Capítulo 13

5003 Palavras
Keira Já era dia quando abri os olhos, demorei a perceber que estava na enfermaria, o amanhecer brilhava através da janela e percebi que estava deitada de bruços, sem a parte de cima das roupas e algo gelado estava nas minhas costas, gelado e gelatinoso, estremeci. -Amon? - Chamei. Vi uma cabeça peluda se mover, devagar, Amondiel se ergueu no corpo humano e sentou-se ao meu lado. — Não se mova, ira derrubar o emplastro. — O que houve? — perguntei levemente rouca, ele acariciou as minhas costas. — Tem uma marca, bem aqui. — disse com dificuldade, estreitei os olhos. — Espere… irei mostrar. Mal abri a boca para perguntar como, ele mostrou uma visão, não uma visão completamente, parecia uma tela projetada ou um espelho com uma imagem das minhas costas nuas com um pedaço de material transparente e gosmento na altura da minha lombar, parecia babosa e por baixo dele, na minha pele havia um símbolo gravado com tinta n***a, tão n***a que parecia viva, a mesma tinta da Insígnia da diretora, o meu sangue gelou, estudei o símbolo, parecia… — É um símbolo celta? — perguntei incerta. Aquilo não parecia um brasão ou qualquer outro símbolo relacionado a Everness, pelo menos não vi nada do tipo nos livros que ja li e não foram poucos. Mas lembrava-me de ver símbolos parecidos em alguns livros de misticismo que li, livros que encontrei na Irlanda, na verdade, acho que vi até mesmo gravado em anéis nas joalherias que Violet visitava. — Acho que já vi isso antes… -Olhei mais atentamente para o símbolo. Havia três elementos: uma coroa, um coração e mãos unidas, o círculo era formado por braços que se uniam no centro e as mãos seguravam um coração coroado, franzi o cenho, o que significava aquilo? Como se tivesse lido a minha mente, Amon respondeu com punhos cerrados e dentes trincados. — É um claddagh. O meu corpo ficou tenso e empertiguei-me, não sabia o que era aquilo, mas diante da raiva dele, não deveria ser boa coisa. E pior, por que aquilo apareceu nas minhas costas de repente, aquilo não era certo, era como se tivessem tatuado o meu corpo sem a minha permissão, tentei lembrar se fiz algo para alguém, havia ofendido muitos, eu dissera o meu nome a eles? Não, não dissera a ninguém além de Amondiel e Arnold. A minha cabeça começou a girar trabalhando em uma hipótese mais absurda que a outra, senti Amon segurar a minha mão, ele acomodou-a entre as dele, ergui o olhar e percebi que estava tremendo. — A proteção do véu foi-se de vez. — começou devagar, como se estivesse falando como uma criança, ou com uma i****a. — Lembra que eu disse que sentia um cheiro a mais em você, pensei que fosse a Insígnia, mas não era isso. — Era essa coisa? — Sim, agora consigo sentir completamente. — E esse cheiro, é da pessoa que o colocou aí? - o meu sangue esquentou, a raiva banhou as minhas entranhas. — Pode achá-lo? — Minha senhorita, preste atenção. — Ele endireitou-se na cama para ficar a minha altura, os olhos azuis brilhantes encararam-me. — O Claddagh é um símbolo de amor, lealdade e amizade. O cheiro que sinto não é de quem colocou e sim daquele a quem está ligada. — E quem colocou isso aí!? -esbravejei, lágrimas arderam nos meus olhos, ele olhou-me com dor, aquilo o machucava também. — Foi sua mãe. — Uma voz grave respondeu. Esperei a dona daquela voz aparecer no meu campo de visão, quando a diretora surgiu na minha frente, as sobrancelhas estavam franzidas de um jeito que nunca havia visto, ela parecia muito irritada. — Ao que parece, minha aprendiz andou ocupada durante os últimos momentos de sua vida. (...) Não lembrava a última vez que havia desenhado, talvez durante o castigo que recebi antes da viagem de férias? O que eu havia desenhado mesmo? Lembro que era sobre um anime, um personagem talvez? Não importava mais, tanto tempo havia se passado, tantas coisas aconteceram. Segurei a caneta com mais força, o meu punho trabalhava avidamente nos últimos detalhes do Claddagh, um Claddagh ring, era como os irlandeses chamavam, um símbolo de compromisso mútuo. Tive vontade de rir, gostaria que o símbolo marcado