Sabemos que o passado jamais poderá ser mudado, porém, o presente estará sempre estará livre para que tracemos-no de maneira correta para assim, o futuro ser o que esperamos, mesmo que ainda seja incerto.
Algumas pessoas poderiam ver uma situação como a que eu estava vivendo um provável fim e que eu estava apenas me agarrando ao restante do tempo que tinha, mas eu via tudo como um possível recomeço incerto.
Era tarde de terça, e como sempre, estava sendo uma droga.
Terças, quartas e quintas com certeza são os piores dias da semana, eles sempre fazem como se a rotina repetitiva se torne ainda mais sufocante e chata; porém, naquela terça, quando estava saindo do trabalho, tomei um rumo totalmente contrário do meu normal, não indo para meu apartamento, e sim para a parada de ônibus esperar o que me levaria para o hospital.
Já haviam se passado dois meses desde o dia em que minha mãe havia se internada; minhas idas ao hospital eram rotineiras aos domingos, tinha tornado aquilo como um possível "passatempo" para os meus dias de folga, e verdadeiramente, eu até gostava. Minha mãe e eu ainda não éramos cem por cento íntimos nem nada disso, mas a "convivência" estava indo bem.
Aquela era a primeira vez que estava indo ao hospital em um dia de semana, fora do horário convencional de visitas. Como já estava em sua ficha como único parente, podia visitá-la a qualquer horário para acompanhá-la de perto e até ajudá-la. E como naquele dia ela tinha um exame rotineiro de verificação, eu quis estar lá. Ainda era muito estranho, mas eu realmente queria estar lá com ela.
Assim que desci na parada de ônibus e segui para o hospital, cumprimentei as atendentes da recepção e segui para onde ela estava. Chegando em seu quarto, dei duas leves batidas e logo rodei a maçaneta, abrindo a porta devagar para que não a incomodasse ou assustasse.
O tratamento que ela vinha fazendo, realmente era forte. Eu já havia visto momentos em que seu corpo tremia enquanto expelia pela garganta o que havia acabado de comer. Estava mais magra, seus cabelos estavam opacos, mas ainda assim, assim que botei meus olhos sobre o quarto totalmente branco e com pouca decoração, eu a vi deitada, dormindo serenamente. Seu corpo pequeno estava realmente mais magro, mas franzi o cenho ao ver como seus olhos estavam fechados com certa pressão como se seu corpo estivesse doendo muito.
Parei ao seu lado, sem saber como reagir, mas toquei-a devagar sobre o ombro.
ㅡ mãe? ㅡ eu a chamei baixo e vi seus olhos abrirem levemente.
E mesmo que ela estivesse sentindo alguma dor naquela hora, ela me olhou com suas íris escuras que logo brilharam com uma ternura ainda muito desconhecida por mim, me lançando um sorriso logo em seguida.
Aquilo era tão novo para mim... Minha mãe nunca tinha me olhado com amor, ou carinho antes. Não que eu lembrasse; mas depois de sua ida para o hospital, ela parecia outra pessoa. Uma pessoa que eu estava gostando de conhecer.
Eu pensava que se ela me visse ali com ela, um pouco de esperança pudesse crescer em si, ou até mesmo que ela pudesse se sentir um pouco em paz, mas era muito doloroso vê-la tão frágil, ficando mais debilitada a cada nova visita.
Sem saber ainda como reagir ao seu sorriso, ergui sutilmente meus lábios, dando-lhe um sorriso pequeno em retorno.
ㅡ Que surpresa ㅡ ela disse ainda com seus olhos ainda me mirando com certo brilho ㅡ eu não sabia que você viria hoje... pensei que só viesse no domingo.
ㅡ eu quis vir hoje para te acompanhar ㅡ disse com certa vergonha ㅡ o doutor Kim me avisou que hoje você teria alguns exames de rotina que são importantes.
ㅡ Sim, são exames chatinhos, você não deveria se preocupar...
ㅡ Mas me preocupo. Quero saber como tudo está.
Mamãe sorriu outra vez, respirando tranquilamente.
