Eva
Duas semanas depois
Hoje era um dia importante, tanto para mim quanto para Paula. Nós dias que se passaram, ficamos muito atarefadas saindo, visitando lojas de móveis, pesquisando preços e modelos de móveis para preencher nossos apartamentos. E devo dizer, não foi uma tarefa fácil. Primeiro porque os móveis aqui eram sim realmente de boa qualidade e lindos, mas mesmo eu olhando os modelos mais simples, estava achando os valores altos. Eu sabia que meu pai tinha me dado um cartão com um bom limite, mas eu não queria sair gastando como uma louca na sua atual fase de recuperação. Eu não queria sair por aí comprando sem qualquer coinciência como já fiz algumas vezes no passado. Eu não queria ser essa menina mimada, embora eu reconheça que talvez eu sempre seja um pouco, mas eu sentia que algo estava mudando em mim. Eu queria ser mais consciente e mais do que isso, eu queria ser mais independente e eu esperava conseguir isso em breve. Agora os questionamentos que eu tinha sobre preços e gastos, não pareciam afligir a Paula. Ela apenas comprava o que gostava sem se importar se o preço estava alto para decorar um apartamento onde ela provavelmente só ficaria uns quatro anos. O pai de Paula era um médico cirurgião plástico, então ele como meu pai não tinha problemas com dinheiro, claro, antes do meu pai se meter com a Laura e perder boa parte do patrimônio que agora ele tenta recuperar. Bem, continuando... Hoje era um dia importante porque finalmente estaríamos nos mudando para nosssos apartamentos que já tínhamos mobiliado e o últimos móveis tinham chegado dois dias antes. Além de que a segunda coisa importante é que estaríamos indo a universidade hoje levar o restante dos nossos documentos, fazer uns últimos acertos e também pegar nossa grade de estudos e estávamos muito animadas de fato em conhecer pessoalmente a universidade. Nem eu nem Paula ainda tínhamos ido lá pessoalmente. Mas primeiro, estávamos indo para o nosso apartamento. Eu tinha feito as malas e quando fecho a porta do quarto que fiquei nessas duas semanas pela última vez, Paula também saí da porta ao lado. Marcel como sempre muito gentil conosco durante esse período, nos ajudou colocando nossas malas num carrinho e chamou um táxi para nós. Depois de agradecer a ele toda a gentileza que teve conosco nesse período, nos despedimos dele e acho que ele se surpreendeu ao receber um abraço de cada uma de nós. Acho que acabamos criando um carinho por ele e ele por nós.
Quando finalmente o táxi parou em frente ao conjunto de apartamento que ficaríamos, um dos porteiros nos ajudou com nossas malas e se apresentou como Louis. Era um homem na faixa dos trinta e cinco anos, cabelos pretos que já começava a mostrar uns fios grisalhos nas laterais, mas estava bem em forma para sua idade. Devia ter um metro e setenta e cinco talvez, mas o que lhe faltava em tamanhõ para os meu padrão de gosto num homem, parecia que ele complementava com músculos bem desenvolvidos. Estava claro que era um homem que se exercitava regularmente. Ele se colocou a nossa disposição para o que precisássemos e saiu assim que deixou as malas na sala do meu novo apartamento logo depois de deixar as da Paula.
Olhei em volta da sala admirando as cores da parede em marfim e os móveis em tons de madeira clara. Eu tinha conseguido fazer uma mescla de cores em tons claros que deixou a sala parecendo aconchegante e maior. O sofá era num tom de bege claro e este estava sobre um tapete em forma retangular. Entre o sofá e a mesa havia uma pequena mesa a qual havia um lindo vaso prateado com orquídeas brancas. Na frente do sofá havia uma grande tv de tela plana presa em um painel. Logo embaixo havia uma prateleira em madeira onde haviam porta retratos meus e um dos meus pais. No canto direito havia outro vaso de flores em um tom de cinza, só que esse era o triplo do tamanho do primeiro, nele havia uma planta num tom de verde escuro que eu não fazia ideia de qual era o nome. Eu tinha descoberto esses dias que passaram que eu adorava decorar, especialmente decorar algo em que eu mesma iria usar. Sem perceber estou sorrindo e girando pela sala.
