SEDUZINDO

810 Palavras
O salão parecia menor. Ou talvez fosse apenas a percepção de Magno que estava comprimida pela própria irritação. Ele tentou ignorar. Tentou focar em Aline — agora Aline, elegante, segura, observadora. Diferente de Gabriella em quase tudo. Mais madura, mais estável, menos impulsiva. Mas seus olhos continuavam traindo. Gabriella ainda estava com Henrique. Rindo. Inclinada na direção dele. Sustentando o olhar por segundos que pareciam longos demais. Henrique falava perto demais. Magno sentiu o sangue esquentar. Não era racional. Não era proporcional. Mas era real. Ele sabia exatamente quem Henrique era. Sabia dos comentários em off, das histórias m*l resolvidas, das mulheres que apareciam e desapareciam das rodas sociais como se fossem troféus temporários. E Gabriella ali. Provocando. De propósito. Magno respirou fundo. Chega. Se ela queria jogo, ele sabia jogar melhor. Ele voltou completamente a atenção para Aline. — Você está linda hoje — disse, com uma naturalidade que não usara antes. Ela piscou, surpresa. — Isso foi direto. — Eu posso ser — ele respondeu, mantendo o olhar firme. Aline desviou os olhos por um instante, um sorriso contido surgindo. Ela claramente não esperava aquela mudança de postura. — Achei que você fosse mais… reservado. — Depende da companhia. Do outro lado do salão, Gabriella percebeu a mudança imediatamente. Não era mais conversa casual. O corpo de Magno estava inclinado para Aline agora. O sorriso dele era diferente. Mais aberto. Mais interessado. Gabriella sentiu algo apertar no estômago. Henrique continuava falando, mas ela já não prestava atenção. — Você sumiu — ele comentou. — Hm? — Você ficou distante de repente. Ela forçou um sorriso. — Só estou cansada. Mas não estava. Estava observando. Magno aproximou a cadeira de Aline. Falava baixo agora. Ela ria, um pouco sem jeito, mas claramente envolvida. Gabriella apertou os dedos ao redor da taça. — Ele não está fazendo isso… — murmurou para si mesma. Mas estava. E estava fazendo bem. Aline tocou levemente o braço de Magno ao rir de algo que ele disse. Um gesto rápido. Social. Mas íntimo o suficiente. Gabriella sentiu o calor subir pelo rosto. Raiva. Orgulho ferido. Insegurança. Henrique percebeu que havia perdido espaço. — Acho que você não está mais tão interessada na conversa — ele disse, meio ofendido. Gabriella olhou para ele. E, pela primeira vez na noite, foi direta. — Henrique… você é interessante, mas acho que eu me empolguei demais. Foi um fora elegante. Educado. Mas definitivo. Ele franziu o cenho, surpreso. — Tudo bem — disse, levantando-se. — Talvez outra hora. — Talvez. Mas ela já estava de pé. Magno viu quando Gabriella se levantou. Viu quando ela se despediu de Henrique. E sentiu uma satisfação amarga. Mas não parou. Ele se inclinou mais perto de Aline. — Você quer sair daqui? — perguntou, baixo. Ela hesitou. — Agora? — Está barulhento demais. Aline estudou o rosto dele por alguns segundos. Avaliando. Pesando a decisão. Magno era conhecido. Poderoso. Seguro. E bonito — o tipo de homem que não precisava se esforçar para ser notado. Ela respirou fundo. — Tudo bem. Gabriella viu. Viu quando eles se levantaram juntos. Viu quando Magno colocou a mão nas costas de Aline, guiando-a discretamente. Viu quando atravessaram o salão lado a lado. O mundo pareceu desacelerar. Gabriella sentiu o coração bater mais forte. — Ele não vai… — pensou. Mas foi. Ela saiu do salão alguns segundos depois, tentando manter a postura natural. Caminhava alguns metros atrás, sem que eles percebessem. Ou fingindo que não percebia. Os bangalôs estavam iluminados por pequenas luzes embutidas no caminho. O som distante do mar preenchia o silêncio da noite. Magno parou diante do próprio bangalô. Aline ao lado. Eles trocaram algumas palavras que Gabriella não conseguiu ouvir. Magno abriu a porta. E entrou com ela. A porta fechou. Gabriella ficou parada por alguns segundos. O peito subindo e descendo rápido demais. Uma mistura de incredulidade e dor. — O que eu tenho de errado? — o pensamento veio cru. Ela tentou organizar a lógica. Ela provocou. Ela iniciou o jogo. Ela quis reação. Mas não aquela. Não isso. Não ele levando outra mulher para o quarto ao lado do dela. Gabriella entrou no próprio bangalô quase sem perceber. Fechou a porta. Encostou-se nela. O silêncio durou poucos segundos. Então ela ouviu. Primeiro, o som abafado de risadas. Depois, vozes. Baixas. Próximas. Uma troca leve de palavras. Um tom de flerte evidente mesmo através da parede. Gabriella prendeu a respiração. O quarto dele era ao lado. Perto demais. Cada risada parecia um arranhão. Cada pausa, uma confirmação. Ela caminhou devagar até a parede que dividia os dois espaços. Ficou ali. Parada. Ouvindo. A imaginação preenchendo os detalhes que o som não entregava. O jogo tinha saído do controle. E agora não era mais provocação. Era guerra. E ela tinha acabado de descobrir que não estava preparada para perder.
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