ㅡ Eu não esperava por isso, mas agradeço.
ㅡ então eu posso ficar?
ㅡ Claro que pode, acho que me sentirei melhor com você lá.
Aquelas palavras ainda me causavam certa estranheza, mas me faziam bem.
Isso significa que ela me quer por perto.
Então assenti e sentei-me na poltrona ao lado. Logo os minutos foram passando e nós embarcamos em uma curta conversa sobre como haviam sido os últimos dias. De certa forma eu sentia que minha mãe estava se importando comigo, mas não tinha muito o que lhe contar sobre meus dias, eram sempre as mesmas coisas: acordar, ir ao trabalho, voltar para casa, jogar e dormir. Contei-lhe também que continuava desenhando, mesmo me surpreendendo por ela sequer saber daquele meu talento. Eu costumava desenhar coisas bobas, alguns desenhos que eu via passando na TV, algumas imagens que vinham na minha cabeça, mas todos sempre foram apenas para mim, e até mesmo hoje, na minha vida adulta, eu continuo fazendo e guardando-os para mim.
Talvez um dia eu possa mostrar a alguém ou apenas jogar tudo fora.
ㅡ Você tem algum amigo? ㅡ ela perguntou.
Eu a olhei ainda com certo desconforto. Não desconfortável por sua pergunta, pois era uma pergunta normal. Mas sim porque eu não tenho amigos além de Yejun, e isso fazia com que eu parecesse um anti-social, mesmo eu não me titulando como um.
ㅡ Não nos conhecemos há muito tempo.
ㅡ Yejun, certo? Ele é um amigo do trabalho?
ㅡNão, não... ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas jogamos juntos todos os dias.
ㅡ Isso parece legal ㅡ ela me olhou com certa empolgação ㅡ você gosta de jogar? É aqueles joguinhos que vejo os meninos jogando no celular?
ㅡ Mais ou menos. ㅡ sorri. ㅡ Mas não é um jogo de celular. Geralmente, jogo no computador. Não tenho muito o que fazer quando volto do trabalho, então jogo até a hora de dormir ㅡ disse sorrindo pequeno.
ㅡ isso realmente parece ser legal, mas cuidado para não jogar muito tempo e perder a hora de dormir. Precisa dormir corretamente.
Senti meu estômago revirar e meu rosto corar instantaneamente. Receber certa demonstração e preocupação, com uma entonação tão materna, fez todo meu corpo arrepiar.
ㅡ tudo bem, vou tomar cuidado... ㅡ eu disse abaixando a cabeça. Por dentro estava feliz, mas muito envergonhado também.
Passamos mais alguns minutos juntos, por vezes rindo de bobagens ou apenas conversando, até que uma enfermeira adentrou o quarto, informando que estava na hora do exame que havia sido marcado para aquela tarde.
Era notório que havia medo no rosto da minha mãe, aquele exame iria dizer se todo aquele empenho e dedicação dado ao tratamento que experimental, estava começando a mostrar resultados.
ㅡ está tudo bem ㅡ disse-lhe querendo passar um pouco de conforto.
Estávamos nos dando tão bem que isso tudo me assustava ainda mais; eu tinha medo de que fosse um sonho ou talvez uma alucinação e que do nada eu despertasse e visse que nada foi real.
Empurrando a cadeira de rodas onde minha mãe estava, a enfermeira ia em direção a sala na qual seria realizado o exame. Eu caminhava ao seu lado, ainda meio incerto do que aconteceria. Ver o corpo fraco dela era um grande incômodo para mim, e saber que o exame poderia dar-lhe a certeza de que estava melhorando ou piorando era sufocante; a incerteza era horrível.
Após poucos minutos, estávamos no quarto andar do hospital, a ala era um tanto quanto quieta, não muito diferente do restante daquele hospital inteiro, mas tinha um ar gélido, tenebroso, tão silencioso que dava agonia.
Paramos na recepção daquele andar, e a enfermeira pediu para que aguardássemos. Tomei o lugar dela, empurrando a cadeira para levar minha mãe até a sala de espera.
Ajeitei-a ao lado das cadeiras de espera e sentei na que estava ao seu lado. Nervoso, meus pés batiam em um ritmo frenético. Eu nunca havia sequer imaginado passar por algo assim.
Percebendo-me nervoso, minha mãe pôs sua mão pequena em meu joelho, fazendo-me fitar sua mão e parar com os movimentos. Vi quando iniciou um carinho singelo, ameno, mas passando conforto.
Me surpreendi como uma pessoa tão debilitada, pôde me passar conforto com facilidade. Era para ser diferente, mas minha mãe, mesmo abatida e provavelmente sentindo duas dores, sorria pequeno. Seus escuros olhos redondos me olhavam, mostrando carinho.
Eu quis que a sensação que estava dentro do meu coração naquele momento, permanecesse ali para sempre. Eu nunca tinha sentido algo daquele modo, mas eu sentia meu coração acelerado, ao mesmo tempo, que calmo.
Ela conseguia me passar tanta calma, que novamente o medo me tomou. Eu só estava desfrutando daquilo porque minha mãe que estava doente queria.
Eu a queria perto de mim, mas a queria bem. Eu tive medo de perdê-la naquele momento, medo de que, sem avisos, a vida me deixasse sozinho novamente.
Eu não queria mais isso.
Mesmo não estando tão familiarizado com ela, mesmo ainda muito distante, eu já me sentia como seu filho outra vez. Me sentia acolhido, mesmo que por um corpo tão frágil. Eu tinha esperança de vê-la um dia sair daquele lugar bem, cheia de vida e saúde, andando com seus próprios pés, mostrando a mulher forte que eu sempre achei que era.
Enquanto o exame era realizado, mantive-me no canto, apenas a observando. Seu rosto sempre se contorcia de dor quando seu corpo fazia movimentos mínimos.
Ajudei-a a voltar para a cadeira de rodas após o exame e tivemos que retornar ao quarto para esperar o resultado que sairia algumas horas depois.
Esperamos cerca de três horas até que tudo estivesse pronto. Minha mãe estava dormindo quando ele chegou. Havia tomado alguns remédios fortes para dor e aquilo a fez apagar.
Já passava das sete da noite e minha mãe ainda estava dormindo. Aquele quarto branco era por sua vez, sufocante também, então decidi caminhar um pouco, para espairecer e tentar controlar a ansiedade que estava me tomando para saber o que estava naquele resultado.
O médico pediu para que aguardássemos ela acordar, não havia pressa, então pedi para que a enfermeira responsável por ela, me chamasse quando ela acordasse se possível. Eu estaria apenas na recepção daquele andar, respirando um pouco fora do quarto, então ela assentiu e eu pude ir.
Já andando pelos corredores, passei por diversas pessoas, algumas com o semblante triste, outras que sequer esboçavam alguma feição; era como se estivessem ali apenas aguardando que sua hora chegasse.
Aquilo era assustador.
Continuei andando e parei em uma das recepções. Havia um grupo de senhores conversando mais distante e pareciam discutir sobre algo que estava passando na TV que m*l havia som.
Sentei em uma das cadeiras e peguei meu celular; dedilhando minhas redes sociais, nada tinha de novo; haviam algumas fotos de desconhecidos, alguns textos, mas nada que me interessasse realmente. Era muito frustrante, pois, nem em meu celular havia algo legal que pudesse me tirar daquele ambiente por sequer um minuto, então logo bloqueei a tela e guardei o aparelho em meu bolso. Apoiei minha cabeça entre minhas mãos que estavam sobre minha perna e respirei fundo em pura frustração quando esfreguei meu rosto. Era uma posição de fracasso, de cansaço, mas era realmente assim que estava me sentindo, então permaneci daquele modo por alguns minutos, até que ouvi aquela voz.
ㅡ ele está tão magro mamãe... eu não sei se consigo olhá-lo daquele modo.
Ergui meus olhos para fitar quem falava, e vi um homem mais a frente. Ele parecia aflito enquanto falava ao celular. Estava de pé, apoiado em um canto da sala, falava possivelmente sobre alguém que havia ido visitar no hospital e olhava através da janela.
ㅡ O vovô é a minha pessoa favorita do mundo, vê-lo assim destrói meu coração ㅡ suspirou, passando a mão livre pelos cabelos loiros. ㅡ ele está fazendo algum exame agora, então estou na recepção aguardando que retorne ao quarto, mas assim que estivermos no quarto eu te ligo para que você possa falar com ele, tudo bem? Ele sente sua falta, por favor, volte logo. ㅡ vi quando ele assentiu, talvez eu tivesse observando-o por tempo de mais, mas o sorriso que ele deu, foi bonito. ㅡ Tudo bem, também te amo. Beijos ㅡ a ligação foi encerrada.
Pude ouvir seu suspiro longo e alto, em seguida ele se virou, então fui obrigado a desviar minha atenção. Não queria parecer um curioso.
Ele sentou-se à minha frente, com os ombros e cabeça baixa, mostrando que possivelmente estava cansado também.
Eu estava o observando de trás agora, e por breves segundos seu rosto apareceu em lances de memórias pequenas, até que enfim, lembre-me de si. Era o garoto que quase passou por cima de mim na primeira vez que vim ao hospital.
Era espantoso ver que eu lembrei de um rosto tanto tempo depois.
Por minutos naquela sala silenciosa nos mantivemos quietos, até que eu fui chamado.
ㅡ Com licença, senhor Hwang? ㅡ A enfermeira que estava com minha mãe chamou ㅡ Sua mãe já acordou.
ㅡ Ah sim, muito obrigado.
O garoto da frente, levantou a cabeça e me olhou. Ele era lindo, com seus cabelos loiros e bochechas redondas; mas realmente parecia triste.
Eu o olhei e dei um sorriso pequeno, indo em seguida em direção ao quarto de minha mãe.
Naquele corredor a ansiedade voltou. Como iria reagir a isso? Eu não estava nem um pouco preparado.
Entrando no quarto, pude ver minha mãe. Ela permanecia deitada, mas já acordada; ao me ver, seu sorriso voltou a crescer, e isso de algum modo me acalmava.
Sentei-me ao seu lado, a olhando de volta, e diferente dela, eu não sorria ainda. Estava assustado por antecipação. Aquele resultado poderia ser assustador.
A enfermeira logo pediu licença, dizendo que chamaria o doutor Kim para ler o resultado e nos explicar sobre tudo.
Aquilo me deixou mais aflito ainda, era realmente algo complicado de se entender.
Após alguns minutos o médico adentrou a sala.
ㅡ com licença. ㅡ ele disse ㅡ olá Amélia, como está se sentindo? ㅡ perguntou a minha mãe e logo a vi dar um sorriso mínimo, assentindo como resposta.
ㅡ Não está sentindo náuseas?
ㅡ Não, só uma leve dor de cabeça.
ㅡ Ah, ok, tudo bem. É reação de alguns dos remédios, logo passará. Mas então, estou aqui para explicar o resultado dos seus exames. Verifiquei-os com muito cuidado e para iniciarmos, seus exames de sangue demonstraram taxas muito boas. Ainda estão baixas, mas estão um pouco acima dos valores recolhidos na semana passada.
ㅡ Ainda estão muito baixas?
ㅡ Para o nosso tratamento tão agressivo, é um bom resultado. Olhei o resultado da sua última tomografia para comparar ao que fizemos hoje, e vi que o tumor se mantém estável, então isso significa que com o tratamento ele parou de crescer.
ㅡ Mas ele ainda está lá? Não diminuiu ou sumiu? ㅡ ela perguntou, baixo.
ㅡ Infelizmente. É um tumor difícil de lidar, mas esperamos que isso aconteça em algumas semanas.
ㅡ O tratamento agressivo continua? ㅡ perguntei.
ㅡ Sim, é importante que ela faça todas as sessões. Se já tivemos o resultado que ele não está mais crescendo, temos que continuar até que ele comece a diminuir.
ㅡ Isso significa mais vômitos, dores e cabelo caindo... ㅡ ela falou, mas estava sorrindo. ㅡ vamos lá.
ㅡ Estarei aqui com você. ㅡ também quis me mostrar otimista, mesmo estando destruído por dentro.
Eu queria poder sair dali com ela curada logo.
ㅡ Obrigada, meu bem. Você me ajuda a ser forte, sei que vamos conseguir ir até o fim dessa batalha.
Eu sorri, e logo o doutor Kim voltou a explicar melhor cada um dos resultados, e também explicar como seria a fase dois do tratamento. Seria mais forte, é claro, mas me preocupava saber se minha mãe já tão fraca aguentaria aquilo.
Ele não pôde me dar uma certeza, pois o futuro é incerto, mas pediu para que eu acreditasse que sim, os resultados dela eram bons, tudo iria ocorrer bem, pois minha mãe era uma mulher forte.
Após passar mais um tempo com ela, tive que retornar para casa. Ainda era terça, o que significava que no dia seguinte eu teria que ir trabalhar cedo.
A prometi voltar no domingo ou o mais breve que pudesse, então logo saí do quarto e fui em direção a saída. Quando estava do lado de fora do hospital, eu não aguentei, sentei em um dos bancos que haviam ali e novamente abaixei a cabeça, cansado, abatido.
Não saberia explicar o que sentia explodir dentro de mim, estava cansado, angustiado, triste, mas também aliviado por uma parte; era uma bagunça.
ㅡ sua mãe está bem? ㅡ ouvi aquela voz outra vez, então levantei a cabeça e vi o rapaz loiro. ㅡ Me desculpe, eu sempre venho aqui depois que saio do hospital, e hoje eu vi a enfermeira falando com você sobre a sua mãe, então...
Suspirei, dando-lhe um breve sorriso.
ㅡ Ela está estável. Ao menos foi isso que o médico disse... Preciso acreditar nisso. ㅡ suspirei pesado.
ㅡ Sinto muito.
ㅡ Tudo bem... mas e você, porque está aqui?
ㅡ Meu avô... ㅡ ele falou desviando o olhar para a frente, unindo as mãos entre as pernas. ㅡ ele tem um problema no coração e se agravou... Venho vê-lo aqui todos os dias, mas está sendo cada vez pior.
ㅡ Presumo que sim. ㅡ fitei o relógio e vi que eram quase nove da noite ㅡ Tenho que ir agora, não posso perder o ônibus. Mas espero que tudo fique bem
ㅡ Obrigado, espero o mesmo para você e sua mãe também. ㅡ ele me deu um sorriso.
Me levantei e me ajeitei para sair, o garoto loiro me olhava fazer todo o processo. Dei um passo para sair, mas logo me virei e estendi minha mão a ele.
ㅡ Não gosto de falar com estranho, então caso nos encontremos outras vezes, me chamo Hwang Calleo.
Ele se ergueu para apertar minha mão e sorriu outra vez, e foi engraçado, pois, quando ele sorriu eu pude me lembrar de aquele rosto mais familiar do que eu imaginava.
Ele era o rapaz do carro caro, cheio de mulher felizes e barulhentas. O rapaz com o sorriso bonito. Seus olhos eram pequenos e sumiram quando ele sorriu ainda mais.
Eu tenho quase certeza que fiquei como um bobo parado, olhando aquele sorriso.
O som baixo de sua risada fez-me despertar e suspirar, deixando um sorriso desproporcional aparecer.
ㅡ É um prazer te conhecer, me chamo Han Minjae.
Ainda sentia sua mão sobre a minha e era macia. Assenti, recolhendo a mão e guardando-a dentro do bolso do casaco que vestia.
Pigarrei, afastando-me devagar.
ㅡ Então, te vejo se o universo permitir. ㅡ eu disse.
ㅡ Acredita em universo? ㅡ ele perguntou, rindo.
Já estava a alguns passos de distância, mas também ri, dando de ombros.
ㅡ É o que nos move.
ㅡ Ah, ok. ㅡ ele negou. ㅡ então até quando o universo quiser, Hwang Calleo.
ㅡ Até lá, Han Minjae.