Capítulo 31

1506 Palavras
Angelina O dia mais temido por mim chegou. Acordei com uma ressaca daquelas, como se meu peito* fosse derreter de tanta ansiedade. Estou apreensiva demais. Minha despedida com o Marcelo foi da melhor maneira possível. Nós nos amamos e juramos tentar, e é nisso que preciso me agarrar agora, ou então não vou conseguir sair daqui de jeito nenhum. Começo a juntar minhas coisas. Ligo o som do meu fone no último volume, e vou fazendo a mala com calma. Lembrar desses dias aqui me faz sorri, foi diferente do que eu achei que seria, não imaginava encontrar alguém e nem sentir uma coisa assim. É doloroso saber que não vou encontrar com ele na rua, nem na praia, não vamos passear de lancha, ou andar de bicicleta, nem ir no monte onde selamos o nosso romance pela primeira vez. Também tenho que pensar no que vou dizer ao Thomas. Nem se eu quisesse eu conseguiria continuar com esse relacionamento. Aprendi aqui que amor é muito mais que só se dá, mas também é receber. Sinto uma mão no meu ombro, e me viro para encarar Olivia em pé atrás de mim. Tiro o fone do ouvido para entender o que ela quer dizer. — Não ouvi.- falo quando vejo a boca dela mexer em algumas palavras. — Perguntei se já acabou de arrumar suas coisas.- ela repete. — Falta pouquinho agora.- respondo tentando controlar o furacão dentro de mim. — Tá, já estamos colocando as coisas dentro do carro.- ela diz, e eu só balanço a cabeça continuando a guardar minhas coisas, agora com um pouco mais de pressa que antes. A garganta começa a apertar quando olho para o quarto vazio e arrumado. Sinto como se estivesse perdendo algo valioso, e isso me deixa profundamente triste. Desço as escadas tentando segurar o choro. Sinto o ventinho frio bater no meu braço quando já estou do lado de fora de casa. Coloco minhas coisas na mala do carro do Noah e quando viro para trás, vejo Marcelo encostado no muro de sua casa com as mãos no bolso, observando a movimentação. O nó em minha garganta se torna ainda maior e mais difícil de engolir. Ele encosta a cabeça na parede e olha para mim, espelhando os mesmos sentimentos que os meus. Ele também não quer que eu vá! Respiro fundo, e começo a caminhar em sua direção. A cada passo que dou, meu coração acelera mais. Quando chego perto dele, eu não consigo falar nada. As lágrimas enchem meus olhos, e as palavras não saem por nada. Ele também não diz nada, fica apenas me olhando. Seu semblante é sério, mas consigo vê em seus olhos tudo que está sentindo com essa despedida. Está doendo* em seu peito* assim como no meu. Depois de um tempo nos olhando, Marcelo segura no meu rosto e me puxa mais para perto. E ficamos assim, cara a cara um com o outro. Sua respiração forte bem no meu nariz. Nossos olhares se dividem entre boca e olhos. Incertezas e inseguranças no rodeiam, mas a paixão pode ser sentida de longe. Uma sensação forte brota no meu estômago, e uma lágrima insistente consegue rolar dos meus olhos. Marcelo a seca com seu polegar e depois encosta seus lábios no meu, me beijando com tanta intensidade, que é quase insuportável, e faz com que outras lágrimas rolarem também. É como se eu tivesse sentindo seus beijos pela última vez. Eu não queria que isso fosse verdade. Meu corpo chega a tremer só de pensar em não vê-lo nunca mais. Quando nossas bocas se afastam, continuamos com nossas testas coladas uma na outra. Ele beija as minhas lágrimas, e depois as seca com o polegar. — Independente do que acontecer, quero que saiba que jamais senti algo assim por outra pessoa.- ele sussurra para mim.- prometo que vou atrás de você.- Marcelo me beija mais uma vez, e depois se afasta.- você precisa ir agora menina.- sua voz é vacilante e me diz outra coisa. Ele está certo. Quanto mais tempo adiarmos essa despedida, mais difícil ela será. Olho para seu rosto mais uma vez, memorizando cada traço. — Adeus Marcelo.- sussurro me afastando tristemente. — Adeus minha Angel.- ele diz quando já estou de costas. Corro de volta para o carro e entro sem olhar para os lados. Não vou conseguir me segurar por muito tempo, mas não quero que ninguém me veja desmoronar. Noah da partida no carro e eu não consigo nem me virar para vê-lo pela ultima vez. Sei que se eu fizer isso, não vou mais conseguir parar de chorar. Como é estranho se apaixonar por alguém assim, ainda mais quando é totalmente inesperado. Você não conhece uma pessoa maravilhosa, que te tira o fôlego, te faz querer está junto sempre, e também terrivelmente triste com medo* de perdê-lo a qualquer momento. Estou sentindo tanto, tanto como eu nunca pensei que sentiria, não faz nem cinco minutos que parti, e eu já não aguento de saudades dele. Estou devastada, é um exagero eu sei, mas é exatamente assim que eu me sinto. Parece que meu coração foi arrancado do peito*, me deixando completamente sem ar. Pra minha sorte, todos no carro respeitaram o meu momento e não fizeram nenhum tipo de comentário sobre o assunto. ◆◆◆ Quando Noah me deixa no portão de casa, eu estava completamente exausta, mas muito contente em revê meus pais. Minha mãe que me conhece como ninguém, tratou de me perguntar o porquê daquela cara triste, e se a viagem não tinha sido como eu esperava. Eu confio nos meus pais de olhos fechados, e sei que se tem alguém no mundo que irá me entender, esse alguém são os eles dois. Quando meu pai sai por alguns minutos para fazer algo na rua, aproveito para abrir meu coração com a minha mãe. Não que eu queira esconder algo do papai, sabia que ele jamais iria julgar uma decisão minha, mas eu estava com um pouco de vergonha pela traição. — Tenho uma coisa pra contar mãe.- digo depois de comer um pedaço do bolo que ela preparou para mim. Conto tudo para ela, desde o primeiro contato com Marcelo, até o último. Lágrimas vieram aos meus olhos, e eu não contive algumas que caíram. — Eu me sinto tão confusa.- disse quando minha mãe apertou minhas mãos me dando seu apoio. — Minha querida, o amor é assim, ele não escolhe a pessoa certa ou errada, ele simplesmente acontece. Você não é a primeira e nem vai ser a última pessoa a se apaixonar nessa vida. Outra coisa, não necessariamente essa pessoa será aquela que conhecemos durante anos, pode ser aquela que conhecemos a dois minutos.- ela diz com a voz calma.- não se sinta culpada por gosta de outra pessoa. Lembra por que você foi para essa viagem?.- ela pergunta e eu balanço a cabeça. — Sim, eu queria me reencontrar.- respondo baixinho. — Então, talvez você tenha conseguido.- ela diz alisando meu rosto. — Não sei mãe, eu me senti tão culpada quando Thomas apareceu lá, parecia que ele tinha me pego no flagra com Marcelo.- confesso a ela a minha angústia. — Não seria justo se você não se sentisse assim.- eu enrugo a testa.- veja, eu não sou a maior fã do Thomas, e sempre soube que você não o amava o suficiente para atura uma pessoa como ele, sem querer ofendê-lo.- ela diz torcendo os lábios.- orava para que você enxergasse isso também, antes que fosse tarde demais.- minha mãe me olha com ternura.- mas, você querendo ou não, saber que tem um compromisso e não honrou-lo, faria qualquer pessoa com o mínimo de decência se sentir assim minha filha.- eu suspiro. Ela tem razão. Sei bem o que tenho que fazer a seguir. — Ah mãe, eu me sinto tão i****a*.- confesso e ela sorri. — Por que meu amor?.- pergunta com a cabeça levemente tombada para o lado. — Porque não faz nenhum dia que estou longe dele e sinto como se tivesse rasgando meu peito* de saudades. Desde que saí de lá, não consigo pensar em outra coisa. Sinto como se tivesse perdendo o ar, como se eu fosse sufocar*.- minha voz fica presa a garganta novamente, e me forço para não chora. Eu não sei o que é essa bola de fogo no peito*, só sei que eu preciso botar para fora, e ninguém melhor do que a minha mãe, que é a minha melhor amiga, para eu conseguir fazer isso. Ela me observa com ternura e empatia, vejo seu pequeno sorriso nos lábios, e os olhos dela brilharem. — Minha querida, você está experimentando a sua primeira dor* de amor.- ela diz para mim simplesmente, e eu suspiro. É exatamente isso, dor* de amor. Nunca pensei que amar era assim, tão intenso. Sempre achei que amava o Thomas, mas hoje sei que o amor é muito mais.
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