94. Daniela

1348 Palavras

A luz da manhã entra suave pela janela do quarto hospitalar, filtrada pela cortina branca que balança com o vento do ar-condicionado. Meus olhos ardem, pesados, como se tivessem chorado por horas, talvez tenham. A cabeça ainda dói, mas menos. A barriga... dói diferente agora. Como um espaço que ficou, um vazio físico que denuncia a ausência. Viro devagar no colchão duro, e vejo Flávio, sentado na mesma cadeira de antes. Tá de olhos abertos, com as mãos unidas, cotovelos apoiados nos joelhos. A barba cresceu, os olhos estão fundos, mas ele não desgruda de mim nem por um segundo. Parece que nem piscou a noite toda. — Você não dormiu? — pergunto, com a voz rouca, seca. — Dormi sim. Cochilei um pouco — mente, porque eu conheço aquele rosto. Dormir mesmo, ele não dormiu nada. Ele se levanta

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