Capítulo 7

1311 Palavras
— Apenas a criança deles, o filho de Mariana e Ryoichi, foi localizada. Tem dois anos de idade. – Ele fica em silêncio por um instante. – Mas sabemos que ela deu à luz há alguns anos. Um turbilhão de emoções me atingiu como um soco no estômago. Meu filho, meu próprio sangue, estava vivo, mas eu me sentia dilacerado por não saber onde ele estava, como estava e sob que cuidados. Uma fúria ardente começou a se infiltrar em cada parte do meu ser. — Conte-me tudo. – Minha voz soou baixa, mas a intensidade era palpável. Hector prosseguiu, sua voz carregada de informações pesadas. — Senhor, há registros que confirmam que Mariana deu à luz a uma menina chamada Giulia. – ele suspira.– Mas, infelizmente, não temos informações sobre o paradeiro atual da criança. Parece que ela desapareceu do radar pouco depois de nascer. Uma onda de choque percorreu meu corpo. Uma filha? Uma filha que eu nem sabia que existia. Giulia. O nome ecoou na minha mente como uma promessa não cumprida, um vínculo que eu não tive a chance de formar. Meu coração estava em turbilhão, uma mistura de surpresa e esperança se entrelaçam em meus pensamentos. Eu olhei para o pôr do sol, o céu agora tingido de tons vermelhos e laranja profundos. Parecia que o mundo ao meu redor estava mudando, ganhando novos significados, revelando segredos que eu nunca soube que existiam. — Mantenha um olho constante na família dela. – Minha voz saiu sombria, carregada de uma determinação sinistra. – Não quero perder de vista nenhum movimento deles até que eu chegue à Itália. Vou lidar com isso pessoalmente. A tensão no ar aumentava a cada palavra que eu dizia. Minha mente estava trabalhando em um turbilhão de emoções, desde o choque de descobrir que tinha uma filha até a fúria que me consumia ao pensar que ela foi mantida longe de mim. As sombras do entardecer pareciam ecoar o turbilhão de sentimentos dentro de mim. Hector confirmou com um tom grave. — Entendido, Senhor. Nós manteremos vigilância constante. E quando você chegar à Itália, tomaremos todas as medidas necessárias. Desliguei o telefone e fiquei ali, observando o sol se pôr completamente. O céu agora estava tingido de tons escuros de azul e roxo, uma escuridão que refletia o caos dentro de mim. Tinha uma filha, Giulia, uma parte de mim que foi mantida em segredo por tanto tempo. Mas agora, não era apenas a surpresa e a esperança que me dominavam; era a determinação implacável e o ódio profundo. Minha mente estava cheia de imagens sombrias, planos terríveis que eu traçaria para aqueles que me mantiveram longe da minha própria filha. O ódio que me consumia estava transformando minha expressão em algo quase demoníaco. O pôr do sol refletia a escuridão que havia tomado conta do meu coração. Eu não seria detido. Nada me impediria de encontrar Giulia, minha filha, e desvendar os mistérios que a cercavam. Minha determinação estava cimentada, minha ira fervilhava e, quando eu pusesse os pés na Itália, um vendaval de vingança seria desencadeado. Com a escuridão da noite envolvendo a cidade, e as luzes dos edifícios cintilando como estrelas distantes, eu permaneci no jardim, meu coração ainda fervilhando de emoções turbulentas. Com as mãos trêmulas, disquei o número de Lindsay. Ela atendeu após alguns toques. — Senhor, como está? – sua voz era simpática e gentil. Minha voz saiu fria e cortante, carregada de uma intensidade sombria. — Quero que você adiante minha viagem para a Itália para o final de semana. – Minhas palavras eram precisas, cada sílaba ecoando com determinação. Houve uma breve pausa do outro lado da linha. — Senhor, eu entendo a urgência, mas ainda não estamos prontos para essa viagem. Não fizemos os preparativos necessários para... A interrompi, minha voz gélida e sem emoção. — Adiante a viagem. Quero que meu jatinho esteja preparado para partir o mais rápido possível. Não importa o que precise ser