POV Lauren
Eu sabia que isso não seria uma boa idéia. Avisei minha mulher de que não ia dar certo desde o momento zero mas quem diz que ela me escuta?
Há alguns meses atrás eu e minha esposa resolvemos adotar uma criança. Ela não podia ter filhos e depois de várias tentativas falidas, nas quais ela ainda tinha alguma esperança de ficar grávida, ela decidiu desistir e buscar uma outra alternativa. Foi como acabamos naquele enorme orfanato, dirigido por um sujeito nada simpático mas; para nossa sorte; bastante sem escrúpulos. Quando ele e os assistentes sociais assignados pra aquele lugar viram os zeros da minha conta bancária, o fato de sermos um casal homossexual querendo adotar pareceu ser algo sem importância.
Sociedade hipócrita.
O resultado foi que minha mulher acabou gostando de uma menina já grandinha para minha surpresa, já que eu achava que ela escolheria um bebê pequeno. Mas por algum motivo, ela ficou fascinada com a criança. A verdade é que Sofia era uma gracinha e eu também acabei ficando rendida aos encantos daquela criança. Só havia um pequeno grande problema nisso tudo: Camila.
Camila tinha dezesseis anos e era a irmã de Sofia. As duas tinham ido pra aquele lugar depois dos pais delas morrerem em um acidente de carro, quando Camila tinha treze e Sofia tinha apenas dois anos. Camila era super protetora com a irmã; o que era mais que normal naquela situação; e as duas eram inseparáveis. Sofia mesma deixou bem claro que não iria a lugar nenhum sem a irmã e se fossemos levar só ela, ela preferia continuar ali com Camila. A menina podia ter apenas cinco anos mas era bastante decidida.
Para mim a decisão estava clara: escolher outra criança. Embora eu estivesse encantada com Sofia, eu não queria uma adolescente pra tomar conta. Já minha mulher insistia em que não seria tão r**m assim e que precisamente por Camila já ser grande, não daria trabalho. Eu tenho que rir ao lembrar dessas palavras!
Depois de várias semanas discutindo sobre esse assunto, eu finalmente cansei de tentar fazer ela mudar de idéia e concordei em adotar as duas. Bom, na verdade só adotamos a Sofia e viramos tutoras legais de Camila, mas vem a dar no mesmo.
O processo foi lento e demorou cinco meses até que eles finalmente nos deram a Sofia. E a Camila. Logo no primeiro dia, eu vi que iamos ter problemas com aquela garota. Ela não falava nem comigo nem com a minha mulher, só falava com Sofia e apenas respondia algumas perguntas extremamente necessárias. Era tudo que eu precisava aos meus vinte e oito anos; ter que aguentar falta de educação de uma pirralha.
Cada dia que passava minha paciência com Camila era um pouco menor. Com o passar das semanas, seu silêncio se transformou em ataques cada vez que eu ou minha mulher impunhamos alguma regra. Ela tinha feito amigos rapidamente na nova escola e queria sair todo fim de semana e é claro que nós não podiamos tolerar isso. Até porque logo na primeira vez que deixamos ela sair, ela chegou em casa às quatro da manhã, carregada por um moleque de tão bêbada que estava.
Minha mulher mantinha uma atitude passiva com respeito a isso, como se quisesse deixar Camila fazer o que quissese e só se importasse com Sofia e isso me deixava muito p**a. Afinal, foi ela quem insistiu para que eu aceitasse Camila também. Agora Camila era nossa responsabilidade e eu não ia deixar nada de r**m acontecer com ela. Até porque embora ela fosse dificil de lidar e não mostrasse muito (nenhum) respeito por nós, eu havia aprendido a gostar dela.