Levo as malas para o quarto, tiro meus sapatos, a calça e em seguida desfaço uma das malas que acho onde coloquei as coisas mais essenciais como roupas íntimas, artigos de higiene e roupas casuais. Começo a dobrar as roupas intimas na primeira gaveta, onde coloco também os artigos que tinha comprado no s*x shop. Quando caio em mim já tinha desfeito o restante das malas e finalmente me jogo na cama. Deus... toda essa arrumação me deixou bem cansada. Pego meu celular e mando algumas mensagens para Beth, meus pais e quando passo pelo contado do Daniel resolvo ligar, nós tínhamos nos falado pelo menos duas vezes na última semana e uma vez na primeira semana depois que cheguei. Eu sentia falta das minhas conversas com o Daniel, ele realmente tinha se tornado um bom amigo.
Eu ia fazer uma ligação normal, mas logo mudo de ideia e aperto o botão de chamada de video. O telefone chama quatro vezes e eu já estava achando que ele não iria atender quando finalmente a ligação é completada, mas não é o rosto risonho do Daniel que aparece e sim um rosto que faz meu coração parar por um instante e logo ele começa a acelerar como um louco. Um rosto sério e sexy com um queixo totalmente másculo contortando por uma barba por fazer e uma boca que dava água na boca para beijar. Ele me deu todo o peso do azul dos seus olhos onde eu poderia me perder ou me afogar. Tentei não demonstrar o quanto vê-lo assim de repente me desistabilizou e me perguntei se ele estava passando pelas mesmas tentativas de tentar contrlar suas reações assim como eu. Não... Ele sempre tinha sido mestre em controle, provalvemente eu já não significava mais nada para ele. Toco na tela num instante apenas para ter a certeza que eu não tinha mesmo ligado para o Daniel e de fato eu tinha.
— Eva.. — Ele inicia.— Hmm o Daniel está tomando banho, acredito que não irá demorar se você quiser esperar.. — Raphael fala e apesar de ele tentar manter a voz livre de qualquer sentimento, mas não consegue totalmente e eu percebo que o fato de eu ter ligado para o Daniel o incomoda.
— Ah, oi Raphael.... Não, tudo bem, eu ligo outra hora. Eu só queria saber se estava tudo bem. — Digo apressadamente.
— Certo. — Ele diz olhando muito atentamente cada traço do meu rosto e eu sem nem perceber estou fazendo o mesmo que ele. E de repente se segue um silêncio pesado e cheio de significados que parece que nenhum de nós sabe como romper. Então me forço a me despedir e desligar.
— Bem, então até mais Raphael... Diga para o Daniel que eu ligo outra hora. — E quando estou prestes a desligar ele fala com rapidez.
— Está mesmo tudo bem ninfe.. Eva?
— Sim, claro. Eu acabei de me mudar para o apartamento em que vou ficar durante os semestres seguintes... — Dou um sorriso para ele. — Ficou muito bonito — Digo por fim.
— Eu tenho certeza que ficou... Eva eu queria.... — E quando vejo ele iniciar nesse tom eu já sei que não posso deixá-lo continuar. Raphael já tinha quebrado meu coração e eu sabia que não aguentaria mais uma vez ele pedir desculpas ou quem sabe me dar esperanças. Eu não poderia viver com essas esperanças e esperando para sempre uma atitude dele.
— Não Raphael. Não continue por favor. Não existe mais nenhum motivo para isso..
— Está enganada Eva...
— Não, eu não estou... E eu liguei apenas para falar com o Daniel e como ele não pode falar agora, eu ligarei outra hora. Adeus Raphael.— E então eu desligo antes que ele possa falar mais alguma coisa. E assim que a tela se apaga meus olhos se enchem de lágrimas que me recuso a derramar. Não, eu não iria fazer isso. Eu não iria chorar pelo Raphael novamente.
Eu iria ligar para a Paula e nós iríamos para a universidade resolver nossas questões pendentes. Levanto da cama e já começo a digitar o número da Paula, mas antes que eu consiga apertar o botão de ligar a tela se ilumina e o nome do Daniel aparece, mas eu delisgo com medo de que fosse mais uma vez o Raphael. Depois eu iria ligar para Daniel, de preferência um horário que eu soubesse que o Raphael não estaria lá. Volto a colocar minha roupa e sapatos e saio do apartamento para procurar a Paula e irmos finalmente na Universidade.