Luna Narrando
Três dias depois
Acordo e logo lembro que hoje é o dia do pagamento. Eu não achei meu pai e muito menos consegui o dinheiro. Levanto, vou tomar banho, me visto e vou para a cozinha comer. Depois, vou para a sala assistir Riverdale; falta só um capítulo para acabar. Termino e coloco no desenho da Bela e a Fera.
45 minutos depois
Escuto batidas na porta e vou ver quem é. Abro e dou de cara com o MK — acho que é esse o nome. Fiquei nervosa já sabendo do que se tratava.
MK: — Vim te buscar. Meu irmão está querendo bater um papo contigo. — Eu concordo.
Eu: — Vamos.
Subo na moto e fomos para o morro. Chegamos, desço e espero por ele. Ele bate na porta e mandam entrar; ele vai na frente e eu atrás.
MK: — Ela está aí. Quando acabar, me manda um rádio para eu levar ela. — O JP concorda e o MK sai.
JP: — E aí, cadê meu dinheiro? — Fala com uma cara nada amigável.
Eu: — Não consegui... — Abaixo a cabeça.
JP: — Infelizmente, seu paizinho vai morrer. — Eu olho para ele, desesperada.
Eu: — Não, por favor, não mata ele! — Falo já com as lágrimas caindo. — Eu faço o que você quiser! — Ele me olha dando um sorrisinho.
JP: — Seja mais clara.
Eu: — Você pode ficar comigo como pagamento... até eu arrumar o dinheiro. — Falo quase sem voz, mas com certeza ele escutou. Eu não queria isso, mas não podia deixar que matassem a única pessoa que sobrou da minha família.
JP: — Eu aceito. Mas nada de "até você arrumar". O MK vai te levar, você vai arrumar suas coisas e faz o que tiver que fazer. Às sete horas eu vou te buscar e já quero você na porta. Se inventar de fazer gracinha, eu mato seu pai e depois você. — Fala seco e chama o MK.
O MK veio, subo na moto e peço para ele me deixar na casa da Luh. Chego e já vou entrando; não vejo ninguém, então vou direto para o quarto dela. Ela está mexendo no celular e leva um susto quando me vê.
Luh: — E aí, como foi lá?
Eu: — Vou morar com ele. Me dei como pagamento, não posso deixar matarem meu pai. — Falo e ela me encara, chocada.
Luh: — Amiga, que barra... e eu nem posso fazer nada! — Começa a chorar.
Eu: — Pode sim. Por enquanto, não diga nada à tia. Vamos passar a tarde juntas, não sei se vou poder te ver mais.
Ela concorda e me dá um abraço. Descemos para assistir série, mas antes fizemos chocolate e pipoca.
JP Narrando
Vou falar a real: eu não sou uma pessoa tão r**m ao ponto de aceitar uma pessoa como pagamento de dívida. Mas a Luna é diferente. Eu queria ela para mim.
Ela é uma mina inocente; pensa que o querido papai dela só tem dívida comigo. O cara deve para três morros e os donos são muito piores que eu!
Acendo um baseado e começo a resolver uns negócios. O v***o do PH e o dominado do Menor entram.
Eu: — Não bate mais nessa p***a, não?
Menor: — Não. — Fala irônico. Um dia eu mato esse cara.
PH: — E aí, como está a vida, JP?
Eu: — Está sussa. E a sua?
PH: — Na mesma, né.
Menor: — E a dívida do velho lá?
Eu: — Já resolvi. — Falo e dou um trago.
PH: — Está pegando alguma coisa, v***o? Você só fuma quando está com raiva ou algo te incomoda.
Eu n**o. Ficamos conversando e resolvendo uns bagulhos até dar a hora de buscar a mina.
Luna Narrando
Já estou pronta esperando o JP na porta. Passei a tarde toda com a Luh, vi a tia e assistimos série. Depois arrumei minhas coisas. Vejo um carro preto parando.
JP: — E aí. — Fala após descer do carro. Ele me ajuda com as bolsas e entramos.
Eu: — Oi. — Falo seca.