Era dificil vê-la como uma filha ao contrário de Sofia por razões óbvias, ela não tinha idade pra ser minha filha e era quase uma mulher que não estava buscando uma "nova mãe" mas é claro que eu tinha criado um carinho especial por ela. E é claro que eu sabia que meu dever como tutora legal era cuidar dela e era isso que eu fazia. Enquanto minha mulher estava perdida em seu mundo de felicidade com Sofia; que também estava encantada com ela; eu tentava controlar o furacão Camila.
Eu perdi a conta de quantas vezes fui chamada na escola porque pegaram ela fumando maconha, ou porque ela tinha se metido em alguma briga. Quantas vezes vi ela matando aula pra ficar se agarrando com algum moleque. Isso acabava com a minha paciência e mais ainda quando eu falava sobre isso com a minha mulher e ela parecia não se importar. Chegou ao ponto em que gritei um monte de verdade na cara dela, disse que havia sido ela quem quis aquilo e que quem tinha que arcar com as consequências era apenas eu e que ela deveria ter me dado ouvidos na hora de escolher a criança. Isso fez ela se alterar também, dizendo que pra mim qualquer criança tinha servido porque eu m*l dava atenção pra Sofia.
Que tempo eu tinha pra dar atenção pra Sofia se eu tinha que lidar com todos os problemas de Camila sozinha?
Aquilo não foi nada bonito e ela fez o que ela melhor sabia fazer: Fugir pra debaixo da saia da mãe. Pegou Sofia e disse que ia passar o fim de semana na casa dos pais, me deixando sozinha com Camila. E meu ódio só aumentou, dela, da situação, de tudo.
Para ajudar, Camila fez o favor de sair sem dizer nada no Sábado de tarde e voltar pra casa às dez da noite. Aquilo tinha que acabar, eu não ia continuar permitindo aquele tipo de comportamento.
"Onde você estava, Camila?" Perguntei assim que ela entrou em casa.
Escutei o suspiro dela, seguido de um breve: "Por ai." de resposta e sem nem me olhar na cara, ela foi subindo as escadas em direção ao quarto.
Eu estava mais que cansada da atitude daquela garota e aquela noite eu ia ensinar ela a me respeitar. Levantei do sofá onde eu havia passado o bendito do dia inteiro e fui atrás dela. Quando cheguei no quarto dela, ela já estava tirando a roupa e estava só de calcinha e sutiã. Ela não parecia ter nem um pouco de vergonha de estar sem roupa na minha frente mas eu evitei olhar pra ela, até porque quando bati os olhos no corpo dela eu senti uma onda de excitação pelo corpo e isso me assustou.
Fazia mais de uma semana que eu não fazia sexo e eu não era cega, Camila tinha um corpão mas além de ser menor de idade, era minha "filha". Fiquei olhando pra parede esperando que ela entendesse a mensagem a se vestisse mas ela só cruzou os braços e ficou me olhando, perguntando o que eu queria. O que eu queria era dar uma palmadas naquela garota petulante e fazer ela virar gente!
"Dá pra você se vestir pra a gente conversar?"
Ela revirou os olhos e não se moveu do lugar, ainda com os braços cruzados. "Tudo que eu tenho você tá cansada de ver, Lauren. O que você quer, hein? Anda logo que eu quero tomar banho."
Ah, eu tinha atingido meu limite! Tirei os olhos da parede e olhei bem na cara dela, encarando ela enquanto me aproximava um pouco. Ela não pareceu se intimidar e também me encarava com a maior soberba.
"Primeiro que tudo, eu quero que você fale direito comigo porque eu não sou suas coleguinhas da escola pra falar comigo de qualquer jeito! Segundo, eu quero que você coloque a roupa de volta e sente a b***a nessa cama pra escutar o que eu tenho pra te falar."
Ela fez uma cara de raiva durante alguns segundos e parecia que ia falar alguma coisa do tipo "você não manda em mim" ou algo do tipo; coisas que ela adorava dizer; mas não disse nada e fez o que eu mandei. Bom, aquilo já era um primeiro passo, era a primeira vez que ela me obedecia. Acho que ela percebeu que a batata dela estava assando.
Camila voltou a vestir a saia e a blusa e sentou na cama, cruzando os braços e voltando a me encarar. Eu fiquei de pé na frente dela e também cruzei os meus braços pra ela ver que eu ia falar bastante sério.
"Onde você estava?" Eu voltei a perguntar.
"Por ai."
Eu passei a mão pelo cabelo e respirei fundo, tentando controlar meus nervos. Eu nunca fui de violência mas confesso que eu estava com muita vontade de dar um tapa na cara daquela menina.
"Vou perguntar pela última vez, Camila. Onde é que você estava?"
Ela deu uma risada debochada depois de escutar o que eu disse e isso só aumentou mais a minha raiva. Aquela menina parecia que estava querendo testar a minha paciência e m*l sabia ela que eu já não tinha mais paciência nenhuma pra perder.
"Vai perguntar pela última vez, é? E se eu não disser, vai fazer o que? Me colocar de castigo? Me bater? Se liga, Lauren. Você não é minha mãe, não é minha tia, não é nada. Se eu estou aqui é só pela minha irmã e assim que eu fizer dezoito anos você vai se ver livre de mim, não se preocupa."
"Sou sua tutora legal e você querendo ou não, eu sou responsável por você!" Eu gritei, perdendo o pingo de paciência que me restava. "Quando você fizer dezoito anos pode ir pra China se quiser que eu não estou nem ai mas até lá, você vai me obedecer!"
A expressão do rosto dela mudou depois daquilo. No lugar de soberba, ela me olhou quase que com tristeza durante alguns segundos mas logo se compôs. Ela nunca demonstrava o que estava sentindo, nunca baixava a guarda. Parecia ter medo de deixar alguém entrar no mundo dela, parecia ter medo de que gostassem dela ou de gostar dos outros.
"É claro que você não está nem ai. Vocês só me aguentam por causa da Sofia, pra sua mulher é como se eu nem existisse. E você..." Ela se levantou, me encarando e chegando mais perto de mim. "Você só quer que eu fique aqui quieta e não te dê trabalho. Está pouco se lixando pra onde eu vá quando sair daqui, certo? Então por quê vai ficar se estressando comigo enquanto estou aqui? Faz que nem a sua mulher e finge que eu não existo, Lauren. Eu não sou nenhuma criança, não preciso de bábá. Se eu me f***r na vida é problema meu, você não tem nenhum tipo de obrigação comigo."
Ela disse aquilo com uma dureza que me deixou muda por alguns segundos. Claro que a vida dela não tinha sido fácil, perder os pais tão nova e acabar num orfanato com a irmã tão pequena. Tudo isso tinha feito de Camila uma pessoa fria, que não deixava ninguém se aproximar a ela emocionalmente. Eu sabia que ela merecia a bronca mas me arrependi de não ter escolhido direito as palavras. Quantas vezes ela devia ter escutado aquele "não estou nem ai" durante os mais de três anos que passou naquele lugar?
"Eu tenho sim, Camila." Eu respondi, com mais calma. "Eu aceitei essa responsabilidade quando decidi te trazer pra dentro da minha casa e virar sua tutora legal. E embora você ache que não, eu me preocupo com você. Se eu não me preocupasse eu faria exatamente o que está me pedindo; te deixaria em paz pra fazer o que quisesse. Pra matar aula, pra beber até cair, pra se drogar. Mas acontece que eu me preocupo e não vou deixar você acabar com a sua vida desse jeito. Eu não escolhi direito as palavras, não quis dizer que não me importo com o que aconteça com você depois que sair daqui. Eu quis dizer que quando você for maior de idade, pode tomar suas próprias decisões mas até lá eu tenho o dever de fazer o que é melhor pra você."
Ela queria dizer algo a isso mas eu não deixei, queria falar tudo de uma vez antes de que ela; provavelmente; me respondesse torto.
