O barulho das turbinas preenchia tudo, grave, contínuo, quase sufocante. Em outros dias, voar me trazia clareza. Altura sempre me ajudou a colocar o mundo em perspectiva. Mas não hoje. Hoje a sensação era outra. Era presságio. Isabella estava ao meu lado, perto o bastante para que eu sentisse o calor do corpo dela, distante o suficiente para deixar claro que a mente estava em qualquer lugar, menos ali. Ela observava as nuvens pela janela como se procurasse respostas escritas no céu. Desde a decolagem, m*l tinha falado. A noite ainda pulsava na memória, viva demais para ser ignorada. O gosto da pele dela, a forma como tinha confiado em mim, como tinha se permitido ficar vulnerável em meus braços. Eu não devia carregar aquilo comigo agora. Sentimento distrai. E distração mata. Mas

