Karine Narrando Tem gente que acha que eu sou problema. Talvez eu seja mesmo. Mas o que ninguém entende é que eu não vim pra destruir. Vim pra lembrar. Pra cutucar ferida que nunca cicatrizou. E se incomoda… é porque ainda dói. Olhei meu reflexo no espelho, ajeitando o batom vermelho como se fosse uma armadura. A boca era minha arma, e não só pela fala. Nicolas sempre disse isso… antes de me largar como se eu fosse descartável. — Pronta, Karine? — perguntei pra mim mesma, encarando aquela mulher de olhos firmes e alma calejada. — Mais do que nunca. Desci do carro e andei pela viela sem medo. Eu conhecia aquele morro como ninguém. Já tinha marcado território ali muito antes da princesinha do papai aparecer. O baile tinha acabado, mas os resquícios dele tavam espalhados pelas ruas: garra

