O MOMENTO QUE EU SEMPRE SONHEI

1343 Palavras
Capitulo 5 (Erick Teixeira) O desejo não veio de forma impetuosa. Veio como um arrepio que começa discreto e vai crescendo, invadindo cada parte do corpo até se tornar impossível de ignorar. E quanto mais ela se entregava ao beijo, mais eu sentia que algo ali estava mudando — e não era só físico. Havia intensidade demais para ser passageiro. E talvez fosse isso que tornava tudo tão perigoso. O beijo aprofundou-se mais uma vez, e dessa vez ela não hesitou. O corpo dela se moldou ao meu como se procurasse um lugar que já conhecia. Senti o calor da pele dela atravessar a roupa, subir pelo meu peito, espalhar-se pelos ombros. A respiração ficou mais curta — a dela e a minha — e esse descompasso só tornou tudo mais urgente. Cada toque, cada aproximação tinha a precisão de algo que não poderia ser desperdiçado. Os dedos dela exploravam devagar, como quem conhece o valor da descoberta. Passaram pela lateral do meu pescoço, desceram até o peito, e ali permaneceram por um segundo que pareceu mais longo do que deveria. Era um toque simples, mas que dizia tudo: eu quero continuar. E eu senti meu corpo responder antes mesmo da minha mente conseguir formular qualquer pensamento. Um arrepio percorreu minha coluna, e a única coisa que consegui fazer foi puxar ela um pouco mais pra perto, como se o mundo inteiro coubesse naquela distância mínima entre nós. O desejo cresceu no espaço exato onde as palavras desaparecem — no silêncio quente, na respiração que encosta, no tremor involuntário que denuncia o quanto aquilo importava. Era íntimo demais para ser só físico. É intenso demais para ser só curiosidade. Quando os dedos dela desceram pelo meu peito, senti o ar ficar mais pesado. Não era só o toque — era a intenção por trás dele, e isso me desmontou por dentro de um jeito que eu não deveria admitir. Se eu me deixasse levar… até onde ela iria? Até onde eu iria? Meu corpo já sabia a resposta antes que eu conseguisse fala-la. Ela também sabia — dava para sentir no jeito como me puxava com cuidado, como se medisse cada centímetro de aproximação e ainda assim quisesse mais. Não estrague isso. Não assuste ela. O pensamento veio como um alerta, mas não diminuiu o que eu sentia — só o tornou mais urgente. Porque o desejo não era o problema. O medo era. O medo de que, depois da entrega, ela fugisse. O medo de que aquilo tudo fosse só um instante… e eu quisesse mais do que ela estava disposta a dar. Ela afastou o rosto um pouco, apenas o suficiente para que o nariz roçasse o meu. A respiração dela bateu quente contra minha boca e, naquele milímetro de distância, eu senti o corpo dela tremer. E foi aí que percebi que ela também estava lutando contra alguma coisa. E que a intensidade que me consumia não era só minha. Ela tinha aquele cuidado de quem não sabia se queria continuar ou parar — mas não conseguia parar. Quando se afastou, ficou olhando para minha boca como se fosse uma pergunta. — Eu tô tonta. E não é só o vinho — confessou. — Eu sei — respondi. Você quer isso mesmo, eu não quero me aproveitar desse momento e muito menos de você. Quero – disse ela Ela riu, sem graça, e me puxou pelo casaco. Dessa vez, o beijo foi mais firme, mas intenso E tudo que estava contido começou a vazar pelas bordas. As mãos dela subiram pelo meu pescoço, e o casaco caiu no chão. Caminhamos até o quarto sem, grande cerimônia — tropeçando em roupas, tinta e emoções que ninguém sabia nomear. Tirar a camisa dela foi fácil. Difícil foi lidar com o olhar que veio depois: um olhar que entregava medo, curiosidade e desejo ao mesmo tempo. Tem certeza disso. Eu quero.mumurrou — É a minha primeira vez — ela disse, quase inaudível. — Eu congelei. — Laiz… — Não complica. Por favor. — Eu quero Erick. Não era um capricho, nem