Capítulo 45 – Chuva de Concreto

1518 Palavras

Grego Choveu a noite inteira. A Rocinha, quando chove, exala ferrugem e sabão, e a ladeira vira catecismo de equilíbrio. Eu caminho devagar, capuz baixo, o rádio no bolso como um coração auxiliar. A Madrugada dorme meia hora por dia; o morro, nunca. Meu trabalho é ser guarda-chuva de concreto: segurar as goteiras grandes e ensinar o resto a escorrer sem derrubar ninguém. — Chefe, a caixa do beco da Sogra estourou — avisa Pipa pelo rádio. — “Água de rua” misturada com “água nossa”. O homem da milícia apareceu ontem oferecendo “proteção do fluxo”. — Proteção de água? — eu rio, sem humor. — Manda ele lavar a própria cara primeiro. Subo mais duas vielas. A caixa d’água comunitária é uma barriga de metal com cicatriz. China já está com a chave inglesa, o tênis encharcado e um palavrão respe

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