Guilhermo D'Angelis O celular vibrou no criado-mudo, a tela iluminando o quarto escuro. Eu não precisava olhar para saber quem era. Atendi sem pressa, a voz rouca pelo sono interrompido. — Está feito — a voz firme do outro lado anunciou sem rodeios. — Porém, Domenico não está feliz e vai retaliar. Fechei os olhos por um instante, absorvendo a informação sem pressa. Nenhuma surpresa ali. Domenico nunca aceitaria perder sem tentar morder de volta. — Ok. Sem mais palavras, finalizei a chamada e, com a mesma frieza, fiz a transferência dos dois milhões. Um preço razoável para encerrar um problema. Ou para começar um novo. Soltei o celular no colchão e passei as mãos pelo rosto. A cidade ainda dormia, mas meu dia já tinha começado com um aviso claro: Domenico viria. Não agora, talvez, ma