feito, garanta que esteja pronto. Houve um silêncio momentâneo, e eu pude sentir a hesitação de Lindsay. Ela finalmente respondeu, sua voz mostrando um toque de preocupação. — Senhor, você está certo de que quer fazer isso tão precipitadamente? E o que aconteceu? Minha expressão permanecia impassível enquanto observava as luzes da cidade. Minhas palavras foram mais geladas do que nunca. — Isso não é da sua preocupação, Lindsay. Apenas faça o que eu estou ordenando. Adiante a viagem e prepare o jatinho. Houve um breve suspiro do outro lado da linha. — Muito bem, Senhor. Eu vou fazer o necessário. – ela suspira e seu tom se torna preocupado. – Mas saiba que pode contar comigo para qualquer coisa que precisar. Desliguei o telefone e continuei observando as luzes cintilantes da cidade. Minha mente estava em turbilhão, meus pensamentos escuros e incontroláveis como uma tempestade furiosa. Eu não tinha tempo para esperar. Giulia estava lá fora, em algum lugar, uma filha que eu não sabia que existia. As sombras que me envolviam agora refletiam o ódio profundo e a sede de vingança que ardia dentro de mim. E ninguém, absolutamente ninguém, ficaria no meu caminho.   Após horas de reflexão sombria, retornei à minha cobertura. A cidade lá fora ainda pulsava com vida, alheia aos torvelinhos emocionais que atormentavam meu interior. Adentrei a sala de estar, onde a televisão emitia uma luz suave, iluminando Ellen que estava sentada no sofá, seus olhos fixos na tela. Ela se virou ao me ouvir entrar, seu olhar curioso encontrando o meu. — Onde você estava? – Sua voz carregava uma pitada de preocupação. Eu a observei por um momento, as palavras flutuando em minha mente. Decidi por uma resposta que ocultasse a verdade. — Minha partida para a Itália teve que ser adiantada. Assuntos urgentes a serem tratados. – Minha voz saiu calma e controlada, apesar da turbulência que ainda existia dentro de mim. Houve um breve momento de surpresa em seus olhos, como se ela não esperasse a notícia, mas logo sua expressão se suavizou. Ela se levantou do sofá e veio em minha direção, seus passos lentos e cuidadosos. Suas mãos acariciaram meu rosto, e eu fechei os olhos, apreciando o contato reconfortante. — Não importa o que esteja acontecendo, Donatello. Quero que saiba que estarei aqui para você. Se precisar de apoio, de alguém para conversar, estou aqui. – Sua voz era suave, repleta de compreensão. Aquelas palavras atingiram algo dentro de mim, algo que eu raramente permitia que outros acessassem. Eu abri os olhos e olhei profundamente nos olhos dela, sentindo-me vulnerável e, estranhamente, grato por essa oferta de apoio. Fechei a distância entre nós, meus lábios buscando os dela num beijo calmo e carinhoso. Era um gesto que transcendeu a frieza que normalmente me cercava, era uma resposta à sua compreensão e à sua presença constante. Minhas mãos envolveram sua cintura, mantendo-a perto de mim, como se temesse que ela pudesse escapar. O beijo durou o suficiente para que nossas emoções transparecessem, para que ela soubesse que, apesar de todas as sombras que me envolviam, havia algo genuíno entre nós. Quando nos separamos, olhei-a nos olhos mais uma vez, meu coração mais leve do que antes. — Obrigado, Ellen. Sua presença faz toda a diferença. – Minhas palavras saíram sinceras, sem as camadas de reserva que eu normalmente mantinha. Ela sorriu, um sorriso que aqueceu meu coração de uma maneira que eu não esperava. — Não há de quê, Donatello. Agora, por que não nos sentamos e assistimos ao resto desse filme juntos? Eu assenti, deixando-me ser guiado por ela até o sofá. Enquanto nos acomodamos, senti um conforto genuíno em sua proximidade. O filme poderia estar passando na tela, mas o que realmente importava era o momento de conexão que compartilhamos, um momento de alívio em meio às turbulências que estavam por vir.
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