A mansão estava mergulhada num silêncio quase opressor quando o som distante de um carro atravessando os portões automáticos finalmente cortou a madrugada. Eram quatro da manhã. Magno estava na sala ainda. Não porque quisesse admitir que estava esperando. Mas porque não conseguia subir. Não conseguia dormir. Não conseguia desligar a mente. Ele estava sentado no sofá, o corpo levemente inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, o copo vazio na mesa de centro. A televisão desligada refletia a própria imagem dele — tensa, imóvel, rígida. Quando os faróis atravessaram as cortinas translúcidas da sala, o coração dele bateu mais forte do que deveria. Ele se levantou. O som da porta principal sendo aberta ecoou pelo hall. Passos. Leves. Um pouco desequilibrados. E ent

