95. Daniela

1154 Palavras

O carro sobe a ladeira devagar, cada curva estreita revelando um pedaço do morro que eu só tinha visto de longe. As casas se amontoam como se estivessem abraçadas, coloridas, de telhado baixo, algumas com roupa estendida balançando ao vento. Crianças correm descalças entre motos, cachorros latem em coro e o som de um pagodinho ao fundo completa o cenário. Tudo é barulho e vida, mas dentro de mim ainda há silêncio. Flávio dirige firme, a mão dele repousada na minha coxa, me passando segurança sem precisar falar nada. A cada esquina, ele faz um cumprimento, um aceno de cabeça, e eu percebo como os olhos das pessoas se acendem quando o veem. É respeito, daqueles que não se pede, se impõe. O peso do nome dele tá em cada olhar. — A gente já tá quase chegando — diz, sem tirar os olhos da rua.

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