POV Camila
"Amor... amor... amor... Camila!"
"Quê?"
"Você está bem? Faz mais de cinco minutos que eu estou falando sozinha."
Eu passei os dedos devagar pelo catálogo de convites de casamento que nós já estávamos olhando à uns bons minutos e prendi um suspiro. Aqueles eram para ser momentos mágicos; a escolha dos convites, do lugar da festa, do vestido. Não vou negar que um casamentos desses era algo com que eu sempre sonhei em segredo e o fato desse sonho estar se realizando deveria me deixar feliz mas depois do que aconteceu...
"Desculpa, eu estava distraída." Respondi, tirando a mão de cima da folha de papel.
"É, eu percebi isso. Desde ontem que eu tenho a sensação de que você tem alguma coisa pra me contar." Ela fechou o caderno de catálogos depois de dizer isso e ficou me olhando, esperando que eu dissesse algo.
"Não..."
"Tem certeza? Você não quer me contar que a Lauren esteve aqui ontem?"
Os meus batimentos aceleraram tanto quando eu escutei aquilo, que eu fiquei até com medo de desmaiar. A minha cabeça começou a latejar quase que instantaneamente e eu comecei a sentir aquela tontura que sempre me dava quando eu ficava nervosa. Eu sabia que tinha chegado o momento que eu estava adiando desde que voltei de Miami e eu sentia medo.
Eu sabia que tinha apenas duas opções e tinha medo de escolher a opção errada e de acabar sofrendo de novo. Eu sabia que Dinah me faria feliz e que aquele casamento seria perfeito se não fosse por aquele amor que eu ainda sentia por Lauren e que se negava a desaparecer. Lauren tinha razão, se eu casasse com Dinah eu iria estar me enganando a mim mesma e ainda acabaria fazendo ela sofrer também.
"Como você sabe disso?" Perguntei, como se aquilo importasse.
"Camila, você tem certeza que quer continuar com isso?" Ela perguntou, levantando o catálogo e ignorando a minha pergunta.
"Não." Eu respondi com sinceridade. "Eu não tenho certeza."
Ela suspirou e deixou o caderno de volta na mesa. "Você ainda é apaixonada por ela."
Aquela não foi uma pergunta e sim uma afirmação. Dinah sabia do meu passado com Lauren, eu nunca escondi isso dela. Eu não respondi nada à isso, de nada servia negar e também não havia necessidade de confirmar. Eu sabia disso e ela também.
"Só me diz uma coisa, quando ela esteve aqui vocês... vocês transaram?"
Responder que sim àquilo foi uma das coisas mais difíceis que eu já tinha feito. Eu me sentia um lixo por ter feito aquilo com Dinah e mais ainda no nosso apartamento. Ela era a última pessoa que eu queria machucar e saber que eu acabava de fazer isso, me deixava muito pior do que eu já estava. Eu nem sequer pensei nela antes de t*****r com Lauren naquele bendito sofá. Eu simplesmente não pensava quando estava perto de Lauren.
Dinah levantou da cadeira e se afastou depois que eu confirmei que transei com Lauren. Eu olhei para ela, que estava de costas para mim, e vi ela apertando as têmporas como se estivesse com dor de cabeça. Depois, eu abaixei o olhar; como uma criança quando faz algo errado. A minha cabeça ainda latejava e agora a dor que eu sentia na parte de atrás do crânio era quase insuportável.
"Eu vou cancelar o casamento." Ela disse, se virando para me olhar.
"Dinah..."
Ela levantou a mão, para que eu não dissesse nada e continuou. "Eu te amo, Camila. Muito mesmo mas eu não vou casar com uma pessoa que é apaixonada por outra. Eu sabia que você era apaixonada por ela desde o começo e eu pensei que podia mudar isso, que podia te fazer esquecer ela e ser feliz comigo mas se depois de todo esse tempo você ainda ama ela... É porque tem que ser. E embora doa, eu quero que você seja feliz e você só vai ser feliz do lado dela. Não do meu."
Eu pensei que Dinah fosse ficar nervosa depois de saber do que eu fiz, no fundo eu esperava alguns gritos e xingamentos porque eu sabia que merecia. Mas ela não era assim. Dinah perfeita, tão perfeita que mesmo depois de saber que eu traí ela, ainda desejava a minha felicidade. Tão perfeita que estava ali, quebrada mas ainda assim me dizendo para ficar com Lauren porque ela sabia que só assim eu seria feliz.
"Eu te amo tanto, Dinah. Você não tem noção de como você foi importante pra mim e de como eu me sinto m*l por ter te machucado. Eu te amo demais mesmo mas—"
"Mas você ama ela mais." Ela terminou a frase por mim. "Tudo bem, eu entendo. Eu sei que você me ama mas você não é apaixonada por mim e no fundo, eu já sabia disso. Não se preocupa, eu vou ficar bem."