nas minhas costas significasse isso, mas segundo a Sra. Alekseeva, ele era mais que isso, magia antiga e proibida, um feitiço que poucos conheciam e quando digo poucos, refiro-me a apenas uma pessoa, a Sra. Alekseeva, mas havia outra pessoa que sabia sobre isso, minha mãe morta. E fora ela quem violou o meu corpo, a minha própria mãe havia me marcado como se marca o gado, pelo menos foi o que a diretora disse, que a sensação é a de ser marcada com ferro quente, mas não só isso, o símbolo era um selo, um selo que me impedia de ser desleal com quem eu estava ligada, pior que isso, ele impedia-me de amar qualquer outra pessoa, além daquele com quem estava comprometida e não havia uma maneira existente de romper o selo, ou de anular o seu poder, era magia de sangue dissera ela, eu nem sabia o que significava, mas no meu vasto conhecimento sobre bruxas, magia de sangue era r**m, muito r**m. E nem queria ir a fundo para saber quem era a pessoa, aquilo era obsceno, deturpado e imoral. Um crime, a Sra. Alekseeva estava furiosa, ela não entendia os motivos da minha mãe fazer isso, mas quando perguntei se ela sabia a quem eu estava ligada ou se poderíamos descobrir isso de alguma forma, ela limitou-se a dizer que não havia o que fazer, que como os mortos não falam a informação estava perdida para sempre e me deu as costas, mais uma vez me deixando confusa e irritada com a falta de informação. Amon ergueu as orelhas, imediatamente senti um cheiro novo, grama fresca e terra molhada, era curioso o fato de eu ser capaz de identificar o cheiro dele, mais estranho ainda era saber que o cheiro pertencia a ele, já que era a primeira vez que o sentia, o meu corpo retesou-se tempo suficiente para ele saber que eu havia notado a sua presença, foi o que deduzi quando ele se fez ouvir pisando em pedras que poderia ter facilmente desviado para silenciar a sua presença. Uma sombra surgiu em cima do meu caderno, instantaneamente passei a rabiscar com mais força, quase rasgando o papel. — Posso falar com você? -Ibrahim disse timidamente, com uma cautela que nunca o vi usar com ninguém. — Não é o que está fazendo? — Perguntei friamente, não estava de bom humor. — Onde está? — Perguntou baixinho, percebi que era difícil para ele fazer aquilo. — Onde está o quê? — Perguntei em alto e bom-tom, parei de desenhar e ergui a cabeça, fazia dias que não via o seu rosto, queria estudá-lo, entendê-lo melhor e não sabia o motivo. Ele cerrou a mandíbula, parecia prestes a me socar, sentia a tensão emanando dele e podia apostar que a suas mãos estavam formigando de vontade de apertar o meu pescoço, mas ele não faria isso. — Aquela armadura foi a única coisa destinada a mim e só a mim... — O encarei impassível, ele cerrou os punhos e olhou para os lados, como se estivesse a cogitar implorar e não quisesse uma plateia. — É importante. Pousei a minha caneta com cuidado para não borrar o desenho, um ligeiro olhar para o lago e um sorriso, foi o bastante para tirar qualquer emoção ou cordialidade do seu rosto. O príncipe olhou para o lago, surpreendi-me pela ausência de rugidos, havia apenas tristeza e pesar no seu olhar vazio ao fitar o lago, mas ao se virar para mim, as sobrancelhas de Ibrahim se juntaram, suas narinas inflaram e os seus olhos ficaram selvagens. — Você é desprezível e patética. Sente-se vitoriosa? Pensa que fez justiça? As punições que recebeu são consequências das suas próprias ações, não aceitar isso só prova que é imatura, mimada e arrogante. Tem muito a aprender, sobre tudo, talvez tenha sido uma dádiva dos deuses que o seu reino pereceu, assim não teria de sofrer nas mãos de uma criatura mesquinha e perversa como você. Aquilo doeu. Doeu de uma forma estranha, nova. Sentia a raiva sanguinária e ondulante de Amon, não entendia por que aquilo doía, sabia que não era boa o bastante, sabia que ninguém diria aquelas palavras para ela, e não queria ouvir isso dele, dele não. Soltei uma risada amarga e perturbadora, até mesmo para os meus ouvidos, levantei-me da pedra — Algo mais? Ele continuou, inabalável. — Estaríamos melhor se estivesse