Um mês depois
Vou atualizar vocês: eu e o Menor viramos muito próximos, melhores amigos. A sintonia que tenho com ele é surreal, amo aquela praga de graça! A Lua está ficando com o PH de novo, mas só eu e a Vicky sabemos. O MK e a Luh também estão se pegando, mas já faz duas semanas que ela deu uma sumida.
Sobre eu e o JP: a gente ficou várias vezes e transamos algumas também. Estávamos muito próximos, mas ultimamente ele está muito estranho. Não fala comigo, m*l dorme em casa e só vive atrás das putas do morro. Ele até jogou na minha cara que a gente "só fez s**o" e que eu não era nada dele. Ele mudou completamente. Às vezes fico pensando se fiz algo de errado para ele se afastar assim do nada.
Para piorar, estão tentando invadir o morro há uma semana. A Juju fez 12 meses e começou a falar tudo, coisa mais fofa! Ela não me larga mais e começou a me chamar de "mamãe"; quase surtei de amor, mas enfim, kkkk. O amor que sinto por ela é inexplicável. A Lice deu uma sumida por conta dos problemas no morro dela. Eu já posso sair de casa, mas como o clima está tenso com a ameaça de invasão, os meninos não estão deixando ninguém descer.
Hoje é quinta-feira. Estou jogada no sofá, acabei de acordar e não tem nada para fazer. O JP já saiu; ele me viu aqui? Não. Nem ele falou, nem eu. Juju e Lua ainda estão dormindo. Acabo pegando no sono aqui no sofá mesmo.
JP Narrando
Eu e a Luna estávamos em um clima bom, mas não dá mais. Acho que estou sentindo algo por ela, e essa mina mexe com a cabeça de qualquer um. Nossa transa se encaixa tão bem, mas é melhor me afastar. Estou com a cabeça cheia com esses p*u no cu querendo invadir meu morro.
Vou para casa estressado, mas quando escuto a voz da Lua e vejo a Juju, sinto uma paz que nem sei explicar. Agora estou aqui na gerência resolvendo uns bagulhos que estão me dando a maior dor de cabeça.
Eu: — POOORRAAAA! — grito e dou um murro na mesa.
Menor: — Calma, mano. — diz entrando. — Deixa eu ver isso aí. — Entrego os papéis para ele.
Eu: — O bagulho não bate, c*****o! — falo e ele começa a conferir.
Menor: — Realmente, tem algo errado aqui. Mano, vai dormir, descansar. Você não faz isso direito há dias. — Eu n**o. — Eu, o MK e o PH cuidamos de tudo.
Eu: — Qualquer coisa, me chama no rádio.
Ele concorda. Monto na moto e dou partida para casa. Estou com muita raiva; não sei quem é o filha da p**a que está tentando invadir, sinto que estou sendo passado para trás e isso nunca aconteceu comigo. Posso admitir para mim mesmo: estou com medo de perder meu trono. Isso não pode acontecer.
Chego em casa, entro e vejo a Luna coçando o olho. Ela me olha, mas eu passo direto e vou para o meu quarto tomar um banho. Saio do banheiro e a Luna está sentada na minha cama. Visto apenas uma cueca e uma calça de moletom. Quando ia saindo, ela me chama:
Luna: — Senta aqui, quero falar com você. — Eu sento.
Eu: — Manda o papo.
Luna: — Você não quer falar comigo, beleza. Mas me diz o porquê de você estar assim.
Eu: — Assim como?
Luna: — m*l liga para a Juju... ela sente saudade do pai, sabia? Você está distante de todo mundo. Às vezes chega chapado ou bêbado.
Eu: — Muita coisa na cabeça, Luna.
Luna: — O Menor me disse como você está lidando com a possibilidade dessa invasão. — Típico do Menor fofoqueiro. — Por que isso te trava tanto?
Eu: — Eu não sei quem é o filha da p**a que está tentando invadir. Estão me passando para trás e eu odeio isso. A última vez que isso aconteceu, meu pai estava no comando e, por causa dessa invasão, eu perdi duas pessoas que eu amo. Isso está mexendo com a minha mente.
Luna: — Calma, vai dar tudo certo. Já parou para pensar que, só porque aconteceu com seu pai, não significa que vai acontecer com você? Ninguém é igual a ninguém.
Eu: — Aí é que está o problema. Eu não sou igual a ele. Ele comandava o morro como ninguém, eu não chego nem perto. — falo lembrando do passado.
Luna: — Se você chega perto ou não, eu não sei. Mas sei que você comanda esse morro muito bem. Você ajuda as pessoas, não aceita injustiça... não é à toa que todos te respeitam. — Fico calado. — Você pode se afastar de mim, mas da Júlia não. Ela sente sua falta... e eu também sinto. Por que você está assim comigo?
Nesse momento, o Menor começa a gritar no rádio.
Rádio ON
Menor: — JP, JP! Sobe para cá agora! Tão invadindo o morro!
(Nessa hora, o som dos foguetes e dos primeiros tiros começa a ecoar lá fora)
Eu: — Jae, meu pit! Estou indo!
Rádio OFF
Eu: — PORRAAAA! — Dou um t**a na cama e levanto num pulo.
Luna: — Vai dar tudo certo. — Ela levanta e me dá um abraço apertado. Eu retribuo e dou um beijo nela.
Eu: — Me espera. A gente vai terminar essa conversa. — falo ao parar o beijo.
Visto uma blusa, vou até a salinha secreta no meu quarto e pego meu colete. Boto a bandoleira com o fuzil, pego uma metralhadora, duas pistolas e uma mochila com munição. Luna me olha assustada.
Eu: — Toma. — Entrego uma pistola para ela. — A Lua sabe usar. Pega a Juju e vai para o cofre. Só abra para mim, para o MK, para o PH ou para o Menor.
Desço as escadas correndo e ela vem atrás. Antes de eu cruzar a porta, escuto ela sussurrar:
Luna: — Não esquece de voltar para mim... para nós.
Saio de casa pronto para a guerra.