de Keira em nós dois.
— Achei que gostassem de compartilhar?
Seu sorriso se alargou, repulsivo e perverso.
Um dos que mais odiava, Aina ficou rígida, a nossa mãe indicou o sofá e sentamos lado a lado, em silêncio, esperando que aquela conversa odiosa terminasse logo, mas não estaríamos nunca preparados para o que ouvimos a seguir.
— Então, terei de escolher quem irá montá-la ou decidirão isso por si mesmos?
Fiquei lívido, Aina estava ainda pior, encarávamos a nossa mãe chocados, um véu de confusão baixou na minha mente e nada parecia adequado para expressar o quanto aquilo era sujo e absurdo. Diante do silêncio, ela continuou.
— Como quiserem, Aina, quero que convença o seu irmão a seduzir a princesa. Assim conseguiremos arranjar um casamento que renderá frutos.
-O quê!? -Aina protestou horrorizada.
— Sei como se sente, mas sufoque os seus sentimentos, notei que ela parece gostar mais de machos e Ibrahim não é nada m*l.
Pelos deuses, ela estava mesmo falando assim com os próprios filhos? Ela já havia tentado vender-me antes, mas isso...
— Não pode estar falando sério. — disse e a rainha encarou-me séria.
— Sim, estou. Sei que se acha incapaz, mas uma vez dentro dela um macho não poderá sair, ela não irá rejeitá-lo. No entanto, para uma taxa maior de sucesso, talvez devêssemos esperar pelo ciclo estral dela, o primeiro já ocorreu?
Empalideci, o meu estômago revirou-se e a bile subiu pela minha garganta.
Apertei o estofado, o tecido se rasgou sob a protuberância de minhas garras, nunca havia me sentido tão insultado, estavam planejando me usar como uma prostituta uma vez mais, pior, queriam se aproveitar de Keira num momento vulnerável e para quê? Apenas para conquistar as suas terras?
Eu não devia ter vindo para cá, Aina, para meu alívio, parecia tão enojada quanto eu.
— Sabe… quando éramos mais jovens, estávamos a treinar um dia no pátio, os membros da corte estavam presentes, a senhora lembra? -Aina perguntou distraidamente.
-De que isso importa? Houve muitos eventos desses, como poderia…
— Tínhamos uns 80 anos, venci todos os combates do dia, todos. - Estremeci quando Aina se levantou erguendo o queixo. - Todos os meus adversários estavam caídos ao meu redor, esperei por sua resposta, um aceno, um olhar… qualquer coisa que sinalizasse que estava satisfeita, ao menos um pouco. Mas você não sorriu, apenas me olhou com desprezo e ordenou um duelo contra Ibrahim.
Silêncio, silêncio doloroso e cheio de raiva.
— Naquele instante, descobri que você sabia que ele dormia comigo todas as noites, que me treinava antes do sol raiar e me ajudava a estudar, na esperança de ajudar a despertar meus dons, de me ajudar a ser notada não pelo que deveria ser, mas por quem eu definitivamente era.
O meu coração contraiu-se, ela devia se calar.
- Então, quando os guardas reais cercaram-nos, eu soube... — ela olhou-me com carinho. - Nós soubemos. Não sairíamos dali sem duelar, um vencedor teria de surgir daquela disputa suja e corrupta, aquela era a batalha pelo trono e você iria decidir quem seria o herdeiro. E não foi o fato da minha mãe estar me obrigando a duelar com meu irmão que me feriu, iria desistir, sabia? O que realmente me feriu, foi ver o olhar submisso no rosto de Ibrahim, foi vê-lo adotar aquele comportamento que odiava tanto, ele sabia que jamais seria o herdeiro, meu irmão fez isso, por mim. Ele fez por mim… a amaldiçoada que deveria ter morrido, a indigna e fraca Aina, Ibrahim sempre me amou.
Foi como ser atingido por um bloco de concreto, nunca demonstramos carinho um com o outro, mas era óbvio que nos amávamos. Então, o que significa tudo o que aconteceu hoje? Por que Aina foi atrás de Keira, por que fez o que fez se sabia o que eu sentia? Ela sabia que acontecia algo entre nós.
— Então, ordene o que quiser. Não serei sua marionete e não, não irei seduzir Keira ou manipular Ibrahim para fazer isso, se eles ficarem juntos será porque desejam isso, não irei interferir, mesmo que isso me rasgue por dentro, se ela o escolher, arranjarei uma forma de deixá-la ir.
Eu não deveria estar aqui, não devia ter escutado isso, não ousei me mexer, não estava confiante de controlar meus instintos, ela não podia saber que Keira me marcou, congelei no lugar ao sentir sua presença, olhei para a porta em pânico, ela estava ouvindo... me levantei.
-A onde pensa que vai!?
-Concordo com a princesa, irei me retirar.
Um pulso de magia inundou a sala.
-Eu não permito!
— Sim, irá permitir.
Aina sibilou, sua presença oprimindo a rainha, ela sentiu Keira também? Não hesitei e saí dali.