realmente morta. O encarei, os seus olhos estavam sem vida, frios. — Boas férias, comandante. Desenvencilhei-me dele e caminhei a margem do lago em direção a escola, não o culpava pelo que tinha dito, no fundo, sabia que era tudo verdade, e talvez tenha sido isso que a fez decidir voltar ao lago aquela noite para uma última missão antes de ir visitar a casa de Aina e consequentemente a de Ibrahim. (...) Estava cansada de espantar-me com o esplendor do reino de Solarian, prova disso, era que os músculos do meu rosto estavam doloridos e protestavam a cada vez que tentava ficar boquiaberta, tamanha a variação de facetas de espanto que demonstrei desde que cheguei aqui. Aina havia organizado uma pequena reunião íntima com alguns membros da sua corte, aceitei participar apenas porque não queria aborrecê-la, mas nada poderia ter me preparado para o que me esperava em uma das salas do palácio da princesa herdeira, e mesmo com o rosto dolorido, uma careta abismada surgiu no meu rosto quando os guardas abriram as imensas portas duplas, o cheiro almiscarado de canela e outras especiarias invadiram o meu nariz e ele formigou em êxtase com a variedade de aromas. Tambores soavam, um som retumbante e cadenciado que fez cada músculo do meu corpo ter espasmos enquanto retesava e relaxava. Havia fêmeas e machos exuberantes espalhados pelo recinto, acompanhantes, percebi. Eles usavam vestes translúcidas semelhantes as que Aina e eu vestíamos, mas a graciosidade sensual com que eles se moviam, era espetacular, ritmicamente sem perder o compasso, os seus corpos bronzeados ondulando sensualmente roçando uns nos outros, aquilo aguçou algo profundo e primitivo dentro de mim, a pele deles brilhavam com algum tipo de óleo ou coisa parecida, eles pareciam tão convidativos, tão aparentemente livres e selvagens, uma orgia... aquilo era uma orgia. Pelos Deuses, onde foi que me meti? Aina, havia me dado uma palestra sobre a nossa descendência Bacante. Na mitologia grega, as Ménades também conhecidas como Bacantes, Tíades ou Bassárides, eram ninfas seguidoras e adoradoras do culto de Dioniso ou Baco, como era conhecido na mitologia romana. Elas eram conhecidas como selvagens e agitadas, agitadas do tipo ensandecidas, de quem não se conseguia extrair um mísero raciocínio claro. Durante o culto dançavam de uma maneira lasciva, em total concordância com as forças mais primitivas da natureza, e é aqui que as semelhanças começam a diferenciar, eu conhecia muitas histórias da mitologia grega, mas a verdadeira história das Maenads de Everness, a origem da sua sexualidade? Isso era inédito. Enquanto as Bacantes eram afetadas pelos mistérios que envolviam o Deus Dionísio: Pois ele provocava nelas um estado de êxtase absoluto, entregando-se à desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e auto flagelação. Mas o nosso Dionísio, era a magia. A magia era a fonte de êxtase e agonia das Maenads, em cada estação do ano ela mergulhava as Maenads em uma euforia desenfreada e ardente, muitas tinham essas necessidades tão profundas que era comum enlouquecerem e atacarem amigos, família… por isso o Liberum foi criado, de tempos em tempos, a cada mudança no calendário é realizado o Liberum, um Rito onde as Maenads dançam livre e lascivamente enquanto drenam a magia sobressalente do seu corpo para terra. Normalmente, as Bacantes eram representadas com cabelos desgrenhados entrelaçados de serpentes e vestidas com pele de veado, de raposa ou de pantera e tigre, com uma grinalda de hera e empunhando um “tirso”. No entanto, havia outra discrepância entre as Maenads de Everness e as bacantes gregas, nós não cultuamos um macho como Deus, éramos devotas a fêmeas e... mais importante de tudo, Maenads eram servidas e cultuadas por machos, não o contrário. A intensidade daquela verdade prendeu-me no lugar e impediu-me de dar um passo para dentro do cômodo, pois aquilo nunca fora exibido para mim de uma forma tão explícita, já que na escola a política da igualdade e da inclusão eram muito bem trabalhadas e praticadas, percebendo a minha hesitação Aina segurou na minha mão e sorriu docemente. — Não a tocarão se não quiser, todos que estão aqui compartilham do mesmo desejo, Keira. -E que desejo é esse? Ela olhou-me de cima a baixo e os seus olhos brilharam quando ela respondeu. — A descoberta, todos aqui são jovens em busca de saber o que gostam, como gostam e a intensidade disso. Achei que seria bom para você descobrir também, já que disse que não sabia, mas se for demais podemos fazer outra coisa… -Não. A interrompi e ela encarou-me quando dei um passo adiante, movida por extrema curiosidade. — Quero tentar. -Venha. Chamou e tentei não pensar bobagens ao notar a rouquidão na sua voz, para minha surpresa, Mei estava cercada por uma fêmea e um macho e o meu rosto esquentou ao ver que a fêmea a beijava com tanta volúpia, que fez o ambiente ao meu redor esquentar, o macho estava ajoelhado aos seus pés, massageando sua perna com algum óleo e não tive coragem de aproximar-me, não quando os meus s***s enrijeceram ao ver onde o pé de Mei acariciava, a protuberância entre as pernas do macho crescia a cada deslizar, o meu corpo palpitou com o sorriso faminto que ele lhe deu, e ela respondeu flexionando os dedos dos pés ao redor do seu m****o, pelos Deuses, pelos malditos Deuses. Estava excitada, pela primeira vez na vida estava excitada, e nem fazia nada além de observar. Como isso era possível? Um pulsar suave surgiu entre as minhas pernas e transformou-se num latejar constante e delicioso que me fez continuar a assistir Mei com aqueles dois, com aquelas duas criaturas de gêneros diferentes, a servindo e adorando, imaginei-me no lugar dela, mas ao meu redor teria dois machos, os meus joelhos falharam e senti alguém nas minhas costas. — Vê como ela gosta disso? — Assenti, surpresa ao ouvir a voz de Aina no meu ouvido. — Eles a veem como uma fêmea, não como uma princesa, aqui só há fêmeas e machos interessados em satisfazer as suas vontades mais primitivas. — Também gosta dos dois? Perguntei olhando para a fêmea e o macho que agora se alternavam para beijar e lamber Mei. — Gosto de pessoas, a intensidade varia conforme o meu humor. — Isso é... certo? — Perguntei-me referindo a Mei e os dois que estavam a adorando com as bocas e mãos. — Quer dizer, você não deveria gostar de uma coisa só e ser fiel àquilo? — Não há certo e errado. Há apenas o desejo, o que está disposta a fazer e o que está disposta a deixarem fazer com você, quem fará isso? É uma decisão que cabe a você, sexo não é sobrevivência, mas uma vivência. É uma via bilateral, dar e receber, tomar e receber. — E se não gostarem de mim? E se descobrir que não gosto e quiser parar? — Aí você para, é assim que tem que ser. Consentimento é tudo, ou você o tem, ou não tem, simples assim. -Parece fácil. — Nós conseguimos sentir o cheiro da excitação de um parceiro ou parceira, mesmo estando excitada se disser não, eles irão parar, porque não está completamente naquilo, isso é o que qualquer criatura decente fará, o prazer está na caça, em tentá-la e convencê-la a ceder, mas apenas se quiser fazer isso, afinal, se não quiser, não será uma vitória completa não é? O cheiro denuncia tudo. Ela mostrou-me um sorriso afiado, e vi um vislumbre da predadora que habitava a pele de Aina, sorri quando ela me estendeu uma taça de vinho. — Ainda tenho 17 anos, você sabe, não é? — Tecnicamente, segundo a lei dos Homines, você é uma cidadã liberta e pode exercer os seus direitos e deveres civis, então acredito que também tem direito de beber e trepar o quanto quiser. -A moral e a ética discordam. — A moral e a ética morreram de tédio, já temos responsabilidades demais e não a traria aqui se não soubesse que daria conta, já lidou com coisas piores. Peguei a taça e bebi um gole, a bebida era fantástica, a minha língua formigou com a leve doçura borbulhante do vinho, uma lufada de calor banhou o meu corpo e sentei-me num sofá vermelho com a princesa ao meu lado. Era curioso como Aina havia me feito ficar a vontade com o meu corpo, não que tenha sanado completamente a minha insegurança, mas ela ensinou-me um princípio, eu poderia estar