Eu vi que ela estava quase chorando enquanto dizia isso e eu também estava. Ela não esperou eu dizer mais nada e saiu da sala, indo na direção do quarto. Enquanto eu escutava ela tirando as roupas dela do armário, fiquei olhando aquele catálogo que embora fosse um objeto inanimado, parecia me encarar com reprovação.
Como eu queria ter podido fazer bem para Dinah, como ela tinha me feito. Como eu queria ter chegado até ela sem história, sem bagagem. Eu cheguei a desejar nunca ter ido no apartamento de Lauren aquela madrugada, aquela hora. Ou não ter aberto a porta quando ela veio atrás de mim. Mas então, eu lembrava da voz dela dizendo que me amava e todos aqueles pensamentos se esfumavam.
Dinah não demorou nem meia hora em ir embora, eu acho que ela estava louca para sair dali e não ver mais a minha cara, o que era óbvio.
É engraçado como a nossa vida pode mudar totalmente em questão de minutos. A uns quantos minutos atrás, eu estava sentada naquela mesa com a minha futura esposa, escolhendo o convite para o nosso casamento e agora eu estava sozinha com os meus demônios pessoais naquele apartamento. Eu não sabia o que fazer, eu me sentia perdida como se eu voltasse a ter dezesseis anos.
Naquele momento, eu voltei a ser aquela garota assustada e sem rumo. Na verdade, eu acho que no fundo eu nunca deixei de ser essa garota. Eu me sentia forte com Dinah mas agora Dinah já não estava e eu percebi que eu não era muito diferente àquela menina que tinha medo de deixar os outros entrarem em sua vida.
O que eu faria agora? Procurar Lauren? Ir atrás de Dinah? Ficar sozinha curtindo a fossa? Eu realmente não sabia. O meu coração gritava pela primeira opção, a minha cabeça pela segunda e meu corpo pela terceira.
Não deveria ser uma decisão difícil. Afinal, Lauren já tinha me dito que me amava e que esperaria por mim, até Dinah tinha me dito para ficar com ela. Eu não deveria ter medo de ir atrás dela e de, finalmente, viver aquele amor com que eu tanto sonhei. Não era isso o que eu sentir quis? Que Lauren me amasse e que ela ficasse comigo? Então por quê todo aquele receio?
Eu acho que eu tinha medo de sofrer o que eu sofri no passado, tudo de novo. Eu nunca sabia o que esperar de Lauren e isso me assustava. Eu ainda estava com raiva dela por todo o tempo perdido, por ela ter esperado eu estar feliz com outra pessoa para me confessar que sentia a mesma coisa que eu sentia e eu acho que uma parte de mim sempre guardaria um pequeno râncor por isso.
Talvez eu ainda não estivesse preparada para dar aquele passo. Ela me fez esperar tanto, agora era a vez dela de esperar.
Depois daquele dia, eu fiz o que achei melhor. Tentei esquecer um pouco da minha vida sentimental e me foquei no trabalho. Eu estava começando e precisava fazer méritos se queria chegar em algum lugar e mostrar compromisso era o primeiro passo. Trabalhar que nem uma escrava não era nada agradável mas pelo menos assim, eu não tinha tempo para pensar em mais nada.
Eu não soube mais de Lauren nos três meses que seguiram aquela tarde que nós passamos juntas. Também não soube mais de Dinah mas julgando pelas fotos que ela postava no f*******:, ela parecia estar bem e isso me deixava feliz. E eu... Bom, eu ainda estava arrumando coragem para encarar Lauren e deixar o medo de lado.
No primeiro fim de semana livre que eu tive, eu fui pra Miami. Eu estava morrendo de saudade da minha irmã e, depois de quase quatro meses, eu já me sentia preparada para sentar e conversar com Lauren. Pelo caminho, eu só conseguia pensar na reação de Marissa e; principalmente; na de Sofia, se eu e Lauren realmente começassemos uma relação. Eu acho que Marissa poderia até não gostar mas não ia ser um problema. Agora Sofia, como eu ia explicar pra minha irmã que eu e a "mama" dela estávamos juntas? Mesmo que eu e Lauren começassemos a namorar, eu com certeza esperaria um tempo para contar pra ela.
Quando eu cheguei na cidade, a primeira coisa que eu fiz foi ir para um hotel. Eu não ia ficar na casa de Marissa como das outras vezes, quando a minha intenção era ficar com a ex-mulher dela. Depois de tomar um banho e trocar de roupa, eu liguei para Marissa avisando que estava indo lá e peguei um taxi até lá, já que daquela vez eu tinha ido de avião porque ia ficar pouco tempo.
A voz dela parecia apagada no telefone e, para ser sincera, não era a primeira vez. Fazia um mês que eu notava a voz dela triste toda vez que eu ligava para falar com Sofia. Eu esperava que ela estivesse bem, durante aqueles anos eu realmente tinha aprendido a gostar dela e ela tinha se tornado uma amiga, por assim dizer.
Assim que eu cheguei na casa e sai do taxi, Sofia saiu de casa e veio correndo até mim. Eu abracei ela com força, enchendo o rosto dela de beijos. Sem dúvida, a parte mais difícil de morar em outra cidade era ficar longe da minha irmã. Ela nem esperou que eu soltasse ela para começar a me contar mil e uma coisas ao mesmo tempo, enquanto eu levava ela de volta para dentro de casa pela mão.
Assim que eu cheguei na porta, eu levei um susto ao ver Marissa. Ela estava no osso e com uma cara abatida mas não como alguém que está triste ou deprimido e sim como alguém que está doente. Eu soltei a mão de Sofia, sem conseguir tirar os olhos dela e assim que eu cheguei onde ela estava, eu abracei-a com cuidado. Ela estava tão magra que eu tinha até medo de machucar ela, se apertasse muito.
"Como você está, Mila? Como foi a viagem?" Ela perguntou ao me soltar, com aquela voz que pessoalmente parecia mais fraca ainda.
Eu fiquei olhando o rosto dela algum tempo, antes de falar. "O que aconteceu? Você tá doente?" Perguntei preocupada.
Ela fechou a porta devagar e segurou a minha mão. "Vem, eu preciso conversar com você." Depois de dizer isso, ela virou para Sofia. "Meu amor, eu sei que você quer ficar com a sua irmã mas deixa a mamãe falar com ela um minuto primeiro, tá?"
A minha irmã assentiu e me deu mais um abraço, antes de ir pro quarto e nos deixar a sós na sala. Marissa sentou no sofá e eu sentei do lado dela, olhando ela com atenção e esperando ela me contar o que estava acontecendo. Ela ainda estava segurando a minha mão e, embora estivesse fazendo calor, a mão dela estava gelada.
"Camila, eu estou doente. Eu estou muito doente. Faz dois meses que me diagnosticaram um câncer de pulmão bastante agressivo. Infelizmente, não vale a pena operar mas a parte boa é que eu não vou passar meses ou anos sofrendo. Vai ser bastante rápido." Ela me contou aquilo com calma, como se já tivesse assimilado e aceitado o destino.
Eu não sabia o que dizer àquilo. Tudo aquilo me pegou de surpresa, embora eu notasse a voz dela estranha por telefone, eu nunca imaginei que se tratasse de algo tão sério assim. Eu não entendia como ela podia ter me escondido algo tão importante durante dois meses.
"Por quê você não me contou isso antes? Meu Deus, a gente conversou tantas vezes esses meses e você não lembrou de me contar que está morrendo?"
Eu sabia que minhas palavras foram duras mas eu estava indignada com o silêncio dela, preocupada e nervosa. Eu ainda estava assimilando tudo aquilo e estava sendo difícil.
"Eu não contei para ninguém porque eu não queria ninguém se preocupando por mim, já que a minha morte é algo inevitável. A única pessoa que sabe é a Lauren por causa da Sofia e agora, você."
Eu tirei a minha mão da dela e passei a mesma pelo cabelo, me encostando no sofá. "Quanto tempo eles te deram?" Perguntei, abrindo mão de discutir porque era inútil.
"Não vai chegar a um mês."
Eu comecei a chorar depois daquela resposta. Porque eu realmente sentia um carinho muito grande por ela e porque eu sabia que a morte dela ia arrasar a minha irmã. Eu não tinha muito mais o que dizer e ela também não, eu simplesmente abracei ela enquanto chorava. Ela não merecia aquilo.
Nós ficamos algum tempo assim e depois, eu limpei as lágrimas e me acalmei. Então, nós conversamos com mais detalhes. Ela me disse que Sofia sabia que ela estava doente mas não que ela ia morrer, o que era compreensível. Sofia já tinha onze anos e sofreria bastante se soubesse que Marissa tinha apenas poucos dias de vida, porque ela já tinha idade suficiente para entender a situação.
Eu fiquei um bom tempo conversando com Marissa e depois dediquei meu tempo à Sofia. Agora nós não brincávamos mais quando eu ia ver ela, simplesmente conversávamos bastante e saíamos para passear mas depois daquela noticia, eu m*l conseguia prestar atenção no que ela me dizia.
Eu precisava ver Lauren. Aquela situação de Marissa me fez ver o quão frágil é a vida. Uma hora estamos bem e na hora seguinte, nos resta três meses de vida. Eu não queria perder mais tempo sentindo medo e me perguntando todos aqueles "e se...". Eu amava Lauren e ela também me amava, não havia motivo para ficar perdendo tempo com bobeiras enquanto a vida passava. Eu não me perdoaria se alguma de nós morresse sem ter sequer tentado dar uma chance à esse amor.
Eu fui no apartamento algumas horas depois e assim que ela abriu a porta, eu praticamente me joguei nos braços dela. Eu abracei ela com força e ela me abraçou de volta. O cheiro dela nunca falhava em me acalmar e na mesma hora, eu até esqueci que estava brava com ela por não ter me contado sobre Marissa. Eu estava ali, nos braços dela e nada mais importava.
"Você demorou." Ela disse baixinho, enquanto ainda me abraçava.
"Não mais do que você." Eu respondi, antes de segurar o rosto dela e começar um beijo.
Nós tínhamos tantas coisas para conversar mas tudo isso podia esperar porque eu era incapaz de soltar ela e ela também parecia incapaz de me soltar. Nós fomos nos beijando até o quarto dela e tirando as peças de roupa pelo caminho. Quando chegamos lá, eu já estava só de calcinha e Lauren só de cueca.
Ela sentou na cama e eu sentei no colo dela, voltando a unir os nossos lábios. Embora eu não estivesse no clima para t*****r depois daquela noticia, eu precisava que Lauren me fizesse esquecer de tudo, nem que fosse apenas por alguns minutos.
Quando nós paramos de nos beijar, ela chupou um dos meus s***s e eu fechei os olhos, me concentrando apenas no prazer que aquilo me causava. Enquanto Lauren chupava os meus s***s e apertava a minha b***a, eu me esfregava no p*u dela que já estava meio duro e ia ficando cada vez mais molhada.
Eu puxei o cabelo dela, depois de alguns segundos para que ela parasse e me levantei, tirando a calcinha. Ela também tirou a cueca e os meus olhos foram logo parar no p*u dela, que já estava pronto pra ação. Eu dei graças por não ter parado de tomar a pílula depois que terminei com Dinah porque eu não queria nada nos separando e voltei a sentar no colo dela.
Eu me esfreguei um pouco mais nela, deixando o p*u dela molhado, antes de segurar pela base e sentar nele. A sensação de voltar a sentir ela dentro de mim, era maravilhosa. Doia um pouco porque fazia meses que eu não transava e o p*u dela não era pequeno mas até mesmo aquela ponta de dor, me dava prazer.
Eu não queria ter o controle dessa vez, como eu tive na nossa última transa, eu queria que Lauren me fodesse. Eu pedi para ela ficar por cima de mim e ela me segurou, nos virando e eu deitei na cama, com ela em cima de mim. Ela logo começou a entrar e a sair, nem muito rápido nem muito devagar, era um ritmo perfeito e fazia o meu corpo ficar mole.
Eu apenas me segurava nos ombros dela e suspirava e gemia, enquanto ela me fodia. Eu sentia o p*u dela entrando e saindo e a respiração quente dela no meu pescoço, que me deixava completamente arrepiada. Eu comecei a gemer quando Lauren começou a ir mais rápido e cravei as unhas nos ombros dela, com certeza deixando marcas no mesmo.
Eu movimentava o meu corpo junto com o dela e quando eu senti que estava perto de gozar, abri os olhos. Eu queria olhar o rosto dela enquanto gozava, queria ver aqueles olhos verdes quando chegasse no êxtase. Eu segurei o rosto dela e fiquei olhando pra ela, fixamente até gozar. E mesmo sentindo o impulso de fechar os olhos quando eu cheguei ao orgasmo, eu lutei contra ele e os mantive abertos.
Ela me olhava de volta, ainda entrando e saindo de dentro de mim e pouco depois do meu orgasmo, ela gozou também. Ela fez a mesma coisa que eu, manteve os olhos abertos e me olhou o tempo todo enquanto gozava. Foi só quando eu senti aquela p***a quente dentro de mim, que eu finalmente fechei os olhos e dei um último gemido.
Lauren tirou o p*u, antes de que eu pudesse pedir que ela não fizesse isso e deitou do meu lado na cama. Eu me virei, ficando de barriga para baixo e deitei a cabeça no peito dela, abraçando ela pela cintura. Ela me abraçou de volta e ficou fazendo um carinho gostoso no meu cabelo, que me deu sono.
"Você já tomou a sua decisão?" Ela perguntou, pouco depois.
"Não é óbvio?" Eu levantei a cabeça e olhei ela, antes de continuar. "Me promete que nós não vamos perder mais nem um minuto?"
"Prometido." Ela respondeu, sorrindo.
Nós já tínhamos perdido tempo suficiente e a partir daquele momento, eu jurei para mim mesma que não voltaria a viver com medo. Que não deixaria que as minhas inseguranças e receios estragassem a minha felicidade. E eu esperava que Lauren fizesse o mesmo, porque agora mais do que nunca, nós precisávamos estar unidas.