Capitulo 20

2421 Palavras
Any ergueu a sobrancelha, olhando no relógio. Eram quase duas da manhã, Joshua não chegaria mais. Suspirou entristecida e olhou o bebê, que dormia tranquilamente em seu bercinho. — Como a mamãe pode te chamar hein meu amor? — ela ergueu a sobrancelha pensativa. — Sabe, o seu avozinho Silvio gostava de David. Era o personagem bíblico que ele mais admirava e uma vez pediu pra mim, ou Vivian colocar esse nome em um de nossos filhos. Vivian disse não, segundo ela não lhe agradava e não colocaria só por causa dele. Já eu ri, e disse que demoraria muito até eu ter um filho e até lá pensaria em outros nomes e dificilmente me lembraria de David. — ela sentiu as lágrimas quentes de saudade, rolando em seu rosto. — Mas eu lembrei... E acho que ele merece essa homenagem não é? — secou as lágrimas e beijou a mãozinha dele. — Ah como eu queria que meus pais estivessem aqui! Eles me fazem muita falta... Mas agora que você chegou meu filho, eu tenho um motivo pra viver. Eu tenho você, e você preencheu esse vazio que eu sentia. A mamãe te ama muito tá? Muito, muito, muito. — disse isso e deu vários beijinhos naquela mãozinha minúscula, que ela tinha vontade de morder. Sorriu de canto e ficou admirando o pequeno, até que adormeceu. ¨¨¨¨ No dia seguinte acordou, e viu Sina analisando o bebê. — Bom dia. — ela disse sonolenta. — Oh Any. — Sina sorriu. — Bom dia, desculpa por te acordar, não era minha intenção. — Imagina. — ela se sentou na cama. — E então? Como ele está amiga? — Ah, ele está ótimo. — ela sorriu. — Estava ouvindo o coraçãozinho dele, agora pouco e está muito normal. Já que você acordou, vou aproveitar para te examinar logo. — Ok. — ela suspirou. Sina a examinou, fez algumas perguntas e logo concluiu: — Ótimo... Hoje mesmo você já pode voltar para casa com o bebê. — Sina disse e Any sorriu aliviada, não gostava nada de hospitais. — Mas é bom que fique de observação até à tarde ok? — a loira sorriu da cara frustrada de Any. — Ah Any, é só umas horinhas. — deu língua e Any rolou os olhos. — Chata. — pegou seus equipamentos e os colocou de volta na bolsa. — Sina, não teve notícias do Josh? — Any perguntou esperançosa. — Não Any. — Sina ergueu a sobrancelha. — E eu posso te dizer uma coisa, de mulher pra mulher? Any ergueu a sobrancelha, e assentiu. — Claro. — Se eu fosse você eu daria um fora nesse i*****l do Josh! Você não é capacho dele pra aguentar esse tipo de coisa. — disse aliviada, aquilo já estava entalado em sua garganta há um bom tempo. — Você acha? — disse entristecida. — Se eu acho? — Sina quase ri. — É claro que eu acho! Você tem que mostrar pra esse i*****l que você não precisa dele pra nada. Você é linda, está certo que não tem um guarda roupa muito atrativo. — Any deu um sorriso de canto. — Mas é linda, é meiga, é bondosa. Você e ele não tem nada a ver um com o outro. — Ai Sina, o problema é que eu sou muito apaixonada por ele. — disse olhando as mãos. — Por ele eu aguento tudo amiga, é isso. Ele me ama, só não faz o tipo dele ser carinhoso. Esse é o jeito dele, e eu o amo assim. — Não acredito. — Sina rolou os olhos. — Any, acorda! Você não viu o que ele fez com você ontem? Foi o cúmulo da canalhice, esse cara não te merece amiga. — O que você faria se eu te pedisse pra dar um fora no Derrick? Você daria? — Any perguntou. — Mas é claro que não, são casos bem diferentes. — Sina disse, perplexa. — Não são diferentes não. Eu amo o meu marido, assim como você ama o seu. — Mas e se ele não te amar? — Sina rebateu. Any arregalou os olhos, sem saber sequer o que dizer diante disso, quando por fim ia falar, é interrompida pela porta se abrindo. — Olá! — viram Miranda entrando, com um urso bem grande. — Oi tia! — Any disse, abaixando o olhar. — Bem, eu vou deixar vocês à vontade. — a loira disse. — Ah claro. — Miranda disse fazendo pouco caso e Sina pegou sua maleta. — Me falaram que você estava dando à luz, mas eu não pude vir querida, estava com tanta dor nas costas e na cabeça, que foi impossível. Sina negou com a cabeça disfarçadamente, enquanto saia. Ela mesma tinha falando com a exibida da Miranda, e a mesma não foi por que não quis, já que em momento algum falou de dor alguma. Tinha pena de Any, a amiga estava cercada de cobras e lagartos e era ingênua demais pra enxergar isso. — Depois eu volto pra assinar sua alta amiga. — Sina disse, saindo de vez. — É impressão minha, ou essa doutora não gostou de mim? — Miranda apontou a porta. — É impressão tia, Sina é um amor de pessoa. — a menina disse, botando seus óculos. — Olha o que eu trouxe para o bebê! — Miranda mostrou o urso. — Que lindo tia! — Any o colocou ao seu lado na cama. — Obrigada, não deveria ter se incomodado. — Miranda deu de ombros. — Ah, que coisinha mais fofa, é a miniatura do Beauchamp! — Miranda disse chocada, olhando no berço. — É menino ou menina? — Menino. — Que sorte! Josh deve estar muito feliz. — disse venenosa. Any deu um sorriso entristecido. — Ele ainda não sabe que eu dei à luz. — disse brincando com a orelha do ursinho. — Oh! Não sabe? — Any negou com a cabeça. — E por quê? — Ele saiu de casa, nós dois meio que brigamos... Daí ele disse que passaria todo o final de semana fora, como sempre. — Mas o que você andou fazendo agora Any? — Miranda retrucou entediada. — Nada. — Any respondeu, a observando. — Como assim nada? Você deve ter feito algo pra deixar o seu marido tão irritado. Any ergueu a sobrancelha, não podia contar o motivo da discussão para Miranda, aquele tipo de assunto só dizia respeito a ela e seu marido. — Anda, diga! — Miranda insistia. — Desculpa tia, mas eu acho que isso não é assunto seu. — Any respondeu. Miranda arregalou os olhos. Como ela podia respondê-la assim? — Perdão? — Isso é um assunto íntimo nosso. — Any respondeu.  Miranda logo sacou que tinha a ver com sexo. — Ah já até sei. Você não está dando conta do recado. — Miranda riu e Any ficou vermelha. — Ande Any, não seja boba. Conte pra titia o que está acontecendo. — Bem... Eu não sei se é certo eu contar isso tia. — ela se mantinha firme. Miranda rolou os olhos. — Eu já sei que vocês não estão transando. O que tem demais você desabafar comigo? — É que... — ela respirou fundo. — Josh queria t*****r, mas eu não estava afim. Meu corpo estava dolorido, eu estava inchada e com muito sono. A última coisa que eu aguentaria fazer era sexo. E ele não entendeu isso e ficou chateado. E então saiu irritado, e disse que não voltaria pra casa no fim de semana e também falou pra eu não incomodá-lo. — E com que frequência essa situação ocorre? — a tia estava curiosa. — Já tem um tempinho. — disse pensativa. — Ah Any. — Miranda rolou os olhos. — Assim também não tem homem que aguente! Joshua está vivo! Ele precisa de sexo, você não pode se dar ao luxo de recusar! — Mas tia... — Any tentou falar, mas Miranda não deixou. — Já não basta agora, que você vai ficar de quarentena, como ele vai ficar? Any engoliu o seco. Droga, tinha se esquecido da tal da quarentena. Josh ficaria uma fera. — Hein Any? — Miranda estava revoltada. — Eu não podia t*****r tia. — ela dizia com a voz embargada. — Você não sabe o que é um final de gravidez. É muito difícil. — ela pegou o seu pequeno bebê do berço, já que ele estava choramingando. — O Joshua tinha que me entender e me apoiar, se ele não entendeu paciência. — Pois então não reclame. — Miranda bufou. — Não estou reclamando de nada. — Any rebateu. — A única pessoa que está dando chilique por isso é você tia. — Pois então se cale! E aguente as consequências! E é claro... Os chifres. — disse sem pena. Any a olhou sem reação. — Obrigada pelas suas palavras de apoio. — ela respondeu, tirando o seio e oferecendo ao bebê. Não queria olhar para Miranda, não acreditava que a tia estava esfregando aquilo em sua cara. — Ah querida, me desculpe. — Miranda se arrependeu rapidamente, ao ver o tom melancólico de Any. Não podia ficar brigada com a sobrinha. Afinal, precisava de dinheiro, e isso o marido dela tinha de sobra. — Não se preocupe. — Any desviou o olhar para o nada. — Tia, você acha que o Joshua já se cansou de mim? — voltou a olhar para Miranda. — Mas é claro que não Any... — a mulher disse, acariciando os sedosos cabelos da sobrinha. — Tire já essas ideias da cabeça. — Sabe, a Sina estava dizendo que o que ele fez ontem foi o cúmulo tia. — pegou a mãozinha do bebê e apertou. — Eu vou conversar com Josh. Por ele eu aguento o que for, mas se ele não me amar eu não vou forçá-lo com esse casamento. Any disse pensativa... As palavras de Sina foram um back pra ela, estava tão apaixonada pelo marido, tão feliz com a chegada do bebê que sequer se perguntava se ele sentia o mesmo. Se Joshua não a amasse da mesma forma, ela morreria. Entretanto, mesmo com o coração massacrado jamais o obrigaria a viver ao seu lado. — Por favor, Any, não invente de ir retrucar... — Miranda começou, mas Any a interrompeu. — Não vou retrucar, só vou perguntar por que ele mudou tanto comigo. No começo ele era completamente diferente e agora está me tratando m*l. Se ele não me amar, o que você quer que eu faça? O obrigue a ficar comigo? Miranda engoliu o seco. Droga! Já estava vendo tudo ir por água a baixo. — É a obrigação dele, afinal de contas é o pai dessa criança que você acabou de colocar no mundo! — Que nada... — Any coçou a nuca. — Isso não tem nada a ver. Miranda se calou. Não podia acreditar que Any colocaria tudo a perder. Que grande merda! Mais tarde, como prometido, Sina assinou sua alta e Robert, Vitória, e é claro... Miranda, a levaram para seu apartamento. ¨¨¨¨ Enquanto se dirigiam à casa de Any, Sina e Sofya conversavam. — Você falou mesmo isso pra ela? — Sofya perguntou. — Falei Sofya. — Sina soltou o ar enquanto entravam no elevador. — Estava com tudo entalado na garganta, e o pior é que acho que falei demais. Não queria deixa-la m*l. — A verdade às vezes pode doer mesmo. — Sofya disse, mordendo o lábio. — Acha que ela vai fazer algo? — Não sei, ela ficou meio balançada quando eu perguntei se ele também a amava. Mas não sei... Any é muito apaixonada por esse calhorda. Segundo ela, aguenta tudo por ele. — Vamos esperar pra ver no que dá. Apesar de lindo, o Josh não vale o que o gato enterra. E falando na peça, nada dele? — Até a alta da Any nada, não sei se já deu notícias. O elevador se abriu e as duas saíram em direção a porta de Any. Sofya tocou a campainha e logo Victória abriu. — Olá doutora! — Victória cumprimentou com um sorriso. — Entrem! — Me chame de Sina, por favor. — pediu com um sorrisinho. — E então? Como estão as coisas por aqui? — Ah, o bebê acabou de mamar e está dormindo, e a Any está no banho. — ela fechou a porta. — E o Joshua? Já chegou? — ela perguntou. — Ainda não. — Victória suspirou. As duas entraram no quarto e Any já tinha saído do banho e tinha acabado de trocar de roupa. Miranda estava por ali, com um bico. Ainda não estava satisfeita com a decisão de Any de conversar com Joshua e arriscar perder tudo o que tinha conseguido. Era óbvio que Joshua lhe daria um pé na b***a. — Olá! — Oi meninas! — Any sorriu. — Como está hein? — Sofya perguntou. — Ah, eu estou me sentindo muito bem. — ela disse voltando a deitar na cama. — Estou muito feliz com a chegada do David. — Ah, que nome mais lindo! — Sina disse. — É a cara dele. — Eu também achei. — Sofya disse. Any sorriu. — Com licença, eu vou beber um copo de água. — Miranda anunciou e saiu pisando firme. — Nossa, a sua tia está bem irritadinha hein? — Sofya deu um risinho. — É, ela está com raiva desde cedo. — Any ergueu a sobrancelha. — Sina, eu pensei no que você disse... — Sina e Sofya se olharam e em seguida encararam Any. — Eu já não tenho mais certeza se o Josh gosta de mim como antes. — suspirou entristecida. Sina sentou ao seu lado, e acariciou suas costas em um ato de carinho. — Desculpa Any. — ela murmurou. — Não queria te deixar chateada. Só não nos conformamos com a forma que ele te trata. — Não, não tem problema. — ela tentou sorrir. — Eu agradeço por se preocupar. Vou conversar com o Josh e vou querer sinceridade de parte dele. — Ficamos felizes por você. — Sofya disse. — Espero que vocês conversem e cheguem a um consenso, por que assim não vai ser saudável nem para vocês e nem para o bebê. — Eu sei. — ela sorriu de leve. Robert e Victória entram. — Any, Victória e eu estamos indo. — Robert disse. — Cansou de babar seu netinho? — a menina sorriu. 
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR