Capítulo 6

1033 Palavras
Sophie Bennett Saí da mansão dos Castellini com o coração em pedaços e uma vontade imensa de gritar para o mundo que Lucca era meu filho. Aquele abraço apertado que ele me deu quase me fez perder o controle. Cada fibra do meu ser queria pegá-lo no colo, abraçá-lo e sair correndo dali para nunca mais voltar. Senti o calorzinho dos braços dele ao redor do meu pescoço e, por um momento, todos os anos de dor e separação desapareceram. Aquele era o meu filho, e saber que ele não fazia ideia de quem eu era, partia meu coração. Respirei fundo, tentando controlar a avalanche de emoções que ameaçava me esmagar. Mas a dor não se limitava a Lucca. Ver Dante com outra mulher — sua noiva, agora — me tirou o chão. Como ele pôde seguir em frente assim? Como alguém que um dia jurou amor poderia me substituir e continuar a viver em paz? Cada sorriso trocado entre ele e aquela mulher foi como um punhal cravado em mim. Eu nunca signifiquei nada para ele? A mente girava em círculos, cheia de perguntas que não faziam sentido. O caminho até o escritório de David, no centro, foi um borrão. Quando cheguei, ele estava sozinho, como sempre, aguardando minha volta. Ao me ver entrar, ele largou tudo o que estava fazendo e veio até mim, preocupado. - Como foi a entrevista? - perguntou, sem rodeios. Sentei-me na cadeira de frente para ele, o peso das emoções me vencendo. Respirei fundo e comecei a contar tudo, desde o momento em que o segurança permitiu minha entrada até o momento em que entrei no escritório de Dante. Falei de como ele me olhou e perguntou se nos conhecíamos, deixando claro que, por mais que meu rosto o tivesse intrigado, ele não me reconheceu. - Por um segundo... Achei que ele fosse me reconhecer. Ele me olhou tão fixamente que o meu coração quase parou. – meus olhos se encheram de lágrimas e eu enxuguei rapidamente com as mãos. – Mas ele não reconheceu. E eu precisei mentir, fingir que era apenas mais uma estranha. David ouvia atentamente, mas quando mencionei o momento em que Lucca entrou no escritório, ele inclinou-se um pouco mais na cadeira, como se estivesse tentando absorver cada detalhe. - E então ele entrou... – a voz me falhou por um instante. – Lucca correu até o pai... – suspirei, a dor apertando ainda mais meu peito. – Ele veio até mim, David. Ele me abraçou. Você tem noção do que foi isso? Ele me olhou com aqueles olhinhos curiosos e estendeu a mãozinha para mim. E quando eu retribuí... ele sorriu e me abraçou. As lágrimas começaram a rolar pelo o meu rosto. Era impossível contê-las. - Foi como se tudo dentro de mim gritasse: esse é o meu filho!. Mas eu não podia fazer nada. Ficar ali e fingir que ele era só mais uma criança... foi a coisa mais difícil que eu já fiz. David passou a mão pelos cabelos, claramente desconfortável com o meu sofrimento. Ele sempre foi meu ponto de apoio, mas até ele parecia questionar minhas escolhas agora. - Sophie... – ele começou, a voz cautelosa. – Você tem certeza de que essa é a melhor forma? Não seria mais seguro tentarmos outra abordagem? Algum processo legal? Eu ri sem humor, um som amargo e desesperado. - Processo legal? Contra os Castellini? Você sabe tão bem quanto eu que eles são intocáveis. Lorenzo deixou isso bem claro quando levou Lucca de mim. Apresentou documentos falsos dizendo que eu era uma barriga de aluguel. Como eu poderia lutar contra isso? Eles têm tudo. E eu... eu não tenho nada. David franziu a testa, claramente insatisfeito com a situação. - Mas agora você tem uma chance, Sophie. Não precisa fazer isso sozinha. Podemos arranjar outra maneira. Balanço a cabeça, determinada. - Não há outra maneira. A única forma de eu conseguir provas é estando lá dentro, perto de Lucca. É o único jeito de expor Lorenzo e... – Engoli em seco, tentando manter a compostura. – E talvez até Dante. Ele me abandonou sem olhar para trás, David. Não sei se ele sabia de tudo na época, mas preciso descobrir. David se inclinou para frente, os olhos fixos nos meus. - Mas você mesma disse que Dante perguntou se vocês se conheciam... e se ele reconhecer você? Aquela possibilidade fez meu estômago se revirar, mas eu a afastei. - Mais ele não me reconheceu. – a firmeza na minha voz era mais para me convencer do que a David. – Com o tempo que passou, a mudança que fiz... estou diferente. E eu preciso que continue assim. David soltou um suspiro longo, passando a mão pelo rosto como se estivesse se rendendo. - Ainda acho uma loucura, mas entendo. – ele fez uma pausa antes de continuar. – E se algo der errado, Sophie? E se Lorenzo descobrir? - Eu não tenho escolha, David. – minha voz era firme, mas as mãos trêmulas denunciavam o meu medo. – Eu só preciso de uma chance. Só uma. Ele me olhou por um longo momento, parecendo pesar cada palavra. - Tudo bem. – ele assentiu devagar. – Mas prometa que vai tomar cuidado. E se algo sair do controle... me avise imediatamente. Sorri, mesmo que fosse um sorriso fraco. - Obrigada, David. Eu sei que você só quer me proteger. Fiquei mais alguns minutos ali, conversando com ele, sentindo o peso das decisões que tinha tomado. David continuava cético quanto à minha escolha, mas ele sabia que não poderia me convencer do contrário. Ele sempre esteve ao meu lado, e agora não seria diferente. Quando finalmente me despedi, a ansiedade começou a crescer dentro de mim. E se Dante me escolhesse para o emprego? E se Lorenzo suspeitasse? Tudo parecia tão frágil, tão arriscado. Mas essa era a única chance que eu tinha de recuperar o meu filho. Saí do escritório de David com o coração apertado, mas uma pequena esperança brilhava dentro de mim. Agora, tudo o que eu podia fazer era esperar. E rezar para que a ligação confirmando o emprego não demorasse muito.
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