Café

1100 Palavras
Sally Narrando Eu estava rindo com uma das minhas colegas de trabalho na hora do almoço. Recentemente, uma funcionária chamada Bea está muito incomodada comigo, tem tentado me tirar do sério por muitas vezes. Pelo que minha colega disse, é porque tem ciúme do nosso chefe. Dizem que ela é apaixonada por ele e toda vez que alguma mulher bonita chega na empresa, ela surta. Principalmente se fica no setor dele. Quando acabou o meu horário de almoço, me despedi da minha colega e ela foi para sua mesa, do outro lado do andar. Na parte onde fico, só tem eu e mais uma funcionária de mulher. Eu fui caminhando até minha mesa com meu café na mão e, para minha surpresa, Bea estava saindo da sala de Henry e assim que me viu, sorriu de forma maliciosa. Ela propositalmente trombou em mim, me fazendo derrubar o café inteirinho na minha blusa branca novinha. Eu fiz uma cara de surpresa enquanto ela saía com cara de vitoriosa. O chão ficou encharcado, assim como minha roupa. – Mas que c*****o! – Eu gritei, depois que acordei do meu pequeno choque por ter levado um copo de café quente no corpo inteiro. – Olha por onde anda, vaca! Nem pede desculpa por ter feito uma cagada dessa! Henry ouviu meus gritos e saiu de sua sala, parecendo bravo. Seu rosto rude se desfez quando me viu molhada de café e Bea apressando o passo. – O que aconteceu? – Questionou. – Aquela vaca trombou em mim de propósito! Como eu vou para a reunião daqui uma hora desse jeito? – Henry girou os olhos. – Vou ter que demitir essa garota. Ela tem uma leve obsessão por mim. – Agora, quem girou os olhos fui eu. – E eu lá tenho culpa disso? – Ele deu os ombros. – Ela se sente ameaçada quando vê uma mulher bonita. Como se isso fosse mudar algo entre eu e ela. Nunca encostaria nessa maluca. – Ele soltou uma risada. – Vem, vamos resolver isso. Henry me chamou para dentro de seu escritório e entrou no banheiro dele. Trouxe consigo uma toalha e um sabonete novo, me entregando assim que se aproximou de mim. – Tudo bem, eu vou tomar um banho e vestir o que? Vou arrancar uma dessas cortinas do seu escritório e fazer um vestido igual as princesas da Disney? – Henry deu risada. – Vai tomando um banho, vou mandar minha secretária buscar um vestido para você. Você usa o que, trinta e oito de numeração? – Concordei com a cabeça. – Eu também preciso de roupas íntimas novas. Confortáveis, por favor. – Ele concordou com a cabeça. – Vai tomando o banho e eu resolvo isso. – Concordei com a cabeça e fui em direção ao banheiro dele. Entrei lá, tomei uma ducha e depois coloquei o roupão branco que ele me emprestou. Era realmente macio. Me senti abraçada. Deixei a porta aberta para que ele soubesse que eu já havia terminado o banho, e em alguns minutos, ele chegou com algumas sacolas de compras de várias lojas. Fiz uma careta ao ver. – Achei que você iria me trazer apenas um vestido e roupas íntimas. – Falei, olhando para o monte de sacolas que ele deixou em meus pés. – Achei que você tivesse ficado brava por levar um copo de café no corpo por minha causa. Estou tentando me redimir. – Ele soltou uma risada e eu também. – Por esse tanto de coisa, eu levaria um copo de café algumas vezes a mais no corpo. – Falei em tom de brincadeira. Tenho certeza que Henry gastou mais de cinco mil dólares com as coisas que me comprou. Eu escolhi um vestido de corte social preto, até o joelho, e coloquei junto com um scarpin de sola vermelha que ele comprou para mim. Era meu sonho ter um desse. Saí do banheiro renovada. Ele ergueu as sobrancelhas e aplaudiu em tom de brincadeira. – Melhor do que eu imaginei. – Falou. – Obrigada, obrigada. – Falei, dando uma voltinha como se fosse modelo. Ele riu. Quando saí da sala de Henry, ajeitei as coisas rapidamente para a reunião e fomos. Deixei todas as minhas coisas na sala dele, mesmo, para não gerar um falatório. A reunião ocorreu de forma tranquila, e assim que terminou já havia passado alguns minutos do meu expediente. – Eu te levo para casa, Sally. Assim você não precisa carregar aquele monte de coisas na rua. – Dei os ombros. – Pode ser. Vi Bea saindo do elevador. Decidi provocá-la um pouco. Talvez eu seja um pouco malvada, mas não ligo. Ela me lançou um olhar fulminante ao ver minha roupa nova e limpa. – Bea, gostou da minha roupa nova? – Eu abri um sorriso de forma irônica. Ela me olhou de cima abaixo. – Tanto faz. – Foi o próprio Henry que comprou para mim. Que chefe atencioso que temos, não é? Da próxima vez, joga café na minha bolsa, porque tô precisando de uma nova. Eu poderia pedir pra jogar nos meus sapatos também, mas ele fez questão de me dar sem eu falar nada, olha só. – Coloquei uma perna para frente, exibindo o sapato. Meu sorriso irônico no rosto se tornou uma expressão de satisfação quando ela saiu batendo os pés. Essa vaca que não mexa mais comigo. Não sou obrigada. – Está pronta, Sally? – Henry saiu com todas as sacolas na mão e sua pasta. Bea arregalou os olhos. – Namorando com uma de suas funcionárias, Henry? – Bea é ousada. Muito ousada. – Por enquanto não, querida. Mas tive que comprar algumas coisas para ela graças a sua gracinha com o café. Já conversamos sobre isso, não conversamos? – Bea virou e saiu batendo os pés mais uma vez. Eu gargalhei por dentro. Entrei no carro de Henry pela segunda vez. Ele colocou as coisas no porta-malas e depois entrou no carro. – Que dia pesado. – Falei. Ele concordou. – Vamos beber. – Disse. – Ainda é quinta-feira. – Mencionei. – Eu decidi que amanhã estamos de folga. Essa semana foi uma merda. – Ele ligou o carro e saímos rindo. – Você é maluco. Como vai explicar para os funcionários que folgamos ao mesmo tempo, do nada, depois de você sair comigo cheio de presentes da empresa? – Talvez eu não ligue para o que pensam de mim. Eu mando naquela p***a. – Ele piscou um dos olhos para mim e sorriu de forma sacana... E pela primeira vez, vi Henry com outros olhos.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR