Capítulo 46 – Coleção de Portas

1301 Palavras

Lorena Hotel de Ipanema tem cheiro de maresia engarrafada e silêncio de tapete caro. Eu chego vinte minutos antes: regra. O hall é aquário: recepção sorrindo, esculturas que parecem peixes parados, música que finge piano. Respiro como quem conta degraus. Portas: principal, escada de incêndio, corredor de serviço, passarela para o deck — quatro saídas, duas minhas, duas “do hotel”. O resto eu invento. No elevador, o espelho me devolve a mulher que assina os próprios mapas. Brinco gravador on. Celular no envelope de Faraday; outro, “mudo e cego”, para emergências. Spray, batom UV, alfinete no coque. Palavra-sinal da noite: rubra. Se eu disser, o mundo volta para a posição segura. O cliente do programa — Marcelo, executivo com inglês nos ombros — abre a porta da suíte com as mãos visíveis.

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR