A proposta inesperada

1293 Palavras
Helena estava na sala de reuniões de sua empresa, revisando detalhes de um casamento de luxo que organizaria no próximo fim de semana. Apesar de estar concentrada no trabalho, sua mente vagava para a pressão constante que sua mãe, exercia sobre ela. Desde a morte de seu pai, Helena sentia que precisava manter a empresa de eventos como uma forma de honrar seu legado, mas a cobrança incessante de sua mãe só tornava a tarefa mais pesada. Ao terminar a reunião, Helena voltou para sua sala, onde encontrou Amanda, sua assistente, parada na porta com uma expressão preocupada. — Helena, o doutor Eduardo está aqui. Ele disse que é urgente. Helena franziu o cenho. Eduardo era um advogado renomado e um velho amigo de sua família, mas não era comum aparecer sem avisar. — Mande-o entrar, por favor. Amanda assentiu e abriu a porta para Eduardo, que entrou com a calma habitual, carregando sua pasta de couro. — Helena, obrigado por me receber tão de repente — começou ele, sentando-se na cadeira à sua frente sem esperar convite. — Eduardo, você sabe que é sempre bem-vindo. Mas, pelo seu tom, imagino que tenha algo sério para tratar — respondeu, intrigada. Eduardo abriu a pasta, retirando um contrato preliminar, mas manteve os papéis nas mãos enquanto a olhava com firmeza. — Estou aqui para falar sobre algo que pode beneficiar você e Rafael Montenegro. Helena estreitou os olhos ao ouvir aquele nome. — Se isso tem a ver com Rafael, a resposta é não antes mesmo de você continuar. Eduardo sorriu com calma, como se já esperasse essa reação. — Sei que vocês dois não se dão bem, mas isso não significa que não possam ajudar um ao outro. — Ajudar como, exatamente? — perguntou, cruzando os braços. Eduardo colocou o contrato sobre a mesa, alisando os papéis antes de prosseguir. — Um casamento de conveniência. Helena piscou, atônita, antes de soltar uma risada incrédula. — Um casamento de o quê? Você só pode estar brincando. — Não estou — respondeu Eduardo, imperturbável. — Pense nisso como uma parceria de negócios, nada mais. Sua empresa está enfrentando dificuldades financeiras, e todos sabem disso. Uma união com Rafael traria mais visibilidade e segurança ao mercado. Helena balançou a cabeça, ainda incrédula. — E o que ele ganharia com isso? — Rafael está sob pressão dos investidores, que exigem que ele mostre estabilidade emocional e um compromisso com a imagem pública. Um casamento com você resolveria isso. — Eduardo, eu m*l consigo olhar para aquele homem sem querer discutir. Você acha que vou casar com ele? Eduardo abriu um sorriso sereno. — Eu não espero que você tome uma decisão agora. Apenas leia o contrato. Veja as cláusulas. É algo temporário, Helena. Depois de um ano, vocês seguem suas vidas normalmente. Helena pegou os papéis, ainda sem acreditar no que estava ouvindo. Por mais absurda que a ideia parecesse, não conseguia ignorar o peso das dificuldades que enfrentava. Enquanto isso, no outro lado da cidade, Rafael estava sentado em seu escritório, analisando os mesmos documentos que Eduardo havia levado para ele. — Casar com Helena Costa... — murmurou, soltando um suspiro exasperado. — Isso vai ser divertido... só que não. Helena passou os olhos pelas páginas do contrato, a mente a mil. As cláusulas estavam bem detalhadas: duração do casamento, benefícios para ambas as partes e até um período mínimo de convivência. Ela fechou o documento e o colocou na mesa, cruzando os braços. — Eduardo, isso é ridículo. Um casamento? Temporário ou não, é absurdo. Eduardo manteve sua expressão calma, inclinando-se levemente para a frente. — Ridículo seria perder a empresa que seu pai construiu com tanto esforço. Eu conheci seu pai, Helena. Ele era um homem prático. Não acho que ele teria descartado uma solução tão eficaz. A menção ao pai dela foi um golpe inesperado. Helena sentiu o coração apertar, mas não deixou transparecer. — Meu pai nunca teria concordado com isso, Eduardo. Ele era um homem de princípios. — E também era um homem de negócios. — Eduardo a encarou, sério. — Pense nisso, Helena. Não é sobre amor ou sentimentos. É um acordo. Uma aliança para benefício mútuo. Helena bufou, levantando-se da cadeira e caminhando até a janela. Lá fora, o sol brilhava, mas dentro dela tudo parecia cinza. — E se eu não aceitar? — perguntou, sem se virar. — Então, você terá que encontrar outra solução rápida para os problemas financeiros da empresa. E Rafael terá que lidar com os investidores sozinho. Mas, honestamente, acho que ambos sabem que esta é a melhor saída. Helena permaneceu em silêncio por alguns instantes, encarando a rua movimentada. — Me dê um tempo para pensar — disse, finalmente, sem emoção na voz. Eduardo assentiu, levantando-se com um sorriso cordial. — Claro. Mas, por favor, não demore muito. Situações como essa exigem rapidez. Quando ele saiu, Amanda entrou imediatamente, curiosa. — O que ele queria? Helena olhou para a assistente, hesitando. — Nada. Só mais um problema para resolver. Amanda franziu o cenho, mas não pressionou. --- Do outro lado da cidade Enquanto isso, Rafael estava no escritório de sua empresa, tamborilando os dedos na mesa enquanto encarava o contrato. Ele tinha lido cada linha, e apesar de entender a lógica por trás da proposta, a ideia de se casar com Helena Costa o fazia revirar os olhos. — Isso é loucura — murmurou para si mesmo. — O que é loucura? — perguntou Gustavo, seu amigo e sócio, entrando sem bater. — Essa proposta. — Rafael jogou o contrato na mesa, apontando para ele. — Eles querem que eu case com a Helena Costa. Gustavo arqueou uma sobrancelha, pegando os papéis. — Helena? Aquela Helena? — Sim, aquela Helena. Gustavo começou a rir, balançando a cabeça. — Cara, vocês dois juntos? Isso vai ser uma guerra. — Exatamente. E ainda assim, Eduardo acha que é uma boa ideia. — Bem, pensando friamente... pode até ser. Você resolve o problema com os investidores, e ela mantém a empresa. — É, porque casamento é só isso, não é? Uma transação comercial. — No seu caso, sim. — Gustavo deu de ombros. — E, convenhamos, pior do que as reuniões intermináveis que você já enfrenta não pode ser. Rafael bufou, mas sabia que Gustavo tinha razão. Ele estava em uma posição delicada, e os investidores estavam cada vez mais exigentes. Talvez um casamento fosse o menor dos males. — Tá, digamos que eu aceite. Como eu convenço a Helena? Gustavo deu um sorriso divertido. — Boa sorte com isso. --- De volta à casa de Helena Naquela noite, Helena estava sentada na sala com a mãe, Márcia. A televisão estava ligada, mas nenhuma das duas prestava atenção. — Você parece preocupada — comentou Márcia, olhando para a filha. Helena hesitou antes de responder. — É a empresa, mãe. Estamos enfrentando problemas, e... surgiu uma solução, mas não sei se é o certo. Márcia endireitou a postura, encarando-a com firmeza. — Helena, você sabe o quanto seu pai trabalhou para construir essa empresa. Não é hora de hesitar. — Você diz isso como se fosse fácil — retrucou Helena, frustrada. — Eu digo isso porque é necessário. Às vezes, precisamos fazer sacrifícios pelo bem maior. Helena sentiu a pressão crescer novamente. Sua mãe sempre tinha essa habilidade de fazê-la se sentir culpada por qualquer decisão que não fosse absolutamente perfeita. — Vou pensar nisso — respondeu, antes de se levantar e ir para o quarto. Sozinha, Helena olhou para o contrato sobre sua mesa de trabalho. As palavras pareciam dançar na página, mas uma frase em particular chamava sua atenção: "Um ano. Apenas um ano." Ela suspirou, fechando os olhos. — O que eu faço agora?
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