A mansão estava silenciosa demais. Não o silêncio confortável de uma casa grande em descanso. Mas o silêncio que pesa. Que observa. Que parece esperar alguma coisa. As luzes externas iluminavam o jardim impecável, as esculturas discretas, a fonte que continuava funcionando como se nada tivesse mudado no mundo. Mas por dentro, a casa estava escura. Apenas a sala principal tinha uma luminária acesa. Magno estava sentado na poltrona de couro próxima à lareira — apagada. A gravata já não estava ali. A camisa estava aberta no primeiro botão. As mangas levemente dobradas. Ele não parecia o empresário imponente que todos conheciam. Parecia cansado. Derrotado. Sobre a mesa de centro, alguns papéis impressos. Ele tinha passado a noite anterior e boa parte do dia tentando cruzar datas

