Eva
Assim que passamos pelos grandes portões da Universidade nós ficamos em silêncio. Acho que ambas estávamos deslumbradas demais com o quanto era bonito o lugar e grande. Por um momento me emociono de ter conseguido chegar tão longe, é um sonho começando a ser realizado. Apesar de ainda não ter iniciado as aulas, há uma muitos alunos passando daqui para lá, provavelmente fazendo o mesmo que nós, acertando os últimos detalhes para o início da aula.
— Oh meu Deus! — Paula diz.
— Eu sei... é maravilhoso demais. — Completo.
— Sim, mas eu estava me referindo a todos esses gostosos passando. Nossa, já devo ter visto pelo menos cinco que faria qualquer mulher literalmente babar. — Paula diz e a olho sem acreditar. E isso só a faz rir.
— Paula, você tem o Bernardo lembra? Seu namorado Bernardo?— Digo.
— Claro que lembro, mas também não estou morta não é? E muito menos sou cega. — Diz com um sorriso largo. Era realmente impossível discurtir isso com a Paula e na verdade ela estava certa. Afinal olhar não tira pedaço. Me permito olhar com mais calma as pessoas passando e realmente Paula estava certa. Tinha realmente não só homens, mas também mulheres muito bonitas aqui.
Eu assumia que eram alunos que tanto estariam iniciando assim como Paula e eu, mas também tinha os veteranos, mas claro, era ímpossível diferenciar só olhando.
Vários minutos depois quando saímos da sala do diretoria, Paula quis ir ao banheiro antes de irmos e como eu não queria fazer nada eu apenas entrei, retoquei a maquiagem para sair e esperá-la do lado de fora. Quando estou saindo alguém esbarra em mim e os papéis que eu estava levando escapam da minha mão e voam até cairem no chão.
— Me desculpe. — Ouço a voz máscula do autor desse desastre no mesmo instante que sinto uma mão no meu cotovelo. Me viro para ele e nossa, o homem que está na minha frente é muito bonito. Ele tem a pele morena, seus cabelos são macios e escuros. Eles parecem estar um pouco desordenados, dando a ele um ar despojado. Seus olhos são de um rico castanho e parecem estar estudando minhas feições da mesma maneira que estou estudando as dele. Seu nariz é reto e fino e seus lábios tem um bonito tom corado.
— Ah.. Tudo bem, eu também não estava olhando quando saí. — Digo por fim.
Nós paramos no mesmo momento de nos analisar e tanto eu quanto ele começamos a catar as folhas caídas no chão. Quando ambos já temos todas as folhas ele vem e me entrega as folhas que ele tinha pego.
— Aqui estão. — Pego as folhas e ele me estende umas das mãos em um cumprimento. — Meu nome é Noah.
— Obrigado e meu nome é Eva.
— É um prazer conhecê-la Eva. É nova aqui?
— Sim, eu estarei iniciando esse ano. — Ele me dá um sorriso.
— Isso é ótimo, eu vou para o meu segundo semestre, então se precisar de alguma dica ou de um guia.. — Ele põe uma das mãos no bolso com um sorriso tímido. — Bem, eu ficarei feliz em ajudar.
— Obrigado Noah. É muito gentil da sua parte. — Digo e ele acena para mim e se despede. Segundos depois Paula sai pela porta do banheiro dando um assovio.
— Nossa, Eva você realmente nasceu virada para a lua. A quantidade de gatos que tromba com você não pode ser normal. — Ela diz olhando ainda as costas do Noah enquanto ele avança no final do corredor.
— Não posso negar que ele é realmente bonito mesmo. — Olhando para a mesma direção que ela.
— Venha, vamos embora que hoje é sexta e eu quero sair para algum lugar. Desde que estamos aqui so ficamos resolvando um monte de coisas e não aproveitamos quase nada. — Ela diz e começamos a caminhar para a saída da universidade. Paula estava certa, estávamos a duas semanas aqui e fizemos bem pouco para conhecer ou se divertir na cidade. Tivemos que percorrer lojas para comprar os móveis do apartamento e comprar os materías de estudo para a faculdade e a diversão acabou ficando em último plano.
— Tem algum lugar em mente? — Pergunto quando já estamos dentro do táxi.
— Podíamos pegar um cinema hoje. Saiu uma nova sequência daqueles filmes de super heróis que você adora, vi hoje num anúncio.
— Sério? Algum filme novo da Marvel?— Ela assente e isso logo me deixa animada. Eu acompanhava todos os filmes da Marvel. — Então está combinado. Iremos assistir esse filme hoje.
Paula naturalmente fica muito animada. Eu também precisava disso, precisava dessa distração. Desde de que vi Raphael na chamada de vídeo eu não conseguia parar de pensar nele e nos dias anteriores isso não acontecia o tempo todo. Não é que eu tivesse esquecido ele, mas os pensamentos não estavam me torturando com sua memória a cada minuto como estava acontecendo agora. Eu precisava urgentemente voltar a meu nível anterior ou eu acabaria enlouquecendo de pensar nele, nos traços dele, no muito que meu peito apertou só de vê-lo aqueles poucos instantes ainda que por uma tela e a quilômetros de distância. Que droga, quando eu ia ficar livre da sua influência para sempre? Quando eu ia me livrar desse sentimento e conseguir olhá-lo sem sentir que estou quase tendo um infarto?
Eu não sabia. Infelizmente não tinha a resposta para nenhuma dessas perguntas. Mas eu estava fazendo tudo que podia para recuperar a parte que eu tinha perdido de mim. A parte que Raphael tinha levado com ele quando se afastou de mim e não devolveu. Eu precisava urgentemente ser inteira de novo e não sabia como, mas eu era teimosa o suficiente para brigar comigo mesma e com o que eu sentia para recuperar-me por completo. Aprendi a muito tempo que se você está ferida, com o coração partido a única coisa que pode fazer é continuar pois a vida não nos permite ficar para trás lambendo nossas feridas. Eu acreditava que se você continuasse se movendo, continuasse em frente, mesmo quando você sente que te falta um pedaço, mesmo que você sente que o peito sufoca às vezes, uma hora com o tempo você volta a ser inteira novamente, não tão inteira como foi no ínico porque sempre trazemos alguma cicatriz do que passamos, mas pelo menos tão inteira como dá para ser, sem perder mais noites de sono, sem perder o ânimo de viver às vezes. Continuar caminhando é tudo que nos resta às vezes e uma esperança que com o passar do tempo, a gente volte a achar graça nas coisas mais simples novamente.