Karine Narrando Ai, ai… se eu disser que tô com pena do Lucas, eu tô mentindo. Passo ali na frente da casa da Dona Cida e é sempre o mesmo drama: ele sentado com cara de viúva, chorando, fungando, como se o mundo tivesse acabado. Ridículo. — Ai, o Joca sumiu… ai, meu amor… — imito em voz baixa, rindo sozinha. — Pelo amor de Deus, né? Nem parece homem. Tá mais pra novela mexicana do que pra quebrada. Fico só observando de longe, com a minha água gelada na mão, e pensando: tomara que o Joca nunca mais apareça. Porque, sinceramente? A paz reinou desde que ele sumiu. Ele sempre se achou demais. Sério, só porque era respeitado pelos caras da boca, andava com moral, se achava o rei da favela. m*l sabia ele que ninguém é insubstituível. E o Lucas? Ah, o Lucas se afundou sozinho. Virou sombra

