— Any? — ele disse, cruzando olhares entre a esposa e os amigos. — O que está fazendo aqui hein?
— Ah, nada eu só quero saber se meus óculos estão por aqui. — ela forçou a vista. — Eu preciso trocar a fralda do David e preciso achá-los.
— Nossa. — Pedro soltou, umedecendo os lábios.
Joshua o encarou insatisfeito.
— Volta pra lá, eu procuro e levo pra você. — ele disse se levantando e indo até ela.
— Mas rápido, ele está irritado com a fralda. — ela o encarou e em seguida encarou o vulto dos amigos dele.
— Espera aí cara. — Noah disse. — Por que tanta agonia pra menina sair?
— Por que sim! — ele respondeu ignorante.
— Como vai Any? — Bailey perguntou, indo até ela.
— Eu vou bem e você? — ela estranhou. — Desculpa perguntar, mas eu não estou enxergando direito, quem é você?
— Bailey. — ele respondeu olhando as pernas dela, sem um pingo de vergonha. Que gostosa! — E eu estou melhor agora.
— Ah que bom! — Any disse, inocentemente. — Bem, vocês fiquem à vontade. É melhor eu voltar pra lá, o meu filho está precisando de mim.
— Ah que pena. — Pedro lamentou.
Joshua estava muito puto. Sua vontade era de mandar todos embora da sua casa. Any voltou para o quarto. Josh foi até o aparador e buscou os óculos gigantes de Any, que só ela por ser tão cega não enxergava. Afinal eles eram enormes, impossível de não serem notados. Levou os óculos pra ela.
— Por que você saiu? Eu pedi pra você ficar aqui. — ele dizia irritado e enciumado ao entrar no quarto.
— Mas eu precisava dos óculos Josh. — disse os colocando na cara. — Ah, bem melhor. — sentando ao lado do bebê e tirando o alfinete da fraldinha, com todo cuidado.
— Meus amigos ficaram olhando você com cara de retardados! — dizia aos berros, ela o olhou. — Olha só esse vestido! Não deve ter mais que dois palmos Any Gabrielly!
Ela abaixou a cabeça e mordeu o lábio.
— Mas Josh, eu não sou atraente. Não tem motivos pra você ficar com ciúmes. Não é você mesmo que diz que eu sou sem sal? — ela colocou a fraldinha suja de lado.
— Sim, mas você é minha mulher e me deve respeito. Não te quero mostrando as pernas e saindo sem seus óculos por ai. Entendeu?
— Me perdoa então. — ela disse, sem olha-lo. Estava magoada por ele estar tratando-a assim, sendo que ela não tinha feito nada demais.
Ele a encarou e suspirou.
— Amorzinho... — ele se ajoelhou e ficou da altura dela. — Você precisa entender que eu sinto ciúmes. Você pode ser sem sal, mas é minha e eu te amo assim, já disse isso mil vezes. E você tem um corpo delicioso, não quero ninguém babando em você, ouviu?
— Você jura que é isso? — ela perguntou, invocada. Ele assentiu e ela sorriu. — Pensei que estava com vergonha de mim. — deu um beijinho nele. — Te amo.
— Eu também. — ele se levantou. — Agora eu vou voltar pra lá, já eu volto pra ficar com você ok? — ela assentiu.
Joshua voltou para a sala e os amigos continuavam dando risinhos.
— Nossa cara... — Bailey respirou fundo. — Quem diria que por trás daquelas roupas escrotas e daqueles óculos se escondia esse bombonzinho hein? — fez um biquinho. — Ela é muito interessante sem óculos. — os três se entreolhavam, safados.
— Eu casava fácil. — Noah disse, tomando um gole de cerveja. — Agora sei o porquê você não quis se separar. Garanhão!
Joshua cerrava os punhos.
— Nossa, meu p*u endurece só de lembrar como ela geme... — Pedro levantou.
Joshua deu um tapa na latinha de cerveja dele, que voou longe. Pedro arregalou os olhos e o loiro o pegou pela gola da blusa.
— Teria que nascer de novo, antes de enfiar esse seu p*u imundo na minha mulher! — disse com ira.
— Ei galera, relaxa aí... — Bailey os separou, Joshua estava vermelho de raiva. — Pedro, nada a ver você falar isso. É mulher do cara p***a.
— Ele nem gosta dela mesmo. — o outro disse. — Se me der mole eu como mesmo. Gostosa ela é!
Joshua voou até ele e lhe deu um soco em cheio na cara. O que o fez cair.
— Cara... — Noah estava em choque. Afinal os dois eram unha e carne desde sempre, jamais tinham brigado por uma mulher. — Se controla ai velho!
Any ouviu o barulho estranho de algo quebrando e alguns xingamentos.
— Homens... — rolou os olhos e deu de ombros, eles deveriam estar comemorando algum gol. Pegou seu bebê no colo e lhe deu um beijinho, em seguida foi para a sacada com ele.
— Leva esse i*****l daqui Noah! — Josh disse. — Rápido! — estava contando até três para não quebrar Pedro no meio. Se praguejava por ainda estar levando em consideração a amizade de anos.
— Vamos Pedro! — os outros dois o carregavam como podiam. — Falou Josh, até mais cara! — saíram.
— Isso não vai ficar assim Beauchamp... — Pedro dizia, mais pra lá, do que pra cá.
— Fora! — ele fechou a porta com força e deu um chute na mesma. — Desgraçado!
Respirou fundo e sentou-se novamente no sofá. Tomou um gole de cerveja e procurou se acalmar. Quem Pedro achava que era pra ficar falando de sua mulher dessa forma? E pior ainda, em sua cara!
— Escroto de merda. — ele disse, cerrando os punhos.
¨¨¨¨
No dia seguinte, Miranda estava conversando com uma das empregadas do restaurante, quando viu Joshua chegando.
— Faça o que eu mandei Daisy. — a empregada assentiu e ela olhou o loiro por cima dos ombros e foi até ele. — Josh, que prazer recebê-lo aqui! — ela sorriu abertamente.
— Oi Miranda. — ele olhou ao redor. — O que aconteceu por aqui? Reformou? — vendo como o lugar tinha melhorado.
— Ah... — ela abriu um sorrisinho amarelo. — Pois é... Estamos no tempo das vacas gordas, se é que você me entende. — ela ergueu a sobrancelha.
— Entendo sim. — ele deu um sorrisinho falso e a pegou pelo braço delicadamente, lhe levando para um cantinho mais reservado do restaurante. — E se você quiser continuar no tempo das vacas gordas, você vai parar de colocar ideias na cabeça da Any... Está entendendo ou vou ter que explicar com bolinhas? — disse com uma voz suave, quase ameaçadora.
— Mas... — Miranda arregalou os olhos. — Não estou entendendo nada, eu nunca falei nada pra minha sobrinha!
— Ah, não se faça de desentendida. — Josh ergueu a sobrancelha. — Sabe muito bem do que eu estou falando. Você foi encher a cabeça da minha mulher pra que ela me largasse!
— Sim, ela me contou que conversaria a respeito disso com você e eu fui contra. — ela explicou e Joshua a analisou, não sabia se acreditava ou não. — Eu tinha certeza que você a largaria e... — ela parou de falar e a encarou. — Espera aí. Você vai continuar com a minha sobrinha? Não vai lhe dar um pé na b***a?
— Mas é claro que eu não vou larga-la. — ele disse e ela arregalou os olhos. — E se não foi você, quem foi?
— Bom... — ela ainda estava aturdida, não esperava mesmo que ele continuasse com Any. — É... Eu não sei, mas acho que tenham sido as amiguinhas dela.
Joshua apertou os lábios, claro! Como não tinha se tocado? Com certeza tinham sido elas.
— Claro! — ele bufou. — Tenho certeza que foram aquelas idiotas. — Miranda ainda estava desconcertada demais pra falar algo. — Depois eu vou ter uma conversinha com elas.
— Espera Josh. — ela chamou. — Você não quer comer nada? Uma cortesia da casa.
— Não, eu já almocei. — ele respondeu. — Mas continue aproveitando o seu momento das vacas gordas. — olhando os s***s da mulher. — Falando em vacas, você está bem servida hein? — deu um risinho. — Isso pelo jeito é um bem precioso de família.
Miranda deu um sorrisinho convencido enquanto ele andava em direção à saída.
— Me diz que eu não ouvi isso! — Vivian saiu de trás da pilastra.
— Sim, ele acha os meus s***s lindos. — Miranda mordeu a dobra do dedo.
— O que? — Vivian estava passada. — Não estou falando disso tia! Como ele pode querer continuar com a sem graça da Any?
— Ah... — Miranda soltou o ar. — Nem me fale, quase caí pra trás quando ouvi esse disparate. Por essa eu não esperava mesmo. — passou a mão na testa. — Ufa!
— Ufa? — Vivian perguntou. — Ufa tia? Eu pensei que ele mandaria minha irmã para o inferno!
— Pois você pensou errado! — Miranda disse. — E sim, eu estou aliviada. É ele e sua irmã se separando e a gente voltando para a pobreza!
— Aff eu já disse uma dúzia de vezes que se ele se separar dela eu seguro as pontas! Fico com o Joshua assim! — estalou os dedos.
— E eu também já disse uma dúzia de vezes que não confio em você pra isso! — a siliconada rebateu. — Ninguém sabe que tipo de decisão ele pode tomar, eu pelo menos estava jurando de pés juntos que ele mandaria sua irmã para o inferno, e olha só, me enganei! Você também pode se enganar! — saiu andando, deixando uma Vivian irada de raiva.
— Veremos tia! — ela disse pra si mesma.
¨¨¨¨
Joshua chegou à empresa e logo Lisa veio ao seu encontro.
— Oi amor! — Lisa disse lhe dando um selinho. — Nossa, eu estava morrendo de saudades, por que não veio de manhã?
— Eu também estava com saudades de você. — olhando ao redor vendo se não tinha ninguém por perto.
Agora que Any estava de quarentena ele precisaria do "apoio moral" de Lisa e das suas outras amiguinhas.
— Não vim por que o meu filho nasceu e hoje de manhã ele estava com um pouco de cólica e só parava de chorar comigo. — mentiu convencido.
— Ain que fofinho! — Lisa sorriu. — Meus parabéns gato! — lhe deu um beijinho. — Acho que você é o papai mais sexy que existe. — sussurrou e mordeu a orelha dele.
— Acha? — ele ergueu a sobrancelha.
— Tenho certeza. — ela corrigiu e ele lhe deu um beijinho, satisfeito.
— Alguma ligação?
— Sim, seu pai ligou e disse pra você ir à sala dele assim que chegasse. — ela disse e ele rolou os olhos. — E também tem alguns recados que eu anotei aqui... — ela pegou o caderninho de anotações.
— Não, me deixa ir logo ver o que o velho quer, e depois você me passa ok?
— Como quiser! — mandou um beijinho enquanto ele entrava no elevador. — Delicia! — ela disse tarada, enquanto voltava a sentar.
Quando entrou na sala de Robert, o homem o olhou com um olhar mortal.
— O que foi pai? — ele disse colocando as mãos no bolso. — O que você quer agora?
— Isso é jeito de você falar comigo? — Robert ergueu a sobrancelha.
Josh respirou fundo.
— Pai, eu tenho muito o que fazer, então... — ele disse e Robert o interrompeu.
— Ok, primeiramente eu quero saber onde diabos você estava no final de semana!
— Com minha galera. — ele deu de ombros, se servindo de uma dose de uísque. — Estava por aí dando uns roles.
— E enquanto isso sua esposa dando a luz, sem o seu apoio! — o homem bateu na mesa, com força, fazendo Joshua se assustar.
— Pai, eu não tenho bola de cristal pra adivinhar certas coisas! — ele disse revoltado. — Como eu ia saber que ela estava parindo?
— Talvez se atendesse essa droga de celular quem sabe você descobria! — rebateu e Joshua se calou. — Pelo visto você não tem jeito Joshua, do modo que está, parece que nem o nascimento do seu filho te comoveu.
— Isso não tem nada a ver. — ele disse, tomando um gole da bebida. — Eu já conversei com a Any, pedi perdão e ela me perdoou, feliz?
Robert o encarou e assentiu com a cabeça.
— Conformado. — ele disse. — É o mínimo que você poderia fazer. E eu espero que a chegada dessa criança faça você se tornar uma pessoa melhor e mais humana.
— Ai pai não dramatiza. — ele rolou os olhos, entediado. — Da forma como você fala parece que eu sou um monstro sem coração. Pra você ter uma ideia, eu até achei o bebê bonitinho e fofinho.
— Ah que bom. — ele disse irônico. — Espero que você seja um pai descente. — Robert se levantou.
— Defina um "pai descente"... Não tá querendo que eu fique cantando pro moleque dormir, troque as fraldas sujas, dê mamadeiras, ou coisas do tipo certo?
— É isso é o que todo pai faz pelo seu filho. — Robert disse óbvio. — Eu, por exemplo, fazia por você.
— Pois para isso existem as mães! — Joshua rebateu. — Não tenho tempo pra essas besteiras... E se era só isso que você queria me dizer pai, eu estou indo nessa. — foi em direção à porta.
— Espere! — Robert pediu. — Não é só isso.
Joshua deu meio volta e o olhou impaciente.
— Amanhã é aniversario da empresa. — ele anunciou.
— Uau. — Joshua disse irônico. — Parabéns empresa, obrigado por me fazer levantar cedo todos os dias. — deu um risinho falso. — Posso ir agora?