Os dias começaram a ter um ritmo diferente dentro da mansão. Nada era declarado. Nada era assumido. Mas tudo era sentido. As manhãs depois daquelas noites sempre foram estranhas — não pelo constrangimento, mas pelo excesso de consciência. Gabriella acordou antes dele. Ficou alguns minutos apenas observando. Magno dormia de lado, o braço pesado apoiado na própria barriga, a respiração profunda. Mesmo relaxado, ele parecia intenso. Forte demais para aquele silêncio. Ela deslizou o olhar pelo rosto dele, pelos traços marcados, pela barba por fazer. Era real. Não era mais fantasia. Não era só provocação. Eles tinham atravessado uma linha que não tinha volta. Ela passou os dedos de leve pelo braço dele. Não para acordar. Só para sentir. Ele abriu os olhos quase no mesmo instante.