praticamente nua, -de fato, o vestido translúcido que usava deixava pouco à imaginação - mas se dissesse “Não” ninguém me tocaria, e se alguém insistisse, sabia o suficiente sobre combate para quebrar o braço do t**o, e se insistisse, o pescoço se tornaria mais atraente. Eu nunca pensei que ficaria novamente a vontade em meio a uma multidão, isso era… interessante. Mas violência não seria necessário aqui, em todo o caso, Aina começou a ensinar-me a discernir os cheiros e não havia nada além de excitação no ar, excitação e consentimento, talvez tenha me inebriado com isso, mas captei a sua presença antes que ele entrasse na sala e quando olhei para a porta, ela abriu-se e lá estava ele. Imponente, bronzeado e vestido apenas com uma calça castanha e uma túnica branca, relativamente frouxa no colarinho, os cabelos… pelos Deuses, ele o cortou! Estavam curtos e lindos, ele notou-me e empertiguei-me no sofá, os olhos afiados analisando cada detalhe de mim, cada pedaço de pele exposta, um olhar tão ávido e intenso que me deixou cada vez mais nervosa e me contorcendo, fechei as pernas pressionando aquele pulsar latente no encontro das minhas coxas, o meu cheiro deve ter mudado. Foi o que deduzi quando Ibrahim inflou as narinas e ficou rígido, recuando um passo como se tivesse mudado de ideia a respeito de entrar ali, de longe, notei a suas pupilas dilatando, consegui ver nitidamente quando o preto aumentou e quase extinguiu o verde cristalino, esperei ele dar as costas e sair, era o que ele geralmente faria, mas o esgar do meu sorriso vitorioso foi o bastante para impedi-lo. Ele encarou-me, como se estudasse um oponente, mas foi um passo à frente que ele deu, um e mais outro, até que ele estava na minha frente, um sorriso selvagem adornava o seu belo rosto cinzelado pelos Deuses, o meu sorriso esmoreceu quando ele se sentou à minha frente e uma fêmea fabulosa sentou no seu colo e acariciou a pele exposta do seu peitoral brincando com os cadarços da sua túnica, ameaçando abri-lo mais. — Parece que está a comemorar ardentemente a sua liberdade recém-adquirida, princesa. -De fato. E você, o que está a comemorar, príncipe? — rebati. — A volta de um bem precioso. — disse com um sorriso debochado, ele encarou-me atentamente. Parece que ele recebeu o meu presente. — Achei oportuno participar da confraternização da minha irmã, ou isso a incomoda, princesa herdeira? Uma pergunta afiada lançada a Aina e para mudar de assunto. Ela o encarou, de alguma forma havia mais tensão no ar do que julgara ser capaz de processar, e não me empenhei em desvendar aquilo de toda a forma, não quando um rugido constante atiçava o meu sangue, as pessoas se esfregavam continuamente, aqueles tambores estavam me enlouquecendo, Mei montava o seu parceiro fervorosamente enquanto a fêmea beijava o seu pescoço, e era tão difícil desviar a atenção de Ibrahim. Uma necessidade instintiva de proteger-me pairou sobre mim quando o latejar entre as minhas coxas ficou impossível de suportar, sabia que o cheiro da minha excitação ficaria tão evidente que ele saberia, saberia que não era pelos outros, e sim por ele. Ele descobriria que por baixo daquela camada de ódio, e por trás de cada xingamento e provocação, havia mais e não queria que ele soubesse, não queria que aquilo entre nós mudasse, não queria explorar o desconhecido, nos odiarmos era o território seguro, tudo o mais era perigoso e novo, e não estava pronta para aquilo. E foi com isso em mente que sorri convidativamente para um macho que me encarava há algum tempo, ele era ruivo e se assemelhava a Liam, mas possuía cabelos mais curtos um pouco abaixo dos ombros, preciosos olhos acobreados me encaravam de volta e ele sorriu maliciosamente ao atravessar a sala graciosamente e dar a volta em torno do sofá onde Ibrahim acariciava lascivamente a fêmea cor de ébano que ronronava no seu colo como uma gata. Ibrahim podia ser um leão bestial, mas eu era uma loba, vingativa e c***l, e o faria rastejar aos meus pés antes que ele se desse conta do que estava fazendo e depois ele ainda rastejaria por mais. Era daquilo que eu precisava, apenas prazer físico, e para isso não deve haver sentimentos. Levantei-me com uma elegância surpreendente e atraindo o olhar de todos, o ciúme estava me consumindo, como se estivesse me eviscerando e corroendo tudo por dentro. -Sente-se. Sugeri suavemente, o ruivo captou a minha intenção e sentou-se majestosamente esparramado e com um sorriso largo, ele recostou-se no sofá com satisfação viril quando me sentei no colo dele e passei as mãos ao redor dos seus ombros fortes para acariciar os seus cabelos. Contato visual, Aina dissera que isso era essencial no sexo, para saber o que o outro sentia, do que gostava, o que fazia o seu corpo tremer e o seu pulso acelerar, assistir todas as reações era necessário, e foi com essa necessidade que observei aquele macho lindo. — Seus olhos são lindos. Ronronou e ri com escárnio, eles não eram, poderia haver algum resquício de brilho neles, mas, em geral, eram nublados e sombrios, mas talvez tenha sido as sombras que tenham atraído ele aqui, a sua mão enlaçou o meu quadril enquanto a outra acariciava a parte interna da minha coxa em círculos preguiçosos. Ele não sabia do passado sujo, da mancha em mim, então tudo que aqueles belos olhos acobreados exibiam, era a atração s****l que o meu corpo despertava nele, e nele, eu gostei daquilo, gostei a ponto de inclinar-me contra o seu corpo e abrir uma pouco mais as pernas num convite explícito e silencioso, com um simples movimento ele ajustou-me no seu colo e a ponta dos seus dedos pairaram numa região, muito, muito perigosa e úmida. — Qual o seu nome, coisinha travessa? Sussurrei no seu ouvido, pelo canto do olho vi Ibrahim congelado, o rosto branco de ódio, notei que Aina havia passado para o seu lado no sofá e sorria maliciosamente para mim enquanto dava atenção a fêmea que Ibrahim havia deixado de lado. -Ronan, se lhe agradar, e se não, chame-me do que quiser, eu não ligo. Respondeu com uma voz encorpada que me lembrava um macchiato de canela, ele ainda sorria quando começou a beijar o meu pescoço, a sua língua passeou lascivamente em cima do pulsar latejante no meu pescoço, o ato me deixou mole, estremeci e ele soltou uma risadinha maliciosa. — Ah não, Ronan me agrada e… muito. — Respondi olhando afetadamente para Ibrahim. Talvez o vinho tenha me dado a coragem, ou foi o ciúmes que me fez perder a cabeça, ou era a música que me estimulava tão ardentemente, mas ergui o tecido fino, ergui até que o topo das minhas coxas ficou desnudo, eu queria que Ibrahim olhasse e visse o que perdia, não para chamar a sua atenção, mas para mostrar que se não encontrasse o que queria nele, provavelmente encontraria em outros, ele não era o único que me interessava, não mais. Talvez a excitação tenha chegado a níveis alarmantes, mas senti-me descendo em um escorregador longo e passando através de uma fresta rochosa, pensamentos chocaram-se contra mim, lascivos, primordiais e ferinos, uma necessidade tão primitiva de me possuir que me deixou sem ar e quando ergui os olhos, vi-me sentada e contorcendo-me no colo de Ronan, sabia onde estava. Os pensamentos eram confusos e contraditórios, às vezes tristes e cheios de raiva, solidão e culpa, sentimentos e percepções tão tristes quanto os meus, mas havia mais tristeza e pesar. E eu senti-me uma b***a forçada a viver em pele de corsa, mas não estava mais em mim e sim na mente de Ibrahim, invadi a mente dele, ofeguei em pânico, pisquei atordoada e estava novamente o encarando. Reprimi o instinto de olhar para os lados, fiquei ali, apenas o encarando, ele parecia não ter se dado conta do que havia acontecido, de como o havia violado tão íntima e profundamente, ele me odiaria ainda mais, mas vi a verdade, vi que ele me queria tanto quanto eu o queria e vi mais, mas o que mais me atingiu, era que ele havia mentido. -Ronan, porque não traz uma taça de vinho para nós. Aina sugeriu, ela parecia ter detectado algo enquanto estava fora de mim, mas o ruivo grunhiu em oposição a sua sugestão e Ibrahim se levantou mostrando os dentes numa fúria m*l contida. — Faça como a minha irmã