"O melhor pra você não é ficar faltando na escola pra ficar se agarrando com algum moleque, nem sair todo fim de semana e chegar bebâda em casa. O melhor pra você por agora é estudar e pensar no que você quer fazer da vida porque eu vou ter muito prazer em pagar a faculdade que você escolher, se você decidir fazer. Agora se não quiser, eu não posso te obrigar mas posso sim te obrigar a ir pra escola e terminar querendo ou não. E por muita raiva que você fique de mim, eu posso sim te proibir de sair de noite e posso sim pedir satisfação de onde você estava."
Fiz uma breve pausa antes de continuar e Camila apenas me olhava, com uma mistura de desconfiança e incerteza no rosto. Talvez eu finalmente conseguisse que ela baixasse a guarda depois daquela conversa.
"Eu gosto de você, Camila. Eu quero ter uma boa relação com você e a base disso é uma boa educação. Eu não te peço que goste de mim, não posso te obrigar a isso mas te peço que me respeite e que não fique tão na defensiva. Eu não sou sua inimiga, muito pelo contrário, se você me deixar entrar na sua vida, eu posso ser uma amiga."
Ela disfarçou mas pude ver que ela estava com os olhos cheios de lágrimas. Imaginei que ninguém nunca deve ter dito aquelas coisas pra ela depois da morte dos pais e ela devia estar se sentindo tão sozinha, tão carente. Ela só precisava se sentir querida, se sentir amada e eu queria passar essa sensação pra ela. Aos poucos, eu fui chegando mais perto dela com cuidado e vendo se ela ia se afastar mas ela ficou parada no mesmo lugar e eu abracei-a.
Ao contrário do que eu pensava, ela não ficou tensa enquanto eu a abraçava; pelo contrário; ela quase que imediatamente me abraçou de volta e isso partiu meu coração. Aquela menina só precisava de um pouco de amor e atenção. Ela podia até já ser quase uma mulher mas no fundo, ela ainda era aquela criança de treze anos que perdeu os pais e se viu sozinha no mundo com uma irmã pequena para cuidar em um lugar onde todos estavam abandonados.
Abracei ela com carinho, enquanto prometia que sempre estaria ali pra ela e não demorou muito até que ela começou a chorar de soluço no meu peito, molhando minha camisa. Eu beijei o topo da cabeça dela, enquanto fazia carinho em suas costas e Camila apertava minha camisa como se não quissese me largar. Ela finalmente tinha derrubado o muro que havia entre nós e eu tive a certeza que dali pra frente tudo iria melhorar.
Mal eu sabia que a noite estava apenas começando...
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Parte 2
POV Camila
Eram duas da manhã quando eu acordei com os gritos de Lauren no telefone. Ela parecia fora de si e quando escutei o barulho de algo de vidro sendo quebrado, decidi me levantar e ir ver o que estava acontecendo. Era estranho que Lauren estivesse daquele jeito porque depois da nossa conversa, ela parecia bastante relaxada. Ela ficou comigo, me abraçando, até que eu adormeci e foi a primeira vez em anos que eu dormi em paz. Desde a morte dos meus pais, não havia uma só noite em que eu não tivesse pesadelos ou m*l conseguisse dormir mas Lauren conseguiu que eu me sentisse protegida e meu sono esteve livre de incidentes; as poucas horas que dormi pelo menos.
Lauren não sabia; porque eu nunca lhe disse; mas eu realmente gostava dela. Durante os meses que eu e Sofia já estávamos naquela casa, ela sempre mostrou preocupação por mim e sempre tentou se aproximar embora eu não permitisse. O problema é que com o passar do tempo, a admiração que eu sentia por ela; mesmo que em silêncio; se transformou em algo mais...
