5 - Conselhos

1386 Palavras
Lily O quarto aquecido me permitiu dormir um pouco mais, também andei pela casa na madrugada e busquei algo para comer. Me dei conta que precisava de mais. Eu precisava de roupas e coisas de mulher, logo teria um problema mensal chegando e não iria saber o que fazer. Me levantei decidida a me impor e enfrentar o Alexander. Eu iria me oferecer para um emprego, em troca de roupa, comida e um teto para morar. A casa era grande e tinha muito a fazer. Desci as escadas e notei uma movimentação e algumas vozes estranhas. Uma língua diferente que eu não entendia. Já havia notado que o Alexander não era daqui, mas não sabia sua nacionalidade, não sabia nada sobre ele. Assim que desci as escadas, vi um casal ao lado do Alexander. Ele me olhou com raiva e veio em minha direção. — O que está fazendo aqui? Quem mandou você descer? Suba! — o Alexander falou aos gritos. — Eu só... — Não fale, vá embora daqui! — seu humor animalesco voltou e ele voltou a me ferir com suas palavras. Voltei a subir as escadas, tentando controlar as lágrimas. Eu tinha que começar a combater isso e não chorar, mas os gritos eram demais para mim e me traziam lembranças ruins. Encostrei na parede fora do quarto e deixei as lágrimas que não consegui controlar rolarem. Não era só pensar em ser forte e ser. Eu tinha os meus momentos. Senti uma mão em minhas costas e estremi com medo. — Qual é seu nome? Posso te ajudar em alguma coisa? Meu inglês não é tão bom, mas espero que você entenda. — a mulher falou com seu inglês r**m. Eu me virei e a olhei. — Lily. Meu nome é Lily. — Bom... — ela olhou para as minhas roupas. — Eu posso te dar um vestido, roupas? — assenti. — Que droga, as malas estão lá embaixo. Você pode ficar aqui e eu te dou depois? Onde é o seu quarto? — não entendi muito bem o que ela falou.— Seu quarto? — apontei para o meu quarto. — Entre e eu já levo. — assenti. Entrei no quarto e esperei, eu já não estava com tanta fome assim, pois tinha comido algo de madrugada. Ela entrou no quarto me trazendo um vestido e entrei no banheiro rápido para me trocar e poder finalmente vestir roupas femininas. Ela me olhou quando saí e sinalizou para eu sentar. A mulher arrumou meu cabelo e prendeu. — Você tem quantos anos? — Dezessete, faço dezoito em um mês. — Ah, isso é incrível. Vamos lá para baixo e vemos algo para você comer. Para mim também, estou com fome. Desci, porque me sentia mais segura ao lado de alguém. Ela parecia uma boa pessoa e talvez me defendesse daquele carrasco. Nunca encontrei muitas pessoas para me ajudar, então não esperava muito. Ela olhou nos armários e na geladeira, parecia confusa. — Podemos fazer sopa. — Eu não sei cozinhar. — ela falou. — Eu faço. — anunciei, sorridente. Eu adorava cozinhar. Era umas das coisas que me trazia paz de espírito e acho que minha comida era bem gostosa. A mulher me falou que se chamava Graziella e era cunhada do carrasco, que ela chamava de Alex. Segundo ela, ele era uma boa pessoa, o que era totalmente questionável. — Você precisa se impor. Falar direto e com raiva. Coloque ele no lugar dele. — ela tinha um inglês r**m, mas fazia gestos e dava para entender bem. Colocar ele no lugar dele e me impor. Essas palavras eu iria guardar para mim. Ela me ajudou a servi os pratos e o marido dela desceu. Eles brincaram e falaram algumas coisas em italiano, que eu não entendi. Eles pareciam tão fofos juntos, apesar dele ser mais velho que ela e ela parecer uma princesa e ele um homem rústico e tatuado, mas muito bonito. Eles combinavam perfeitamente. O tal do Alex se juntou a nós e eu fiquei um pouco nervosa, mas ele comeu tranquilamente até derrubar o prato com raiva no meio da conversa. Ele me olhou irritado e saiu da cozinha. Fiquei sem entender nada. Será que ele não gostou da minha comida? Mas ele estava comendo bem antes. Fui limpar a sujeira e a Graziella me impediu. Ela me mandou ir comer, fiz minha marmita e subi para o quarto. No momento era o melhor lugar e longe de qualquer estresse. ***** Fiquei trancada no quarto até o dia seguinte. A sopa foi suficiente para me alimentar, ouvia barulhos e movimentação, mas eu não fazia parte da família e não queria atrapalhar. Alguém bateu na porta e eu atendi. A Graziella entrou, sorriu e me abraçou. — Você está bem, querida? — assenti, apesar de não conseguir definir o que era bem. — Eu preciso conversar algo com você. Eu já estou indo, só passamos por um dia, mas pretendo voltar e ir te levar para Itália, você gostaria de ir para lá? — Eu não sei, eu nunca pensei nisso, mas sim, eu acho. — Você vai gostar. Estou grávida e meu bebê precisa de babá e a casa também precisa de cuidados, você vai ter casa e comida e uma família. — Está bem. — concordei, porque gostei da ideia. — Mas não posso te levar agora, vamos para nossa lua de mel, mas venho te buscar quando eu voltar, está bem? — assenti. — Enquanto isso você vai ficar aqui, com o Alex. Eu sei que ele parece malvado, mas ele não é. E vai cuidar de você. — duvidei um pouco disso. — Você sabe gritar? — O quê? — Gritar. Lembra o que falei ontem? Você precisa se impor. Você precisa gritar e dizer que ele está errado e não deixe que ele fale m@l com você. Homens precisam de mulheres fortes, quem falem mais alto que eles, assim eles são domesticados. — eu quis dar risada. Aquilo parecia algo bem estranho. — Meu marido também era como o irmão, mas agora ele aprendeu a se portar e me respeitar. Você precisa colocar o Alex no lugar dele. Entendeu? Eu vou pedir para ele te comprar um celular, assim você pode me ligar, e quando ele estiver demais, você passar o telefone para ele e eu mesmo coloco ele no lugar dele. — sorri. Admirei a força dela e todos os conselhos. Talvez eu conseguisse chegar a isso um dia. Nós descemos e os irmãos já estavam no carro. O olhar do Alex ainda me causava medo, mas eu tentei ignorar. A Graziella e o marido sentaram no banco de trás e restou apenas o bando ao lado do Alex para mim. Ele me olhou com raiva e entrou no carro, batendo a porta. Eu fiz o mesmo e bati forte a porta, sem querer. Me desculpei e ele bufou exasperado. Não entendia porque aquele homem tinha tanta raiva. Levamos eles no aeroporto e eu fiquei no carro, esperando o Alex voltar. O casal indo embora, eu ficaria sozinha de novo com o Alex e isso me dava medo. Ele voltou para o carro e colocou o cinto, dirigindo em silêncio. — Eu vou te comprar roupas e coisas de garota. Me faça uma lista do que precisa. — o olhei confusa, aquilo era novidade. — Você está falando sério? — ele me olhou com raiva em resposta. — Talvez você pudesse me levar para eu mesmo comprar. — E andar por aí fazendo compras com você? Nem pensar! Me diga o que precisa, eu vou te deixar em casa e comprar. — não sei se um homem comprando roupas femininas seria o mais adequado, mas se questionasse seria pior. — Eu gostaria de ser a empregada da casa. Quero dizer, se você comprar comida, eu posso cozinhar e deixar a casa limpa. — Eu não preciso, já tem a Mary. Você só precisa ficar no quarto e cozinhar só para você. — Mas aquela comida que você come é horrível e... — Eu não preciso da sua opinião. Nós não somos amigos, só vou te ajudar até meu irmão te levar embora. Gritar e me impor, será que aquela era a hora certa? Ele estava dirigindo tão tranquilamente, que preferi não estressá-lo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR