93. Daniela

1060 Palavras

A primeira coisa que ouço é um bip ritmado, constante, como um coração eletrônico me lembrando que eu ainda tô aqui. Depois, o ar frio no rosto, o lençol áspero na pele, um gosto amargo na boca que não é de remédio nem de nada que eu reconheça. Abro os olhos com esforço e tudo vem embaçado, luzes brancas estourando, sombras andando devagar. Tento mexer a mão e sinto outra, maior, quente, segurando a minha. O contorno do Flávio aparece, pesado sobre a cadeira, com os olhos vermelhos e a barba por fazer. Ele tá ali. Do meu lado. Como se tivesse se grudado na cadeira e esquecido do resto do mundo. — Amor… — minha voz sai falha, ralada, como se eu tivesse passado dias sem falar. — O que... aconteceu? Por que minha cabeça tá doendo tanto... e minha barriga...? Ele se inclina rápido, a testa

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