Eu estava gostando dela mas gostando de verdade. Eu vivia sonhando acordada com ela, me perdendo em minhas próprias fantasias. Acho que no fundo eu fazia tanta besteira só pra chamar a atenção dela. Eu via como a mulher dela m*l dava atenção a ela, parecia que depois de ter a criança que ela tanto queria ela não precisava mais de Lauren e isso me deixava com tanta raiva. Como aquela mulher podia não dar valor pra aquela maravilha de mulher e de pessoa que ela tinha? Eu sentia pena de Lauren, cada vez que eu via ela chegar com algum presente ou algum agrado e a mulher praticamente nem ligar. Eu via a cara de tristeza dela e aquilo me quebrava o coração.
Como aquela mulher era i****a! Se fosse eu no lugar dela, eu pularia no colo de Lauren e encheria ela de beijos. Eu faria de tudo pra fazer ela feliz. Eu realmente não entendia como Lauren não cansava e abria mão daquela mulher.
Quando cheguei nas escadas, eu me sentei no último degrau e fiquei olhando Lauren, que caminhava de um lado pro outro da sala enquanto falava no telefone. Assim que comecei a escutar a conversa, percebi que ela estava falando com a dita cuja e pelas coisas que ela dizia, deu pra entender que ela tinha dito que não ia voltar pra casa. Lauren acusava ela de ter usado ela só pra conseguir o que queria e ficava cada vez mais nervosa com cada coisa que aquela mulher falava.
Além de sentir raiva dela por machucar Lauren, eu ainda senti raiva dela ter levado minha irmã com ela. Agora o que ela estava pensando em fazer? Ficar morando com a minha irmã em outro lugar? Que mulher filha da p**a, aposto que já tinha até isso planejado desde o começo! Ela só queria mesmo era um filho, tanto que foi Lauren quem assinou os papéis para ser minha tutora legal pra ela não ter nenhuma obrigação comigo. Agora ela deixava Lauren e me deixava aqui com ela e ficava com Sofia só pra ela.
Depois de mais alguns gritos, Lauren desligou o telefone e jogou o aparelho no chão, quebrando o mesmo. Ela se jogou no sofá e deu um gemido de raiva antes de começar a chorar. Meu coração partiu mais ainda ao escutar ela chorar e eu não consegui evitar ir até lá e sentar do lado dela; bem perto; e alisar o braço dela, tentando acalmá-la. Ela me olhou com os olhos vermelhos e logo voltou a olhar pra algum ponto da parede, soluçando.
Eu não sabia o que fazer, nunca estive numa situação assim de ter que tranquilizar alguém. Agindo por impulso, eu dei um beijo no rosto dela e ela não se moveu, apenas continuou chorando com o olhar perdido. Eu pude sentir o cheiro dela quando beijei seu rosto e era um cheiro tão bom que quando dei por mim, eu estava com o rosto no pescoço dela. Eu dei um beijo ali também e nesse momento, Lauren parou de soluçar. Logo eu dei mais um beijo, dessa vez mais demorado. Quando me dei conta, eu estava beijando o pescoço dela compulsivamente e Lauren se afastou, me olhando confusa.
"O quê que você tá fazendo, Camila?" Ela perguntou com a voz falha.
"Eu sei que você se sente sozinha. Eu também me sinto sozinha. Eu sei o que é querer carinho e não ter. Ela não te merece, Lauren. Ela não sabe dar valor pra mulher maravilhosa que ela tem."
Lauren parecia não saber o que dizer a isso, ela apenas me olhava com a mesma expressão de confusão no rosto. Eu tive vontade de contar a verdade pra ela, de dizer que eu estava apaixonada por ela mas não fiz isso. Lauren amava aquela mulher e me diria algo do tipo: "Isso é errado, Camila". Eu não queria ter que escutar que o que eu sentia era errado, eu queria apenas ela. Nem que fosse apenas por uma noite.
"Você queria que eu te deixasse entrar na minha vida, entrar no meu mundo." Quando eu comecei a falar aquilo, eu já estava chorando e nem tinha percebido. "Eu deixo você entrar. Me deixa entrar no seu? Nem que seja só hoje, nem que amanhã a gente finja que nada aconteceu. Por favor."
