O IMPÉRIO

725 Palavras
O prédio da empresa era ainda mais imponente visto de perto. Gabriella desceu do carro devagar, os olhos percorrendo a fachada de vidro espelhado que se erguia vários andares acima dela. Tudo ali transmitia poder. Controle. Dinheiro. Era o tipo de lugar onde decisões mudavam destinos — e, pela primeira vez desde o acidente, ela sentiu que fazia parte de algo grande outra vez. Magno caminhava ao lado dela, confiante, cumprimentando funcionários com acenos discretos, apertos de mão firmes. As pessoas o respeitavam. Algumas o admiravam abertamente. Outras pareciam… tensas quando ele passava. Gabriella notava tudo. O jeito como os olhares se voltavam para ele. Como algumas mulheres ajeitavam a postura quando ele se aproximava. Como certos homens pareciam medir forças em silêncio. — Nervosa? — perguntou Magno, enquanto atravessavam o saguão principal. — Um pouco — admitiu. — É normal. — Ele lançou um olhar rápido para ela. — Mas você pertence a esse lugar, mesmo que ainda não perceba. O elevador privativo os levou direto ao andar da presidência. Assim que as portas se abriram, Gabriella foi recebida por um espaço amplo, elegante, silencioso demais para ser apenas um escritório. Ali havia poder concentrado. Uma secretária anunciou a chegada deles. Poucos minutos depois, pessoas começaram a se reunir na sala principal: executivos, gerentes, sócios. Todos curiosos. Magno caminhou até o centro da sala, a mão apoiada levemente nas costas de Gabriella — um gesto protetor, quase automático. — Bom dia a todos — começou ele, a voz firme ecoando com facilidade. — Quero apresentar oficialmente alguém muito importante. Ele fez um pequeno gesto para Gabriella dar um passo à frente. O coração dela disparou. — Esta é Gabriella Antunes. Filha de Augusto Antunes, meu sócio, amigo… e um dos homens mais brilhantes que já passaram por essa empresa. Um silêncio respeitoso se instalou. — Gabriella é, legalmente, a herdeira de tudo o que o pai construiu aqui. — Ele fez uma pausa calculada. — Por enquanto, ela vai atuar como minha assistente pessoal. Vai aprender cada detalhe, cada processo. Eu mesmo vou ensiná-la a administrar esse império. Alguns murmúrios surgiram. — Em breve — continuou Magno —, quando ela completar vinte anos, tudo isso será oficialmente dela. A sala explodiu em aplausos. Gabriella sentiu o rosto esquentar. Pessoas se aproximaram, apertaram sua mão, sorriram, deram palavras de incentivo. “Seu pai ficaria orgulhoso.” “É uma honra conhecê-la.” “Conte comigo.” Ela se sentia… viva. Importante. Pela primeira vez desde que perdeu tudo, algo dentro dela se reerguia. Enquanto caminhava pelos corredores ao lado de Magno, Gabriella começou a reparar em algo que a incomodou mais do que gostaria de admitir. As mulheres. Havia muitas. Bonitas. Elegantes. Seguras de si. Algumas passavam por Magno com sorrisos sutis demais para serem apenas profissionais. Outras o olhavam rápido demais. Ou demoravam um segundo a mais. E a pergunta surgiu, incômoda, insistente: Será que elas sentem por ele o que eu sinto? Será que alguma delas já…? Ela engoliu em seco, tentando afastar o pensamento. Foi então que uma mulher se aproximou. Ruiva. Olhos verdes intensos. Vestida com elegância impecável. Havia algo nela que chamava atenção sem esforço. — Gabriella, não é? — disse, estendendo a mão. — Bruna. — Prazer — respondeu Gabriella. — Sou uma das grandes sócias da empresa. — Bruna sorriu de forma gentil, mas havia algo afiado naquele olhar. — Meus pêsames pelos seus pais. Seu pai era um homem incrível. Tenho certeza de que estaria muito orgulhoso de você hoje. As palavras tocaram Gabriella de verdade. — Obrigada — disse, sincera. Bruna assentiu, então passou por Magno. Ao fazê-lo, lançou-lhe um sorriso discreto, quase imperceptível — mas carregado de algo que Gabriella reconheceu na hora. Malícia. Controle. Algo não dito. Bruna seguiu pelo corredor, mas antes de virar a esquina, olhou para trás. O olhar foi direto para Magno. E Magno… Saiu logo em seguida. Sem explicação. Sem olhar para Gabriella. Aquilo foi como um estalo. O coração dela apertou. Gabriella ficou parada por alguns segundos, observando os funcionários retomarem suas atividades, conversas paralelas surgindo, o momento solene se dissolvendo. Ela respirou fundo. E então fez algo impulsivo. Aproveitando a distração geral, seguiu pelo corredor. Passos silenciosos. Coração acelerado. Ela não sabia exatamente o que estava procurando. Mas tinha certeza de uma coisa: Precisava encontrar Magno.
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