Any ergueu a sobrancelha, olhando no relógio. Eram quase duas da manhã, Joshua não chegaria mais. Suspirou entristecida e olhou o bebê, que dormia tranquilamente em seu bercinho.
— Como a mamãe pode te chamar hein meu amor? — ela ergueu a sobrancelha pensativa. — Sabe, o seu avozinho Silvio gostava de David. Era o personagem bíblico que ele mais admirava e uma vez pediu pra mim, ou Vivian colocar esse nome em um de nossos filhos. Vivian disse não, segundo ela não lhe agradava e não colocaria só por causa dele. Já eu ri, e disse que demoraria muito até eu ter um filho e até lá pensaria em outros nomes e dificilmente me lembraria de David. — ela sentiu as lágrimas quentes de saudade, rolando em seu rosto. — Mas eu lembrei... E acho que ele merece essa homenagem não é? — secou as lágrimas e beijou a mãozinha dele. — Ah como eu queria que meus pais estivessem aqui! Eles me fazem muita falta... Mas agora que você chegou meu filho, eu tenho um motivo pra viver. Eu tenho você, e você preencheu esse vazio que eu sentia. A mamãe te ama muito tá? Muito, muito, muito. — disse isso e deu vários beijinhos naquela mãozinha minúscula, que ela tinha vontade de morder.
Sorriu de canto e ficou admirando o pequeno, até que adormeceu.
¨¨¨¨
No dia seguinte acordou, e viu Sina analisando o bebê.
— Bom dia. — ela disse sonolenta.
— Oh Any. — Sina sorriu. — Bom dia, desculpa por te acordar, não era minha intenção.
— Imagina. — ela se sentou na cama. — E então? Como ele está amiga?
— Ah, ele está ótimo. — ela sorriu. — Estava ouvindo o coraçãozinho dele, agora pouco e está muito normal. Já que você acordou, vou aproveitar para te examinar logo.
— Ok. — ela suspirou.
Sina a examinou, fez algumas perguntas e logo concluiu:
— Ótimo... Hoje mesmo você já pode voltar para casa com o bebê. — Sina disse e Any sorriu aliviada, não gostava nada de hospitais. — Mas é bom que fique de observação até à tarde ok? — a loira sorriu da cara frustrada de Any. — Ah Any, é só umas horinhas. — deu língua e Any rolou os olhos. — Chata. — pegou seus equipamentos e os colocou de volta na bolsa.
— Sina, não teve notícias do Josh? — Any perguntou esperançosa.
— Não Any. — Sina ergueu a sobrancelha. — E eu posso te dizer uma coisa, de mulher pra mulher?
Any ergueu a sobrancelha, e assentiu.
— Claro.
— Se eu fosse você eu daria um fora nesse i*****l do Josh! Você não é capacho dele pra aguentar esse tipo de coisa. — disse aliviada, aquilo já estava entalado em sua garganta há um bom tempo.
— Você acha? — disse entristecida.
— Se eu acho? — Sina quase ri. — É claro que eu acho! Você tem que mostrar pra esse i*****l que você não precisa dele pra nada. Você é linda, está certo que não tem um guarda roupa muito atrativo. — Any deu um sorriso de canto. — Mas é linda, é meiga, é bondosa. Você e ele não tem nada a ver um com o outro.
— Ai Sina, o problema é que eu sou muito apaixonada por ele. — disse olhando as mãos. — Por ele eu aguento tudo amiga, é isso. Ele me ama, só não faz o tipo dele ser carinhoso. Esse é o jeito dele, e eu o amo assim.
— Não acredito. — Sina rolou os olhos. — Any, acorda! Você não viu o que ele fez com você ontem? Foi o cúmulo da canalhice, esse cara não te merece amiga.
— O que você faria se eu te pedisse pra dar um fora no Derrick? Você daria? — Any perguntou.
— Mas é claro que não, são casos bem diferentes. — Sina disse, perplexa.
— Não são diferentes não. Eu amo o meu marido, assim como você ama o seu.
— Mas e se ele não te amar? — Sina rebateu.
Any arregalou os olhos, sem saber sequer o que dizer diante disso, quando por fim ia falar, é interrompida pela porta se abrindo.
— Olá! — viram Miranda entrando, com um urso bem grande.
— Oi tia! — Any disse, abaixando o olhar.
— Bem, eu vou deixar vocês à vontade. — a loira disse.
— Ah claro. — Miranda disse fazendo pouco caso e Sina pegou sua maleta. — Me falaram que você estava dando à luz, mas eu não pude vir querida, estava com tanta dor nas costas e na cabeça, que foi impossível.
Sina negou com a cabeça disfarçadamente, enquanto saia. Ela mesma tinha falando com a exibida da Miranda, e a mesma não foi por que não quis, já que em momento algum falou de dor alguma. Tinha pena de Any, a amiga estava cercada de cobras e lagartos e era ingênua demais pra enxergar isso.
— Depois eu volto pra assinar sua alta amiga. — Sina disse, saindo de vez.
— É impressão minha, ou essa doutora não gostou de mim? — Miranda apontou a porta.
— É impressão tia, Sina é um amor de pessoa. — a menina disse, botando seus óculos.
— Olha o que eu trouxe para o bebê! — Miranda mostrou o urso.
— Que lindo tia! — Any o colocou ao seu lado na cama. — Obrigada, não deveria ter se incomodado. — Miranda deu de ombros.
— Ah, que coisinha mais fofa, é a miniatura do Beauchamp! — Miranda disse chocada, olhando no berço. — É menino ou menina?
— Menino.
— Que sorte! Josh deve estar muito feliz. — disse venenosa.
Any deu um sorriso entristecido.
— Ele ainda não sabe que eu dei à luz. — disse brincando com a orelha do ursinho.
— Oh! Não sabe? — Any negou com a cabeça. — E por quê?
— Ele saiu de casa, nós dois meio que brigamos... Daí ele disse que passaria todo o final de semana fora, como sempre.
— Mas o que você andou fazendo agora Any? — Miranda retrucou entediada.
— Nada. — Any respondeu, a observando.
— Como assim nada? Você deve ter feito algo pra deixar o seu marido tão irritado.
Any ergueu a sobrancelha, não podia contar o motivo da discussão para Miranda, aquele tipo de assunto só dizia respeito a ela e seu marido.
— Anda, diga! — Miranda insistia.
— Desculpa tia, mas eu acho que isso não é assunto seu. — Any respondeu.
Miranda arregalou os olhos. Como ela podia respondê-la assim?
— Perdão?
— Isso é um assunto íntimo nosso. — Any respondeu.
Miranda logo sacou que tinha a ver com sexo.
— Ah já até sei. Você não está dando conta do recado. — Miranda riu e Any ficou vermelha. — Ande Any, não seja boba. Conte pra titia o que está acontecendo.
— Bem... Eu não sei se é certo eu contar isso tia. — ela se mantinha firme.
Miranda rolou os olhos.
— Eu já sei que vocês não estão transando. O que tem demais você desabafar comigo?
— É que... — ela respirou fundo. — Josh queria t*****r, mas eu não estava afim. Meu corpo estava dolorido, eu estava inchada e com muito sono. A última coisa que eu aguentaria fazer era sexo. E ele não entendeu isso e ficou chateado. E então saiu irritado, e disse que não voltaria pra casa no fim de semana e também falou pra eu não incomodá-lo.
— E com que frequência essa situação ocorre? — a tia estava curiosa.
— Já tem um tempinho. — disse pensativa.
— Ah Any. — Miranda rolou os olhos. — Assim também não tem homem que aguente! Joshua está vivo! Ele precisa de sexo, você não pode se dar ao luxo de recusar!
— Mas tia... — Any tentou falar, mas Miranda não deixou.
— Já não basta agora, que você vai ficar de quarentena, como ele vai ficar?
Any engoliu o seco. Droga, tinha se esquecido da tal da quarentena. Josh ficaria uma fera.
— Hein Any? — Miranda estava revoltada.
— Eu não podia t*****r tia. — ela dizia com a voz embargada. — Você não sabe o que é um final de gravidez. É muito difícil. — ela pegou o seu pequeno bebê do berço, já que ele estava choramingando. — O Joshua tinha que me entender e me apoiar, se ele não entendeu paciência.
— Pois então não reclame. — Miranda bufou.
— Não estou reclamando de nada. — Any rebateu. — A única pessoa que está dando chilique por isso é você tia.
— Pois então se cale! E aguente as consequências! E é claro... Os chifres. — disse sem pena.
Any a olhou sem reação.
— Obrigada pelas suas palavras de apoio. — ela respondeu, tirando o seio e oferecendo ao bebê. Não queria olhar para Miranda, não acreditava que a tia estava esfregando aquilo em sua cara.
— Ah querida, me desculpe. — Miranda se arrependeu rapidamente, ao ver o tom melancólico de Any. Não podia ficar brigada com a sobrinha. Afinal, precisava de dinheiro, e isso o marido dela tinha de sobra.
— Não se preocupe. — Any desviou o olhar para o nada. — Tia, você acha que o Joshua já se cansou de mim? — voltou a olhar para Miranda.
— Mas é claro que não Any... — a mulher disse, acariciando os sedosos cabelos da sobrinha. — Tire já essas ideias da cabeça.