Ela abriu a boca pra dizer algo mas eu não esperei pra escutar o que era, eu não podia perder tempo. Colei meus lábios nos dela e beijei ela com suavidade. Lauren não devolvia o beijo mas eu não me importei com isso, continuei beijando ela fazendo com que minhas lágrimas se misturassem com as dela e tornasse aquele beijo salgado.
"Camila..."
Aquele sussurro foi a única palavra que Lauren disse antes de começar a me beijar de volta. Aquele beijo foi o mais longo da minha vida e o melhor, de longe. Quando nós finalmente nos afastamos, buscando o ar que começava a ser um problema, ambas tínhamos o rosto molhado. Lauren passou os dois polegares pelo meu rosto, limpando minhas lágrimas e eu fiz o mesmo com ela.
"Nós não temos porque nos sentirmos sozinhas essa noite, Lauren. Não essa noite."
Eu disse aquilo bem baixinho, como se alguém pudesse nos escutar, e Lauren depois de olhar nos meus olhos por vários segundos, fez apenas um pequeno gesto com a cabeça. Aquele gesto foi tudo que eu precisei para ir em frente.
Me sentei no colo dela, de frente, e voltei a beijar aqueles lábios macios com calma. Eu não queria uma simples transa, eu queria que fosse algo especial porque Lauren era especial pra mim. Ela me beijava com a mesma calma e as mãos suaves dela passeavam pelas minhas costas; por dentro da blusa; enquanto isso, me fazendo suspirar. Eu, por minha vez, brincava com os botões da camisa social dela enquanto nossas linguas se tornavam cada vez mais familiar. O beijo de Lauren era perfeito, calmo porém intenso, e fazia meu corpo ficar mole e minha calcinha molhar. Ela parecia estar gostando do beijo também, pois eu podia sentir seu p*u ficando duro dentro das calças.
Senti ela levantar do sofá, me pegando no colo e logo ir até as escadas. Lauren subiu as escadas comigo no colo sem o menor esforço, ela era mais forte do que parecia. Eu me limitei a dar vários beijos pelo pescoço dela pelo caminho, louca pra sentir logo ela dentro de mim. Ela me levou pro meu quarto e me deitou na cama, com cuidado. Me pediu que eu esperasse um pouco e saiu do quarto, o que eu aproveitei pra tirar logo toda a minha roupa e esperei por ela completamente nua na cama.
Lauren voltou uns dois minutos depois, com uma camisinha na mão e abriu a boca em surpresa ao olhar pra mim. Eu via o olhar de desejo dela enquanto olhava cada detalhe do meu corpo e aquilo me fazia sorrir, eu descobri que adorava que ela me olhasse. Fui até a beira da cama e sentei nas minhas pernas, segurando a camisa dela e puxando ela pra mais perto. Abri a camisa dela devagar e tirei a mesma, passando ambas mãos pela barriga dela. Lauren suspirou pois minhas mãos estavam frias e para compensar, eu comecei a beijar os lugares onde minhas mãos tinham tocado.
Não demorou até que senti as mãos de Lauren no meu cabelo e olhei pra cima, me encontrando com aqueles olhos verdes intensos me olhando de volta. Aquela foi a primeira coisa que me apaixonou nela, os olhos. Parecia que ela podia ver dentro de mim quando me olhava nos olhos e eu me perdia naquele mar verde.
Lauren deu um pequeno sorriso pra mim e eu sorri de volta, abrindo as calças dela. Nessa hora eu vi uma certa hesitação em seu olhar, como se ela estivesse numa luta interna entre o certo e o errado mas eu não dei tempo pra ela duvidar e baixei as calças dela no ato. Fiquei fascinada quando eu vi aquele volume grande na cueca boxer dela e logo coloquei minha mão por cima, dando uma leve apertada em seu m****o.
