Pré-visualização gratuita Encontro Explosivo
A atmosfera no salão era tensa, mas cheia de glamour. O som dos talheres de prata contra pratos de porcelana ecoava suavemente pelo espaço, intercalado pelo murmúrio discreto dos convidados que circulavam com taças de champanhe nas mãos. O evento de gala promovido pela Federação Empresarial tinha como objetivo principal reunir os maiores nomes do setor para angariar fundos e formar alianças estratégicas. Para Helena Costa, no entanto, a noite representava algo muito mais importante: uma última tentativa de salvar a empresa de eventos que herdara do pai.
Vestindo um vestido preto justo, com um decote elegante e um brilho sutil que refletia a luz dos lustres de cristal, Helena tentava exibir confiança. Por dentro, no entanto, seu coração batia tão rápido que ela teve que respirar fundo várias vezes antes de se aproximar do anfitrião do evento, um magnata do setor de construção civil. Ela sabia que sua empresa estava à beira da falência, mas acreditava que, com a abordagem certa, poderia convencer os investidores de que sua expertise em eventos luxuosos era valiosa.
Enquanto trocava sorrisos calculados e palavras ensaiadas com potenciais investidores, Helena sentiu um toque suave em seu ombro. Ao se virar, deu de cara com um homem de terno impecavelmente ajustado, seus olhos tão penetrantes quanto um raio. Ele era alto, com cabelo escuro perfeitamente penteado e um ar de autoconfiança que parecia ser tão natural quanto respirar.
— Com licença — disse ele, sua voz firme, porém levemente sarcástica. — Parece que estamos competindo pelo mesmo público.
Helena ergueu uma sobrancelha, tentando ignorar a forma como ele parecia dominar o ambiente com sua simples presença.
— Competindo? — ela rebateu, mantendo a compostura. — Não sabia que havia uma disputa oficial acontecendo aqui.
O homem sorriu, um sorriso que parecia tanto um desafio quanto um charme calculado.
— Rafael Montenegro — ele se apresentou, estendendo a mão.
Helena apertou a mão dele, sentindo um aperto firme, mas cordial.
— Helena Costa.
— Ah, claro — Rafael disse, com um tom que a deixou desconfiada. — A herdeira da Costa Eventos. Ouvi dizer que a empresa está passando por momentos... desafiadores.
O sangue de Helena ferveu, mas ela manteve o sorriso no rosto.
— Desafios fazem parte do negócio. Tenho certeza de que um homem da sua posição entende isso bem.
— Claro — ele disse, inclinando levemente a cabeça. — Mas, às vezes, é preciso saber quando deixar algo para trás.
Helena se controlou para não apertar os punhos. Era a primeira vez que conhecia Rafael Montenegro, mas já tinha ouvido histórias sobre ele: um homem implacável nos negócios, conhecido por comprar empresas em dificuldades e transformá-las em peças lucrativas para seu império. Ela sabia que, para alguém como ele, sua empresa era apenas mais uma oportunidade de lucro.
— Engraçado você dizer isso — retrucou Helena, mantendo o tom casual. — Porque alguns de nós preferem lutar pelo que é nosso, em vez de apenas colecionar troféus.
Rafael arqueou a sobrancelha, como se estivesse genuinamente impressionado pela resposta dela. Antes que pudesse responder, o anfitrião do evento, senhor Vasconcellos, se aproximou, interrompendo o momento.
— Helena, Rafael! Que bom vê-los aqui — disse ele, com um sorriso amplo. — Espero que estejam aproveitando a noite.
— Certamente, senhor Vasconcellos — respondeu Rafael, sua postura imediatamente se tornando mais formal.
Helena apenas sorriu, ainda tentando recuperar o controle após o embate verbal.
— Helena — continuou o anfitrião —, Rafael aqui mencionou que sua empresa tem organizado eventos excepcionais. Talvez ele possa ajudar você a expandir seus negócios.
Helena olhou para Rafael, que lhe devolveu um olhar desafiador, quase como se estivesse provocando-a a dizer algo.
— Tenho certeza de que Rafael é mais acostumado a destruir do que a construir parcerias — disse Helena, sua voz doce, mas com um toque de ironia.
O anfitrião soltou uma risada desconfortável, enquanto Rafael apenas sorriu de lado, claramente se divertindo com a situação.
— Na verdade, eu prefiro transformar o que está quebrado — rebateu Rafael. — Talvez possamos discutir isso em outro momento, Helena. Quem sabe eu tenha algo a oferecer para... salvar o que resta.
Helena sentiu a indignação subir à garganta, mas antes que pudesse responder, Rafael fez uma leve reverência e se afastou, deixando-a sozinha com o anfitrião.
— Ele é... intenso — comentou senhor Vasconcellos, tentando aliviar o clima.
Helena respirou fundo e forçou um sorriso.
— Digamos que ele deixou uma impressão — disse, com os dentes cerrados.
Enquanto Rafael se afastava, ele não conseguiu evitar olhar para trás. Algo em Helena o intrigava. Ela não era como as outras pessoas que ele encontrava em eventos desse tipo — bajuladoras ou submissas. Não, Helena tinha fogo, e ele estava curioso para saber até onde isso a levaria.
Helena decidiu que não deixaria Rafael estragar sua noite. Afinal, estava ali com um propósito claro: garantir os contatos necessários para impulsionar a Costa Eventos. Tomou um gole de champanhe e se aproximou de uma roda de empresários que discutiam sobre possíveis parcerias no setor de eventos. Sua postura era firme, e seu sorriso encantador escondia a tempestade que Rafael havia causado em seu interior.
Enquanto Helena conversava com o grupo, Rafael, do outro lado do salão, a observava com atenção disfarçada. Ele não era o tipo de homem que deixava os sentimentos interferirem nos negócios, mas algo em Helena o incomodava. Talvez fosse a confiança dela, ou o fato de que não se deixou intimidar por ele. Uma coisa era certa: Helena Costa não seria fácil de lidar.
— Sr. Montenegro — chamou um de seus assessores, interrompendo seus pensamentos. — A apresentação da sua proposta está prestes a começar.
Rafael assentiu e seguiu para o pequeno palco montado no centro do salão. Sua presença foi imediatamente notada. O burburinho cessou, e os convidados se voltaram para ele. Rafael era conhecido por seu carisma e pela capacidade de prender a atenção de uma sala inteira.
— Senhoras e senhores — começou ele, com a voz firme e segura. — É um prazer estar aqui esta noite, compartilhando nossa visão para o futuro.
Helena, que tentava ignorá-lo, acabou capturada pela apresentação. Ele falava sobre estratégias de inovação, crescimento sustentável e parcerias que beneficiariam todos os envolvidos. Por mais que ela não quisesse admitir, Rafael era brilhante.
Assim que a apresentação terminou, Rafael foi cercado por empresários interessados em discutir oportunidades. Ele trocou algumas palavras rápidas antes de seguir em direção ao bar, onde encontrou Helena, que terminava de responder a uma mensagem no celular.
— Impressionada? — perguntou ele, casualmente.
Helena ergueu os olhos, estreitando-os levemente.
— Impressionada com o talento para autopromoção? Talvez.
Rafael riu, inclinando-se levemente contra o balcão.
— Você é boa nisso, sabia? Sempre com uma resposta afiada.
Helena deu de ombros, tentando disfarçar o leve rubor que subiu às bochechas.
— E você é bom em interromper as pessoas. É um talento natural?
— Só quando vejo potencial — respondeu ele, provocativo.
Antes que Helena pudesse responder, o garçom chegou com dois copos de uísque que Rafael havia pedido. Ele ofereceu um a ela, mas Helena balançou a cabeça.
— Prefiro champanhe, obrigada.
— Nada como um uísque para relaxar após uma noite de negociações — comentou Rafael, tomando um gole. — Então, diga-me, Helena, o que realmente a trouxe aqui esta noite?
Ela inclinou a cabeça, estudando-o por um momento antes de responder.
— O mesmo que trouxe todos aqui: oportunidades.
— E acha que vai encontrá-las com esse seu... charme defensivo?
Helena riu, mas foi um riso seco.
— Prefiro ser defensiva a ser invasiva, como alguns aqui presentes.
Rafael arqueou as sobrancelhas, mas antes que pudesse retrucar, um dos convidados do evento interrompeu a conversa. Era o senhor Almeida, um investidor veterano que Helena vinha tentando conquistar há meses.
— Helena, preciso dizer que fiquei impressionado com sua postura esta noite — disse Almeida, apertando a mão dela. — Precisamos conversar sobre possibilidades.
— Claro, senhor Almeida — respondeu Helena, lançando um olhar discreto para Rafael, como se estivesse comemorando uma pequena vitória.
Enquanto os dois se afastavam para discutir negócios, Rafael ficou parado, observando. Ele não sabia exatamente o que era, mas algo em Helena Costa o intrigava mais do que deveria.