O silêncio depois foi quase mais constrangedor do que qualquer som que tivesse preenchido a sala minutos antes. O ar ainda estava pesado. O cheiro de perfume, suor e couro permanecia impregnado no ambiente fechado pelas persianas. A cidade lá fora seguia indiferente, carros passando, buzinas ao longe, o céu começando a ganhar tons alaranjados de fim de tarde. Cláudia permanecia jogada no sofá, os cabelos espalhados pelo encosto, o vestido amarrotado no chão ao lado. A respiração dela ainda estava irregular, o peito subindo e descendo lentamente enquanto tentava reorganizar não só o corpo, mas a mente. Magno já estava de pé. Frio. Metódico. Ele pegou a camisa primeiro. Vestiu sem pressa. Abotoou cada botão com a mesma precisão com que assinava contratos milionários. Ajustou os punhos.