— Sabe, a Sina estava dizendo que o que ele fez ontem foi o cúmulo tia. — pegou a mãozinha do bebê e apertou. — Eu vou conversar com Josh. Por ele eu aguento o que for, mas se ele não me amar eu não vou forçá-lo com esse casamento.
Any disse pensativa... As palavras de Sina foram um back pra ela, estava tão apaixonada pelo marido, tão feliz com a chegada do bebê que sequer se perguntava se ele sentia o mesmo. Se Joshua não a amasse da mesma forma, ela morreria. Entretanto, mesmo com o coração massacrado jamais o obrigaria a viver ao seu lado.
— Por favor, Any, não invente de ir retrucar... — Miranda começou, mas Any a interrompeu.
— Não vou retrucar, só vou perguntar por que ele mudou tanto comigo. No começo ele era completamente diferente e agora está me tratando m*l. Se ele não me amar, o que você quer que eu faça? O obrigue a ficar comigo?
Miranda engoliu o seco. Droga! Já estava vendo tudo ir por água a baixo.
— É a obrigação dele, afinal de contas é o pai dessa criança que você acabou de colocar no mundo!
— Que nada... — Any coçou a nuca. — Isso não tem nada a ver.
Miranda se calou. Não podia acreditar que Any colocaria tudo a perder. Que grande merda!
Mais tarde, como prometido, Sina assinou sua alta e Robert, Vitória, e é claro... Miranda, a levaram para seu apartamento.
¨¨¨¨
Enquanto se dirigiam à casa de Any, Sina e Sofya conversavam.
— Você falou mesmo isso pra ela? — Sofya perguntou.
— Falei Sofya. — Sina soltou o ar enquanto entravam no elevador. — Estava com tudo entalado na garganta, e o pior é que acho que falei demais. Não queria deixa-la m*l.
— A verdade às vezes pode doer mesmo. — Sofya disse, mordendo o lábio. — Acha que ela vai fazer algo?
— Não sei, ela ficou meio balançada quando eu perguntei se ele também a amava. Mas não sei... Any é muito apaixonada por esse calhorda. Segundo ela, aguenta tudo por ele.
— Vamos esperar pra ver no que dá. Apesar de lindo, o Josh não vale o que o gato enterra. E falando na peça, nada dele?
— Até a alta da Any nada, não sei se já deu notícias.
O elevador se abriu e as duas saíram em direção a porta de Any. Sofya tocou a campainha e logo Victória abriu.
— Olá doutora! — Victória cumprimentou com um sorriso. — Entrem!
— Me chame de Sina, por favor. — pediu com um sorrisinho. — E então? Como estão as coisas por aqui?
— Ah, o bebê acabou de mamar e está dormindo, e a Any está no banho. — ela fechou a porta.
— E o Joshua? Já chegou? — ela perguntou.
— Ainda não. — Victória suspirou.
As duas entraram no quarto e Any já tinha saído do banho e tinha acabado de trocar de roupa. Miranda estava por ali, com um bico. Ainda não estava satisfeita com a decisão de Any de conversar com Joshua e arriscar perder tudo o que tinha conseguido. Era óbvio que Joshua lhe daria um pé na b***a.
— Olá!
— Oi meninas! — Any sorriu.
— Como está hein? — Sofya perguntou.
— Ah, eu estou me sentindo muito bem. — ela disse voltando a deitar na cama. — Estou muito feliz com a chegada do David.
— Ah, que nome mais lindo! — Sina disse. — É a cara dele.
— Eu também achei. — Sofya disse.
Any sorriu.
— Com licença, eu vou beber um copo de água. — Miranda anunciou e saiu pisando firme.
— Nossa, a sua tia está bem irritadinha hein? — Sofya deu um risinho.
— É, ela está com raiva desde cedo. — Any ergueu a sobrancelha. — Sina, eu pensei no que você disse... — Sina e Sofya se olharam e em seguida encararam Any. — Eu já não tenho mais certeza se o Josh gosta de mim como antes. — suspirou entristecida.
Sina sentou ao seu lado, e acariciou suas costas em um ato de carinho.
— Desculpa Any. — ela murmurou. — Não queria te deixar chateada. Só não nos conformamos com a forma que ele te trata.
— Não, não tem problema. — ela tentou sorrir. — Eu agradeço por se preocupar. Vou conversar com o Josh e vou querer sinceridade de parte dele.
— Ficamos felizes por você. — Sofya disse. — Espero que vocês conversem e cheguem a um consenso, por que assim não vai ser saudável nem para vocês e nem para o bebê.
— Eu sei. — ela sorriu de leve.
Robert e Victória entram.
— Any, Victória e eu estamos indo. — Robert disse.
— Cansou de babar seu netinho? — a menina sorriu.