Lauren gemeu e se desfez das calças, enquanto eu continuava brincando com seu p*u por cima da cueca. Eu nem vi ela tirando as meias e o sutiã, meu olhar estava vidrado no meio das pernas dela. Aos poucos eu baixei a cueca dela e deixei seu m****o livre. Era; de longe; o maior e mais bonito que eu já tinha visto. Não que eu tivesse visto muitos mas tenho certeza que o de Lauren era o mai bonito que eu veria. Era grande, não tinha pele e era branquinho que nem ela mas estava vermelho graças a todo o sangue que levantava ele.
Eu já ia com a boca nele mas Lauren me parou e me pediu pra deitar na cama. Eu fiz o que ela pediu e ela logo deitou por cima de mim, encostando os lábios no meu ouvido e sussurrando: "Você nunca mais vai sentir falta de carinho." Depois de dizer isso ela deu um beijo no lóbulo da minha orelha e aquela promesa me fez sorrir. Lauren era perfeita, eu não queria nem pensar em que; muito provavelmente; aquela seria a única vez que ela seria minha e que eu seria dela.
Lauren beijou todo o meu corpo, sem exagero, ela me beijou desda testa até ambos pés. E quando ela terminou, eu já estava sujando o lençol de tão molhada e pronto pra ela. Seu último beijo foi em meus lábios, antes de me perguntar se eu tinha certeza de que queria aquilo. Minha resposta foi óbvia: "Sim, muito."
Ela abriu a embalagem da camisinha e colocou a mesma enquanto eu olhava e abria mais as pernas, dando lugar suficiente pra ela. Logo, Lauren segurou o p*u e colocou na minha entrada, me olhando profundamente e me dando uma segunda chance de voltar atrás. Mas eu jamais voltaria atrás e fiz ela entender isso, jogando minha cadeira pra frente, implorando pra ela ir logo. Ela apenas sorriu e, aos poucos, foi entrando em mim.
Aquilo não podia nem se comparar a nada do que eu já havia experimentado antes. Nenhuma das anteriores transas, nenhuma das drogas que eu já tinha provado, nenhum momento de prazer podia se comparar àquele. Quando Lauren entrou completamente em mim, eu me senti tão plena, tão completa. E mais importante, eu me senti amada. Talvez não do jeito que eu queria ser amada mas eu sabia que Lauren me amava e isso bastava.
No começo, ela ficou parada, apenas me olhando e sorrindo ao ver minha cara de prazer. Eu olhava ela de volta e sorria mais ainda, aquilo era como um sonho realizado. Lauren me beijou e começou o movimento de vai e vem devagar, me fazendo sentir cada pedacinho daquele p*u maravilhoso dentro de mim. Naquela hora eu já não aguentava ir lento, eu precisava que a ação começasse logo. Coloquei minhas pernas à volta da cintura de Lauren e puxei o corpo dela de encontro ao meu. Lauren entendeu o pedido silencioso e aumentou a velocidade das estocadas.
Em pouco tempo ela entrava e saia rápido e com força, gemendo meu nome baixinho e me deixando ainda mais apaixonada. Eu também gemia principalmente quando ela dava umas leves reboladas enquanto estocava tocando um lugar dentro de mim que me fazia ver estrelas. Minha b****a contraia cada vez mais ao redor do p*u de Lauren e eu sabia que logo gozaria. Meus olhos insistiam em se fechar mas eu forçava eles a ficarem abertos e olhar Lauren o tempo todo, como se eu precisasse ter a certeza de que aquilo era real, de que estava mesmo acontecendo. Ver ela em cima de mim, com aquela cara de prazer, gemendo meu nome enquanto me fodia, era a visão do paraíso.
Lauren deu uma estocada especialmente forte e eu não consegui aguentar mais e gozei na hora, apertando com força o p*u dela. Eu queria prender ela ali, que ela não saísse nunca. Eu queria que aquele momento não acabasse jamais, que fosse eterno. Fechei os olhos, sentindo as ondas do orgasmo percorrer todo o meu corpo e aquela sensação de puro êxtase pós-orgásmico. Lauren não continuou as estocadas e quando seu corpo caiu rendido em cima do meu, eu percebi que ela também havia gozado.
Ficamos em silêncio, o único som que se escutava era o das nossas respirações pesadas e descontroladas. Eu podia escutar meu coração batendo nos ouvidos e eu m*l lembrava da última vez que isso tinha acontecido.
Na verdade, eu lembrava sim... Foi em um momento de puro desespero. No dia que meus pais morreram.
Mas dessa vez era de pura felicidade. Lauren beijou meu rosto várias vezes, enquanto ainda estava deitada em cima de mim e voltou a sussurrar aquelas palavras que faziam meu coração se encher de alegria: Você nunca mais vai sentir falta de carinho.
E era verdade. Eu nunca mais senti falta de carinho. Claro que não era o carinho que eu queria e desejava mas com certeza, era melhor que nada. Lauren fez as pazes com a mulher poucos dias depois daquela briga e ela voltou pra casa. Ela voltou diferente, enchendo Lauren de beijos e atenções. Para mim aquilo era atitude de quem estava devendo, de quem traiu e tinha a necessidade de demonstrar amor para se sentir menos culpado. Lauren atuava do mesmo jeito. Mas como dizem que chifre trocado não dói, não era eu quem ia me meter naquele casamento que agora era tão perfeito.
Me concentrei em Sofia, a única coisa boa que saiu da reconciliação das duas. Continuei morando com minha irmãzinha e isso afastava um pouco meus pensamentos de Lauren e era mais fácil de suportar ver as duas juntas.
Lauren e eu não voltamos a tocar no assunto daquela noite e ela fez o que prometeu, ela me dava bastante carinho. O carinho que uma irmã mais velha dá pra mais nova, o carinho que eu dava pra Sofi. E embora ambas soubessemos que eu queria muito mais que aquilo, nenhuma das duas nunca disse nada.
Quando eu terminei a escola, eu já tinha decidido o que queria fazer da vida. Decidi fazer faculdade de direito e isso deixou Lauren bastante feliz. Depois daquele nosso... Incidente, eu mudei de atitude e me centrei nos meus estudos. Eu queria ser alguém na vida, queria que meus pais estivessem orgulhosos de mim, estivessem onde estivessem.
Lauren fez até uma festa de despedida quando eu fui embora, já que eu ia estudar em NY. Ela estava realmente orgulhosa e eu estava feliz de ter alcançado as expectativas dela. Eu estava triste por deixar minha irmã, Lauren, até mesmo Marissa; de quem eu tinha aprendido a gostar. Mas eu sabia que Sofia estava em boas mãos, ela até chamava elas de "mama" e "mamãe". Me doia saber que ela não lembraria dos nossos pais mas ao mesmo tempo eu agradecia a Deus por ter colocado duas pessoas que a amam tanto em sua vida.
Quando Lauren me deixou no aeroporto no dia da minha ida, ela me deu um beijo demorado na testa e disse como estava orgulhosa de mim e que me amava muito. Meus olhos se encheram de lágrimas nessa hora e eu encostei meus lábios nos dela, em um selinho bem demorado.
Quando me afastei, olhei em seus olhos; aqueles benditos olhos verdes tão profundos; e disse com muita calma e com um sorriso nos lábios: "Eu sempre vou amar você."
Ela me olhou parecendo pedir perdão. Perdão por não ter me amado do jeito que eu queria. Perdão por não ter sido o grande amor da minha vida. Mas eu apenas sorri mais uma vez e depois de fazer um carinho em seu rosto, dei meia volta e fui embora.
Estava tudo bem. Eu nunca mais ia sentir falta de carinho.