um jogo — era um momento que ela queria e, talvez, precisava. Eu toquei seu rosto, esperando que ela recuasse. Ela não recuou. Foi lento, cuidadoso, quase silencioso. Dois corpos presos, um ao outro sem pressa e sem roteiro. Ela tremia — não só de nervoso, mas porque entregar-se dói de um jeito bonito. Nosso momento foi intenso e prazero, e ela estava ofegante em meus braços. Ouvir seus gemidos seus sussurros foi poderoso para mim. E eu estava pronto para falar qualquer coisa que a deixasse menos vulnerável, depois daquele momento. Mas ela foi mais rápida: Preciso que isso fique só entre nós. Eu olhei pra ela por um momento, e aquelas palavras me dilacerou. — Sim. Respondi. Ela virou de lado, puxou o lençol até o ombro e fechou os olhos, como quem encerra um capítulo com força para que ele não siga adiante. — No dia seguinte, tomou café, prendeu o cabelo e fingiu que nada tinha acontecido. — E nunca mais tocamos no assunto. ********* Depois daquele dia, o silencia de machucava e ocupando espaços que ninguém vê. O tipo de sentimento que só se revela quando o mundo está distraído. O problema é que nunca consegui dizer nada. Parece ridículo admitir isso. Logo eu, acostumado a negociar alianças corporativas, a enfrentar executivos dispostos a tudo e conselheiros movidos a ambição, travo diante dela como se fosse um garoto descobrindo o desejo pela primeira vez. Com ela, todo o poder desaparece. Fico sem discurso, sem defesa… sem estratégia. Mas tudo isso por causa do meu pai. Ele sempre foi a barreira que me impedia de ir além com esse amor que cresce cada dia mais. Hoje me tornei o CEO que dita tendências; o homem que o mercado insiste em chamar de visionário. No entanto, com ela, minha visão falha. Minha precisão desaba. Faltam-me palavras, coragem… argumentos. E agora, depois de anos longe dela e à frente da empresa que meu pai, Afonso Teixeira, me confiou, descubro que não consigo fazer o que realmente importa. ***** Toque .Toque Pode entrar.– Ouvi a voz grave dele. Você me chamou? perguntei. – Sim, ele respondeu. O escritório do meu pai sempre foi grande demais para qualquer diálogo trivial. Ele gostava desse efeito — o espaço intimidando, a mesa imponente, a cidade toda refletida no vidro atrás dele. — Não vai durar para sempre, Eric, nos tinhamos um acordo, e esse acordo estar chegando ao fim. E eu não vou esperar muito tempo até você se decidir. — disse ele, sem levantar a voz. — O mercado exige decisões. E pessoas… mais ainda. — Eu sei — respondi, tentando parecer firme. — Sabe, mas não faz — rebateu, desta vez olhando diretamente para mim. — Assumir comando. Isso tem um preço. Engoli seco. — E qual é o preço dessa vez? Ele apoiou as mãos na mesa, como quem encerrou uma reunião que nunca começou. — Olhar para o que você realmente quer… e agir. Para a empresa para você, e pra nossa família. Não houve carícias na fala. Nunca houve. Mas também não era crueldade — era pragmatismo, puro Teixeira. Eu assenti, mesmo sabendo que ele não se referia apenas ao conselho administrativo. Espero que você compreenda o que quero dizer. Eu já sabia qual era o assunto, mas me negava a ceder Depois falamos sobre isso pai, agora tenho muito trabalho. Falei saindo da sua sala e deixando ele murmurar sozinho. Você tem que tomar uma decisão Erick , e eu não vou te esperar. ***** Agora na minha sala, ali sentado me encontro nos meus próprios devaneios. Enquanto todos acreditam que estou concentrado em números, fusões e projeções de lucro, na verdade estou pensando nela — no jeito como ela ajusta o cabelo atrás da orelha, no silêncio que ela cria quando não precisa dizer nada, na coragem de existir sem medo de ser observada. E tudo nela me fascina de um jeito que não sei explicar.
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