Capítulo 5

1011 Palavras
A luz do sol invadiu o quarto através das cortinas entreabertas, atingindo meus olhos e me fazendo gemer de dor. Minha cabeça latejava, e a confusão reinava em minha mente. Lentamente, comecei a me dar conta de que algo estava definitivamente fora do lugar. Ao me sentar na cama, percebi a ausência das minhas roupas. Meu olhar percorreu o quarto, e a bagunça evidente fez com que eu arregalasse os olhos em surpresa. Lingeries femininas estavam espalhadas pelo chão, misturadas com as minhas próprias roupas. O que diabos tinha acontecido na noite passada? O som do chuveiro me atingiu, e minha confusão só aumentou. Minhas lembranças eram fragmentadas, como um quebra-cabeça desorganizado. E então, como um raio, as memórias da noite anterior começaram a retornar. O jantar, as risadas, o vinho... e a queda desastrosa que nos levou ao chão. Um sorriso involuntário se formou em meus lábios enquanto a lembrança da queda hilária veio à tona. Eu e Ellen, rindo e desequilibrados, caindo como dois tolos. A dor de cabeça que antes me incomodava parecia diminuir à medida que eu me permitia rir da situação absurda. Agora fazia sentido as lingeries e as roupas espalhadas. Mas onde estava Ellen agora? O som da água do chuveiro aumentou, e a confusão me guiou até o banheiro. A visão que se revelou diante de mim fez meu coração disparar e a dor de cabeça foi momentaneamente esquecida. Ellen estava no chuveiro, os contornos de seu corpo envolvidos pelo vapor que preenchia o ambiente. Cantando baixinho para si mesma, ela parecia completamente alheia à minha presença. Minhas bochechas esquentaram involuntariamente ao observá-la. Ela era simplesmente... deslumbrante. Minhas memórias podiam estar bagunçadas, mas a visão dela ali, tão próxima e tão bela, era clara em minha mente. No entanto, meus pensamentos foram interrompidos quando Ellen finalmente me notou. Ela piscou, seus lábios se curvaram em um sorriso travesso, e seu olhar foi carregado de sarcasmo. — Bem, bem, parece que a Bela Adormecida finalmente acordou. – Ela disse com um tom divertido. Revirei os olhos, tentando esconder o sorriso que ameaçava aparecer. — Não me diga que você é a minha fada madrinha. – Respondi, minha voz um misto de brincadeira e fingida irritação. Ela riu, um som que ressoou no espaço do chuveiro. — Bem, eu não tenho certeza sobre a fada madrinha, mas acho que a queda de ontem à noite deixou você com amnésia temporária. Minha testa franziu em confusão, e então a lembrança dela caindo e das risadas que compartilhamos voltou com força total. Soltei uma risada, abanando a cabeça. — A queda desastrosa no chão? Claro, como poderia esquecer disso? – Respondi, meu tom cheio de humor. Ela ergueu uma sobrancelha, um sorriso brincando em seus lábios. — Bem, pelo menos você se lembra disso. Sua memória seletiva é intrigante. Eu estava prestes a responder quando Ellen deu um passo em minha direção, agarrando minha mão e me puxando para dentro do box. Meu grito de surpresa foi abafado pelo som da água que nos atingiu. Por um momento, quase perdi o equilíbrio e caí novamente, mas me segurei na parede do chuveiro, ficando ensopado. — O que você está fazendo? – Exclamei, rindo e ao mesmo tempo me surpreendendo com a ação dela. Ela riu, seus olhos brilhando com diversão. — Acho que um banho gelado vai te ajudar a acordar completamente. Além disso, não quero ser a única toda encharcada aqui. Ela tinha um ponto. O chuveiro era espaçoso o suficiente para nós dois, e a água fria que nos atingia fez com que a ressaca momentaneamente se dissipasse. Olhei para Ellen, os cabelos molhados grudados em seu rosto, os olhos cintilando com travessura. — Você tem um jeito bem único de cuidar das ressacas. – Comentei, minha voz repleta de sarcasmo. Ela sorriu, seus dedos brincando com os cabelos molhados. — Ei, a ciência diz que água fria ajuda a melhorar a circulação. Além disso, eu não sou a culpada por essa sua ressaca, Sr. CEO Misterioso. Revirei os olhos, mas não pude conter um sorriso. — Tudo bem, você venceu. – Concedi, e então, com um gesto repentino, puxei Ellen para mais perto, fazendo-a cair na brincadeira. – Mas eu não estava preparado para uma aula de natação matinal. Ela riu, seus olhos encontrando os meus. — A vida é cheia de surpresas, Donatello. E parece que você tem um talento para nos meter em situações... interessantes. – Seu tom era carregado de segundas intenções. Seus olhos tinham um brilho travesso e malicioso. Deixei escapar uma risada, sentindo-me inexplicavelmente mais leve e descontraído naquele momento. — Pelo visto a senhorita sempre acorda com um bom humor. – digo após passar shampoo em meu cabelo. Suas mãos tocam os meus ombros e um sorriso malicioso surge em seu rosto delicado. — Parece que seu amigo também acorda de bom humor pelas manhãs. – pisca de um jeito sexy e olha para baixo. Meus olhos se arregalam ao notar minha ereção e escuto sua risada brincalhona. — Vamos, me ajude a esfregar as costas. – ela joga a esponja em mim. – Estou com fome e não consegui usar essa maldita cafeteira tecnológica de sua cozinha. Minha risada ecoa pelo banheiro, sua fala rabugenta era cômica. — Me sentia operando uma estação de lançamento de foguetes. – ela me olha por cima do ombro. – Toda sua cozinha é complexa demais pra mim. Saímos do banheiro, as gotas d'água ainda escorriam pelo meu corpo, criando um rastro úmido pelo chão. Ellen me seguia, seus cabelos molhados gotejando água pelo caminho. O clima entre nós era leve, como se a noite anterior tivesse criado uma nova dinâmica entre nós. Eu ainda sentia a dor de cabeça, mas agora ela estava acompanhada por um sorriso persistente. Após me vestir, entreguei-lhe uma camiseta e uma calça moletom, embora ficassem largas em seu corpo, davam um charme especial. Chegamos à cozinha e me virei para ela, observando sua expressão de mistério enquanto ela examinava os aparelhos de última geração ao redor.
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