Pré-visualização gratuita CAPÍTULO 1
Amanda
Eu não consigo parar de sorrir, é impossível diante da felicidade que estou vivendo. Meu coração bate em ritmo acelerado com as lembranças da noite anterior, uma noite que se transformou em um capítulo mágico da minha vida.
Ao olhar para o dedo anelar, lá está ela, reluzindo como uma prova de que é real e uma promessa de que será eterno: a aliança que Cristiano colocou com tanto sentimento e entrega, mesmo com seu jeito marrento.
A cada olhar para aquela joia valiosa, uma onda de calor percorre meu corpo, porque o amor que sentimos um pelo outro, me aquece por dentro. Ao dizer joia valiosa, me refiro ao valor sentimental que ela representa para mim, e não pelos milhares de reais que ela custa.
Cristiano, de maneira surpreendente, selou nosso amor de uma forma que eu jamais poderia imaginar. Os momentos de carícias, respirações entrecortadas pelo ritmo intenso das várias relações sexuais e os risos que compartilhamos durante a madrugada toda, são lembranças milionárias que guardo em minha alma, eternizando a sensação maravilhosa de estar completa ao lado dele.
Sim, ao seu lado sou completa, sou inteira.
A aliança ficou um pouco folgada no meu dedo, mas Cristiano disse que o homem que vendeu a ele faz o ajuste e logo virá à comunidade para isso.
Dentro de um dos carros do Cristiano, vejo no banco do carona, um boné dele na cor preta e com um símbolo esquisito, que estava jogado ali. Tive a ideia de colocar e me olhei no espelho retrovisor, ajeitando os fios soltos por baixo dele e dou partida no veículo. Ainda não tenho muita prática de dirigir no Brasil, aliás, nenhuma, pois em Chicago eu utilizava esporadicamente o carro de Adriane e lá é muito diferente.
Ao atravessar o portão, CL e Rampinha, prontamente se movimentam com suas expressões sérias e posturas imponentes. Um deles tira o radinho do bolso e leva à boca, já sei que estão informando ao Cristiano sobre minha saída. Eles exercem com muita dedicação e seriedade seus papéis.
Lembro do tempo em que Tuim fazia esse trabalho. Na época, seu corpo era mais franzino e com menos tatuagens que hoje em dia, e também não tinha um semblante tão sério como atualmente, nem tantas responsabilidades como agora.
A familiaridade com a presença dos seguranças se tornou parte do meu cotidiano, e suas caras fechadas não me intimidam mais. Eles são como sombras atrás de mim, e eu não sei para que tanta neurose do Cristiano, afinal, não estou saindo do morro para lugar nenhum desde o aviso do meu pai, que eu não sei se era verdade ou não.
— Bom dia, CL! Bom dia Rampinha! — Eu os cumprimentei ao passar pelo portão, dirigindo o veículo. Não que minha habilitação americana tenha alguma validade no Brasil, mas aqui na comunidade não há problemas quanto a isso. Eles respondem com um aceno discreto e logo sobem na moto, vindo atrás de mim.
CL deve se chamar Cláudio, imagino eu. Mas que raio de vulgo é Rampinha?
O ar-condicionado do carro trabalhava a todo vapor, enquanto o calor do sol castigava a favela e eu dirigia inconsciente do turbilhão de acontecimentos que estava prestes a desencadear. Eu iria até a confeitaria da Diana esperar pela Fabi, que estava na pista e queria que nos encontrássemos para almoçarmos juntas.
Muito antes de chegar na confeitaria, passei em frente a sorveteria e o calor sufocante despertou em mim uma vontade imensa de experimentar um picolé. Parei o carro, desci e entrei.
Assim que paguei, ao me virar para ir em direção a saída, um estrondo me fez derrubar o picolé no chão, antes mesmo de tirá-lo da embalagem. O barulho apavorante eram rajadas que, pela intensidade, anunciavam uma nova invasão.
Atrás de mim, os três atendentes se jogaram no chão, tentando se proteger dos disparos. E eu, parada e com o cérebro congelado, olhando para meu picolé derretendo no chão, não conseguia me mover.
Foi então que o rapaz que acabara de me atender, gritou atrás do freezer com vários sabores de sorvete expostos, para que me abaixasse.
De repente, CL entrou com seu fuzil enorme em punho, atirando em direção ao lugar de onde veio.