Keira
Uma mão larga cobriu minha boca e meu coração quase atravessou meu peito quando a figura imensa de Ibrahim cobriu minhas costas, em que momento ele saiu da sala?
Olhei para cima em pânico e com um dedo aos lábios ele me pediu silêncio, uma espiral de luz dourada abriu um buraco no mundo,o cheiro de terra molhada e de trigo fresco fez meu nariz coçar, meu estômago deu cambalhotas quando ele me puxou através daquela f***a, e com um passo estávamos à beira de uma cachoeira linda, a água parecia ouro líquido, cercada por um imenso campo de trigo dourado com uma mata exuberante bem acima da queda, as folhas eram marrons e alaranjadas era tudo tão… outonal, apesar de estarmos em pleno inverno.
— Acabamos de transirar?
Perguntei sem fôlego ao observar a paisagem, meu corpo clamando para que me afastasse dele, mas resisti, ele também não se afastou.
— Não lhe ensinaram que é errado escutar atrás da porta, princesa?
— Faltei a essa aula. - Disse mais irritada do que envergonhada. - Pelo visto você também.
— Sim, acabamos de transirar. — respondeu ignorando a minha provocação e mudando de assunto, mordi o lábio irritada por ter sido pega espiando.
— Por que me trouxe aqui?
— Não queria que visse a podridão desse reino, nem o quanto minha mãe é horrível.
— Está envergonhado?
— Sim... estou. Nunca senti isso. Mas me pareceu errado o jeito como lidamos com as coisas.
— Deixou Aina lá.
-Aina é a herdeira, sabe lidar com a rainha. Não precisa se preocupar.
O desprezo era palpável, mas eu sabia que ele também amava a irmã.
A imagem de um Ibrahim carinhoso, dormindo e ensinando a irmã me comoveu, e aquilo não devia, mas também me divertiu muito.
— Está irritado?
— Está mesmo perguntando isso depois de trepar com minha irmã?
-Não trepei com ela.
-Não?
— Apenas deixei que ela fizesse... coisas.
Ele afastou-se, o rosto contorcido de raiva e aquilo divertiu-me ainda mais.
— Deixei claro quem eu queria, isso não ameniza os fatos?
— Não, já que se serviu de banquete a Aina.
— Poderia ter sido depois escolhê-lo, não seria pior?
Ele agarrou-me com apenas uma mão, segurando firme no meu rosto, rosnando na minha cara, uma b***a enfurecida.
— Amaldiçoou os Deuses por fazerem-me desejar tanto uma criatura perversa como você.
— Pode continuar a amaldiçoar eles, mas lembre-se que cultuamos uma fêmea, acho que ela não se importaria muito - Disse ao me desenvencilhar do seu toque possessivo, eu precisava descobrir mais e só havia um jeito... a constatação daquilo me deixou nauseada, engoli a bile, ergui o manto e o joguei no chão. - Quer nadar?
Sugeri totalmente nua, observei o olhar de Ibrahim analisar inescrupulosamente cada parte de mim, os s***s firmes contra a brisa, o abdômem, e depois eles detiveram-se entre as minhas coxas, senti quando o seu cheiro ficou mais espesso e distinto, e******o, ele estava e******o e sem esperar por uma prova visual, dei as costas e mergulhei no lago dourado.
A água era suave, tão leve… era como mergulhar num lago feito de plumas, um barulho suave e abafado denunciou a sua pressa, me virei a tempo de vê-lo tirar as roupas, em seguida Ibrahim estava gloriosamente nu, tive apenas um vislumbre do seu corpo antes dele se curvar e mergulhar, em seguida ele surgiu na minha frente, pupilas dilatadas e faminto, adorei vê-lo assim, adorava vê-lo prestes a explodir, sedento e bestial, como nascera para ser, passara a gostar disso, tanto que me forcei a encará-lo quando o meu corpo pediu para desviar da intensidade daquele olhar.
Ele não me tocou.
-Você a quer?
Aina, ele ainda estava falando de Aina, um macho com ego ferido era deprimente.
— Quis hoje, durante e depois, mas ela recuou. Parece que apesar da fera dentro de vocês, ambos têm o hábito de fugirem como gazelas.
Ele grunhiu e passou a mão pelo cabelo molhado, olhou em volta trincando os dentes.
— Eu recuei e trepou com ela, ela recuou e agora irá trepar comigo?
— Se é uma tentativa de ofensa desista, você recuou. - Enfatizei ao nadar para mais perto dele. - Apenas deixei claro, se não você, será outro ou outra. Não ficarei deitada num divã esperando vossa alteza decidir se me quer ou não.
-Princesa…
— Posso avançar Ibrahim, a maior parte do caminho se quiser, mas terá de dar um passo em minha direção, ao menos um.
Um blefe miserável e mesquinho.
Esperei que ele fizesse algo, um gesto, uma aproximação, qualquer coisa, mas ele só ficou ali, me olhando.
Suspirei, estava decepcionada com minhas habilidades, não era muito boa em seduzir, nadei para longe e saí da água pensando em como poderia fazê-lo ceder, não olhei para trás, m*l havia alcançado a pilha de roupas quando ele me agarrou pelo pulso, molhado e furioso.
