Capítulo 6

1076 Palavras
— Bem-vinda à minha área tecnológica. – Disse com uma risada, enquanto avançava para mostrar como usar a cafeteira. Ela riu, olhando para a cafeteira com uma expressão hesitante. — Arena tecnológica, é? Isso parece um desafio que estou disposta a enfrentar. Sorri, dando-lhe instruções simples sobre como operar a máquina, desde moer o café até ajustar as configurações. — A primeira regra é não se intimidar. A segunda é não deixar que a máquina perceba que você está intimidada. – Brinquei, apontando para a cafeteira. – Cuidado, a cafeteira consegue farejar seu medo. Ellen piscou para mim, um sorriso divertido dançando em seus lábios. — Ouvi dizer que essas máquinas podem ser caprichosas. Vamos ver se ela gosta de mim. – Sua voz é divertida enquanto segura a embalagem de café. Enquanto ela começava a moer o café, eu fui até a geladeira para pegar alguns ingredientes para o café da manhã. O ambiente estava carregado com um misto de expectativa e uma energia brincalhona que não experimentara antes. Era estranho como, em tão pouco tempo, Ellen tinha conseguido transformar um lugar comum em algo animado e emocionante. Ela logo terminou com a cafeteira, olhando triunfante para o café recém-moído. — E aí, Donatello, acha que ganhei a batalha contra a cafeteira? Ri, pegando a jarra e despejando água na cafeteira, preparando-a para o processo de infusão. — Parece que sim. Acho que a máquina não resistiu ao seu charme. Ela riu, parecendo genuinamente satisfeita com seu pequeno triunfo tecnológico. Enquanto esperávamos pelo café pronto, começamos a cortar frutas e preparar o restante do café da manhã. Nossa proximidade e os movimentos coordenados criavam um ritmo quase sincronizado entre nós. A cada risada e troca de olhares, algo parecia estar se construindo entre nós além da atração física. Uma conexão mais profunda, uma sintonia. Sentia-me à vontade com Ellen de uma maneira que nunca pensei que fosse possível depois de uma noite tão intensa e descompromissada. Quando o café finalmente ficou pronto, servimos as xícaras e nos sentamos à mesa. Os raios de sol entravam pela janela da cozinha, criando padrões de luz e sombra sobre a mesa. Nossos olhares se encontraram, e havia algo mágico naquele momento. — Para alguém que enfrentou a temida cafeteira com tanta bravura, você merece um brinde especial. – Brinquei, levantando a xícara de café. Ela ergueu a xícara também, seus olhos brilhando com um misto de diversão e uma chama mais profunda. — À vitória sobre a tecnologia e a ressaca. Que isso seja o começo de muitas conquistas conjuntas. Batemos nossas xícaras em um brinde, e o líquido quente desceu pela minha garganta, aquecendo não apenas meu corpo, mas também algo dentro de mim que estava adormecido há muito tempo. Olhei para Ellen, um sorriso se formando em meus lábios, e ela me devolveu um olhar cheio de ternura. — Vai ser uma boa experiência conhecer a Itália ao seu lado, senhor Miller. – Sua voz é gentil, assim como seu sorriso. — Espero que a Lindsay consiga te auxiliar com os preparativos para a viagem. – Sorri ao vê-la me encarar. – Em breve estarei na Itália, creio que você deve ir depois. Sua testa se enruga e vejo uma micro expressão de decepção passar rapidamente pelo seu rosto. — Não sabia que iria viajar tão repentinamente. – Posso sentir seu desapontamento. – Pensei que teríamos mais tempo… Eu não podia esperar mais, existiam muitas coisas a serem resolvidas na Itália. De fato, essa não era a forma como gostaria de me afastar da empresa; queria que fosse com mais calma, mas não tinha escolha. Precisava descobrir o paradeiro de Mariana, saber que fim levou sua gravidez e o que fez com meu filho, precisava me vingar de Maria e fazê-la se afastar de minha família. E ainda tinha a homenagem anual ao meu pai... Céus, eu estava perdido em tanta confusão. Gostaria de contar a Ellen a verdade, que eu era o chefe da maior máfia da Europa e que estava em busca de vingança. Gostaria de contar todos meus segredos, meus anseios, meus pensamentos. Mas sabia que ela jamais entenderia, era cedo demais para me arriscar, ainda mais agora que não tinha tempo a perder. Suspiro, massageando minhas têmporas. — Existem muitas coisas urgentes na Europa que precisam de minha atenção. – Rio sem humor ao ver seus olhos brilharem com a decepção causada pelas minhas palavras. O breve momento de silêncio entre nós é quebrado pelo toque do meu celular. Olho a tela e vejo o nome "Héctor". Droga, não poderia atender, não na frente de Ellen. Ela não pode saber sobre minha vida criminosa. — Não vai atender? – Sua voz é curiosa. A olho com um sorriso calmo após colocar o celular no modo avião e o devolver ao meu bolso. — Não é nada importante, prefiro aproveitar esse belo café da manhã. – Minha voz sai calma e sincera, algo que provoca um sorriso em seu rosto. (...) Já era tarde, e o sol estava se pondo, tingindo o céu com tons alaranjados e dourados. Ellen dormia tranquilamente no sofá da sala. Meu celular começou a tocar novamente, e eu sabia exatamente quem era. Hector estava do outro lado da linha. Entrei no elevador e caminhei até o jardim, afastando-me do alcance auditivo de Ellen. A tecnologia que instalara no andar do jardim garantia nossa privacidade, pois só era ativada pela minha digital. Com um suspiro tenso, atendi a ligação. — O que você descobriu? – Minha voz estava firme, mas a tensão era palpável. Hector não perdeu tempo, sua voz grave e carregada de seriedade chegou aos meus ouvidos. — Senhor, conseguimos localizar Mariana. Um calafrio percorreu minha espinha, e meu coração acelerou com essa notícia. A adrenalina corria como fogo nas minhas veias. — Onde ela está? Ela tem meu filho? – Minhas palavras saíram quase num sussurro, carregado de ansiedade. Hector hesitou por um momento, como se escolhesse cuidadosamente suas próximas palavras. — Mariana está casada agora, Senhor. É por isso que foi tão difícil rastreá-la.– ele parece hesitante.– Ela se casou com Ryoichi Kobayashi, primo de Kimiko. Meu peito apertou com a revelação. Mariana casada, e com um primo de Kimiko? Minha mente rodopiava em choque, e as perguntas rapidamente se acumularam na minha cabeça. — E meu filho? – A voz saiu quase como um rosnado. Hector suspirou, um som carregado de significado.
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