Fomos para o morro. Subimos até o topo e paramos em uma casa bem bonita; era a única ali em cima, com apenas outras três por perto. Dava para ver quase tudo lá de baixo. Tinha uns sete homens na porta.
JP: — E aí, venham pegar as bolsas. — Dois homens se aproximam. O JP entra e eu vou atrás. — Vou te mostrar seu quarto. — Fala seco e sobe as escadas.
O quarto era em frente ao dele. Era grande, todo branco e bem aconchegante. Tinha um banheiro bem bonito também. Os dois homens descem e ele me olha:
JP: — A partir de hoje, você só sai para a rua se eu deixar. Não quero você muito fora do quarto. Não me desobedeça e nem me responda, senão você vai sofrer as consequências. — Eu concordo. Era só o que me faltava.
Ele sai e eu vou arrumar minhas roupas. Acabo e sinto fome. Vou até a cozinha e, depois de quase me perder no casarão, finalmente acho. Abro a geladeira para fritar um ovo e comer com pão, quando, do nada, vejo uma bebê muito fofa se arrastando pelo chão.
Eu: — Oie, neném! — Ela estica os bracinhos e eu a pego. Nisso, uma menina bem bonita entra.
Xxx: — Quem é você??? — Me olha com cara f**a.
Eu: — Me chamo Luna. — Falo encarando ela.
Xxx: — Você é alguma p**a do JP?
Eu: — Não! — n**o rapidamente.
Xxx: — Ah, então eu sou a Luara, mas pode me chamar de Lua. — Fala simpática e eu começo a rir. — Está fazendo o que aqui?
Eu: — Longa história. Resumindo: meu pai devia onze mil para o JP, eu não consegui pagar, então eu fui o pagamento. Vou morar aqui agora. Ele é seu marido? Ela é sua filha? — Pergunto confusa.
Lua: — Não acredito que aquele filha da p**a fez isso! Não, ele é meu irmão. E ela é minha sobrinha, filha dele.
Eu concordo. A gente comeu e ficou conversando até que o JP entrou na cozinha. A bebê começou a sorrir para ele, que a pegou no colo.
Lua: — Chegou cedo.
JP: — Vejo que vocês duas já se conheceram. Agora, você: já pode subir, né? — Eu olho para ele, mas não queria briga.
Eu: — Tchau, Lua, boa noite. Tchau, neném. — Vou até a pequena e dou um beijo na bochecha dela. Ela dá uma risada gostosa e o JP me observa. Para ele, nem dei tchau. Subo, tomo banho e vou dormir.
Lua Narrando
Não gostei da atitude dele de aceitá-la como pagamento, mas né... Resolvi não falar nada, porque ele vai dizer que o assunto é dele e que não é para eu me meter. Vamos aguardar os próximos capítulos.
JP Narrando
Lua: — Oi, né? — Fala e eu olho para ela.
Eu: — O que foi agora?
Lua: — Você não para mais em casa. Esqueceu que tem filha? Ela sente saudades de você, sabia?
Eu m*l paro em casa. Sempre que venho, a pequena está dormindo.
Eu: — Estão acontecendo muitas coisas e estou evitando vir quando vocês estão acordadas. Não quero descontar em vocês. — Ela n**a com a cabeça.
Lua: — OK. Mas lembre que VOCÊ TEM UMA FILHA! — Fala alto e eu concordo.
Eu sei que tenho. Só não quero descontar o estresse nela; às vezes não me controlo.
Eu: — Pode ir dormir, eu cuido dela agora.
Ela concorda. Quando ela ia saindo, eu a puxo e dou um abraço.
Eu: — Obrigado. Por mais que não pareça, eu ainda amo você. — Falo irônico, fazendo ela rir.
Lua: — Eu também amo você... ainda.
Eu começo a rir. Ela sobe e eu vou logo atrás. Vou para o quarto da Júlia, pego uma roupa e levo ela para o meu quarto. Tomo banho com ela; minha bonequinha me traz uma paz terrível. Visto ela, deito e ficamos brincando até ela pegar no sono. Acabo dormindo também