-Se afaste dela. Se me quer mesmo, se afaste de Aina.
— Não. — Ele grunhiu irritado. Ibrahim estava furioso e o meu sangue esquentou em resposta. — Pode grunhir o quanto quiser, não me assusta.
Uma frase errada, só me dei conta do que havia acontecido quando as minhas costas se chocaram contra uma árvore, as mãos cheias de garras prenderam meu pulso acima da cabeça, a madeira rangeu em protesto e meus ossos pareciam moles demais para resistir.
O meu peito subia e descia freneticamente roçando o de Ibrahim, ele estava tão descontrolado quanto eu e o pânico ameaçava me engolir, respirei fundo tentando me controlar para que o cheiro do meu medo não me denunciasse.
— Não me provoque. — rugiu e aquela vibração percorreu o meu corpo, que como maldito traidor que era, reagiu a ele, os meus s***s retesaram, meus pelos se arrepiaram e um pulsar solitário entre as minhas pernas acendeu-me. - Estou lutando há meses para não ceder aos seus caprichos, não estou recuando por que é fácil.
Aquilo irritou-me mais, de uma forma que não deveria e tive a certeza que havia perdido o controle quando me aproximei e sussurrei calmamente contra seus lábios.
-Covarde.
Tentei libertar-me, mas Ibrahim era uma massa sólida de músculos e não havia como escapar sem feri-lo, o empurrei e ele aprumou o aperto nas minhas mãos e beijou-me tão furiosamente que os meus lábios doeram e se abriram diante daquela exigência, rocei meu quadril contra o dele, ele gemeu em minha boca e as minhas costas arquearam, ele rosnou.
— Não quero ser usado. — Ele beijou-me novamente, duro, implacável e parou. — Também não quero que pense que estou usando você.
— Sei que não está. - Ofeguei e ele olhou-me, me obriguei a ficar calada, seria burrice revelar minhas habilidades de Legaere.
Ele soltou as minhas mãos, como se sentisse a minha resistência, estava quase se afastando quando segurei seu braço e o conduzi até a minha cintura, me inclinei para beijá-lo, ele afastou-se e o puxei com mais força, o beijei, ele segurou nos meus braços com força, em dúvida sobre me afastar ou ceder, até que o mordi e ele cedeu, me ergueu, me levou para o meio do campo de trigo e me deitou suavemente.
Era uma ravina tão macia, e o dourado daquele lugar combinava tanto com ele e contrastava tanto com a promessa de selvageria em seus olhos, mas ele hesitou novamente e prendi minhas pernas em seu tronco, ignorando meu próprio medo inclinei meu quadril, o seu m****o roçou o meio de minhas pernas e ele estremeceu.
-Princesa…
— Não pare. — Rosnei, rolei o meu quadril contra ele incitando-o, o príncipe tremia com o esforço em se conter. — Eu quero, e você também. E não há problema algum com isso.
Ele ainda hesitava e tremia, tremia tanto que parecia que iria se desfazer ali mesmo, não o soltei.
- Me tornei gananciosa, não seria sábio negar o que quero.
Imóvel, ele estava tão imóvel quanto uma pedra, então fiz a única coisa que ainda poderia fazer, firmei o aperto das minhas coxas e girei o montando, talvez houvesse uma parte dele que odiasse isso, mas talvez não, ainda não havia compreendido a magnitude ou o porquê da sua resistência, mas estava mostrando que o queria, poderia tentar invandir a mente dele durante o ato, apesar de não me achar capaz de me concentrar na tarefa agora.
Ele não se mexeu, exalou audivelmente e suas mãos descansaram ao lado do seu corpo, era como um cadáver sendo preparado para autopsia, aquilo era uma violação, meu estômago embrulhou, se ele não queria aquilo por que não estava resistindo como fez com aquela v***a de Hibaernis?
A frustração começou a se enroscar em meu estômago, lenta e progressivamente, quando estava prestes a sair de cima dele, Ibrahim desceu o olhar para baixo, para meus s***s, minha barriga, mais abaixo... e então seus olhos se acenderam com desejo e se concentraram ali, soube o que ele queria fazer, ele se ergueu sobre os cotovelos ficando cara a cara comigo, a mandíbula travada como se ele lutasse contra alguma coisa, rocei minha boca na dele, lambi a sua boca, ele rosnou, sorri.
— Odeio sentir o cheiro da minha irmã em você.
-Então, livre-me dele. -Sussurrei o provocando, ele ficou tenso, seus lábios se apertaram, mas não antes que visse de relance o limiar de suas presas. -Ouvi dizer que gatos são bons em usar a língua para limpeza.
-Não provoque, pode se arrepender. -grunhiu.
O encarei, ele não sabia com quem estava mexendo, devagar saí de cima dele e me deitei sobre a ravina o trazendo comigo, ele não hesitou dessa vez e mantive as pernas arqueadas, abertas para ele, uma oferta, não havia risos ou sorrisos, aquela era minha última tentativa e ele parecia saber disso.
Então, Ibrahim avançou sobre mim