sugeriu, ou o farei atravessar a janela mais próxima. Garanto que a descida será muito mais rápida do que a subida até aqui. Ronan não se mexeu, a sua mão parou na minha coxa e a apertou suavemente como se dissesse que ele se manteria ali se eu quisesse, admirei a coragem dele. Todavia, conhecia o temperamento estourado de Ibrahim o suficiente para saber que Ronan não sairia vivo de uma briga com ele, e ele o arremessaria janela abaixo na primeira oportunidade e além disso… o meu objetivo havia sido atingido, e me virei para beijar o ruivo, um beijo lascivo e cheio de ardor, quando o deixei sem ar, afastei-me. -Desculpe, Ronan. Fica para outro dia. - os seus olhos vibrantes e rosto ruborizado me deixaram em chamas. Preparei-me para beijá-lo novamente, mas fui arrancada de cima dele com tamanha rapidez que m*l tive tempo de ofegar quando Ibrahim me arrastou dali abrindo caminho entre a multidão e prendeu-me no que parecia ser um cômodo adjacente, cheio de prateleiras, parecia uma dispensa. -No que está pensando?! -Em trepar. Alguma outra pergunta perspicaz? — É sério? — Não entendi. — Vai mesmo trepar com outro, quando é comigo que quer estar? -Quem disse isso? — Esse seu corpo infernal! O seu cheiro mudou assim que apareci na maldita porta! — O meu cheiro… — Sim, essa farsa de vestido permitiu-me assistir seus lindos botões rosas se endurecendo bem diante de mim, montava outro, mas era para mim que o seu corpo reagia, sabe muito bem disso. Está fazendo essa merda, apenas por que acredita que a desprezei e quer me deixar com ciúmes, está me ensinando uma lição, princesa? -Depende. Está funcionando? — Sua bruxa perversa… — Ele grunhiu ao bater com os punhos nas prateleiras, o conteúdo delas chacoalharam em protesto e bem acima da minha cabeça. — Queria ver até onde iria chegar antes do meu temperamento ruir? — Você não é tão interessante assim. — Mentirosa. Ele pressionou-me contra as prateleiras, minhas mãos espalmaram-se no seu peito, num rompante Ibrahim segurou a parte de trás da minha coxa e a ergueu a altura do seu quadril, me fazendo ficar na ponta do pé, seus olhos disseram-me que não sairia dali a menos que ele quisesse, tampouco, ele faria isso sem arrancar o que queria de mim, e eu permiti. Seus lábios pairavam sobre os meus, ele arfava na minha boca, mas ainda se segurava, possuída pela necessidade de prová-lo, o puxei pelo colarinho e o beijei. A sua língua moveu-se para dentro da minha boca, lasciva e faminta, mas sem violar, eu cedia e ele tomava, e tê-lo na minha boca não foi repulsivo ou profano, foi divino. Apertei o tecido da sua roupa e ouvi o tecido protestar, ele gemeu, puxou-me para si me espremendo entre ele e a parede, o seu m****o febril pressionava o centro do meu corpo. — Sente o quanto não te quero?- Grunhiu ao se impelir contra mim. — Está sentindo, princesa? Merda, eu sentia. Senti cada centímetro daquela ereção impressionante. Medo sobrepujou os meus sentidos quando me dei conta da real espessura daquilo, ele nunca caberia em mim, mas fiquei pasma ao perceber que estava disposta a tentar, eu tentaria com prazer, fiquei descontrolada ao lembrar dos pensamentos dele sobre mim, sobre nós, e despi-me de qualquer ilusão de controle que ainda achava ter. Gemi na sua boca o encorajando, senti uma descarga úmida encharcar as minhas dobras, Ibrahim se afastou e quando ele viu que a sua calça de couro era a única coisa que nos separava, e que agora estava excessivamente brilhante, uma mancha escura era a prova da minha excitação, a calça m*l o contendo. Ele xingou. Ibrahim xingou tão vigorosamente que meu corpo vibrou quando o seu m****o contraiu-se e o cume insinuou-se sobre o cós da calça buscando libertação, grunhi, precisava dele, agora. Agorinha mesmo. -Ibrahim. -O que quer? — Você. — Ofeguei. — Eu quero você. — Não. — respondeu e fiquei tensa. Eu deveria ser uma péssima atriz e uma mentirosa medíocre. — É apenas o meu corpo que deseja. — O quê? — perguntei tentando disfarçar o meu embaraço. — Não quero ser usado, nem mesmo por você.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR