Capítulo 32

1606 Palavras
Angelina Eu parecia um caco! Resolvi subir para minha casa começar a guardar as coisas da mala, e finalmente ligar meu celular. Fiz minha tarefa com muita calma, enquanto escutava o barulho das mensagens que chegavam feito chuva no aparelho. Levantei da cama sem nenhuma vontade e fui para o banheiro tomar um banho. Meus músculos estão tão tensos, que meu corpo só pede cama. Preciso dormi um dia inteiro para poder relaxar, e amanhã começa tudo de novo. Será que irei ter Marcelo em minha vida? Não sei responder a minha própria pergunta, mas sei que preciso resolver minha situação com Thomas o quanto antes, enquanto ainda estou cheia de coragem e sei que não vou voltar atrás. Entro de baixo do chuveiro e deixo a água lavar minha alma, pedi que levasse embora esse sentimento que aperta meu peito*, e quis desesperadamente descansar. Lidarei com qualquer problema quando estiver bem mais relaxada que agora. Coloco uma camisola e deito em minha cama. Fico tentada a pegar meu celular e ver se Marcelo mandou alguma mensagem, porém, terei tempo para isso mais tarde. Apenas me viro para o lado, deixando o cansaço me levar para o escuro do vazio dos meus sonhos, e acabo sonhando com ele… ◆◆◆ — Angel…- senti minha mãe me sacudir.- Angelina, acorde.- ela chama outra vez. Abro apenas um olho para ter certeza que aquilo é real, e quando encontro seu rosto me encarando, solto um mormuro sonolento.- levantem-se.- ela pede e eu faço o maior esforço para isso. Que horas são? — O que aconteceu mãe?.- pergunto sem entender o motivo para ela me acordar desse jeito. — Thomas está lá embaixo, ele exige falar com você.- diz fazendo o meu corpo inteiro congelar.- eu ia dizer que você não estava, mas ele sabia que sim.- diz se desculpando e eu respiro fundo, tentando controlar minhas emoções. — Está bem mãe, só vou me trocar e a senhora pode pedir para ele subir, por favor. Obrigada.- digo totalmente perturbada, enquanto me levanto da cama. Que engraçado, a 15 dias atrás eu estava acostumada a ficar muito a vontade com a presença do Thomas, até totalmente pelada*. Hoje, eu não quero que ele me veja nem de camisola. Como as coisas mudam rápido. Coloco um short jeans, uma blusa de alça branca, e fico sentada o aguardando subir. Repasso tudo que eu pensei e preciso falar para ele e tento gravar as palavras na minha cabeça. Quero ser bem objetiva, não quero transformar isso em um drama maior do que já é, mas também não quero magoá-lo, mesmo sabendo que isso é inevitável. Mesmo não sabendo sobre o meu futuro com Marcelo, não tem mais condições de continuar em um relacionamento em que eu não esteja completamente dentro dele. Escuto o barulho da porta e sei que Thomas já está aqui. Engulo seco o nó que se forma na minha garganta, e vou caminhando para sala em passos lentos. Quando nossos olhos se encontram, consigo sentir a tensão que se forma no ar. Sinto como se eu fosse uma pecadora* e o meu carrasco* estivesse com uma pedra na mão, pronto para me apedrejar* em praça pública. Thomas me olha de cima abaixo, seus olhos escuros me obsevam atentamente, reparando em cada detalhe meu. Sinto-me como se tivesse completamente nua*, e ele podesse enxergar a minha alma. — Não sabia o que iria sentir quando tivesse frente a frente com você outra vez.- ele diz me encarando seriamente. Sua voz faz os cabelos da minha nuca arrepiar. — Nem eu.- confesso para ele receosa.- Thomas, eu…- tento começar com meu discurso fúnebre, mas sua mão levantada em minha direção me interrompe no meio do caminho. — Deixa eu falar uma coisa primeiro, Angelina.- ele pede. Vejo seus olhos se ofuscarem e não sei direito descrever aquela emoção. Talvez, dor*?- enquanto você curtia as suas férias, se divertindo e me ignorando completamente, quando me garantiu que faria totalmente o contrário disso, eu fiquei aqui, te esperando, sofrendo, desesperado sem notícias suas.- ele diz amargamente e eu abaixo minha cabeça completamente culpada.- eu nunca iria imaginar que você faria uma coisa dessas comigo. No começo, eu custei a acreditar, vinha aqui todos os dias na esperança que sua mãe negasse o que estava passando na minha cabeça, não queria acreditar que depois de todo esse tempo que ficamos juntos, você iria me vira as costas dessa maneira.- suas palavras me atingem como flechas, cravando direto no meu coração. Thomas toma ar, passa a mão pelos cabelos procurando as palavras, e continua seu discurso doloroso. — Você não tem noção de como eu me senti largado, enganado, ferido*, eu me sentia um lixo*, alguém sem valor, sem importância. Angelina, a gente tenha uma história e você simplesmente sumiu, sem se importar se eu estaria bem. E pior, nesse tempo minha tia ficou doente*, não suporto dizer isso, mas por um lado foi até bom, isso me distraiu, eu tinha algo mais importante para pensar que não fosse você.- ele confessa seus sentimentos e eu quase prendo a respiração.- quando eu fui até você, foi um ato de desespero, eu só tenho ela e achava que tinha você também.- a mágoa em sua voz é quase palpável, acabando de me destroçar*. Mordo meu lábio inferior para inibir o choro que esquenta minha garganta.- pensei que perderia ela e infelizmente não podia fazer nada para mudar isso, então fui atrás de você, com uma esperança de talvez, salvar a gente…- ele para por um momento e anda até o sofá, se sentando lentamente. Thomas apoia o cotovelo no joelho e enfia* a cabeça entre suas mãos. Consigo ver sua agonia e começo a me arrepender de tudo que fiz ele passa nesses últimos dias, somente imaginando o desespero dele. Fui muito egoísta*, e estou devastada por isso. — Eu sei que tem sido difícil.- ele retoma seu raciocínio.- sei que não sou uma pessoa paciente, tenho consciência disso, mas eu também não mereço ser tratado como um lixo.- quando ele levanta os olhos para me encarar, eles estão lagrimejados, consigo sentir a dor* que o causei, e para mim, isso é o suficiente. — Me perdoa.- minha voz sai em um sussurro sufocado, rasgando minha garganta,l. Só me dou conta de que foi eu que acabei de dizer isso, quando Thomas fica totalmente reto, e me encara embasbacado. — O que?.- ele pergunta com os olhos arregalados e o meu choro rola livre. — Me perdoa.- Perco o controle dos meus sentimento, e não consigo controlar minhas emoções. Me sinto uma pessoa horrível e imaginar tudo que ele passou, enquanto eu estava nos braços de outro acaba comigo. Thomas não se contenta e se levanta do sofá, me puxando pelo braço e me sentando ao lado dele, pressionando meu rosto contra seu peito*. Eu não consigo nem dizer mas nada, fico decepcionada comigo por fazer ele passar por esse inferno, por causa de uma pessoa que nem sei se verei novamente, e talvez seja isso. Eu tinha que viver aquilo para que agora possa fazer dá certo com Thomas. Tudo que senti, tudo que fizemos, tudo que aconteceu entre mim e Marcelo eu jamais esquecerei, mas, será bom daqui a alguns anos, se Deus me permitir ter filhos, eu possa contar essa história para eles. Uma história que agora não parece tão real como parecia, e por isso, eu me sinto uma pessoa horrível*. Eu teria realmente chutado o Thomas. E amanhã, quando Marcelo nunca mais me procurar, eu me arrependeria de ter desperdiçado a chance de ser feliz com meu noivo, por conta de uma aventura. — Eu não queria te fazer sofrer, eu juro, eu não queria, eu só… pensei que…- não conseguia dizer, não conseguia explicar tudo que eu estava sentindo naquele momento. Eu me sentia horrível e queria me redimir de qualquer jeito. Thomas segura em meu rosto e me olha nos olhos, enxuga minhas lágrimas e planta um beijo em meus lábios. Não sei dizer exatamente como foi que eu me senti com esse beijo, mas é uma sensação familiar, como se eu tivesse em casa. É um gosto que eu conheço muito bem. — É só uma fase r**m Angelina.- ele diz com seus lábios quase nos meus.- vamos passar por isso, juntos! Somos um casal. Não podemos brigar e simplesmente fugir que a outra pessoa não existe.- isso me fez parecer tão i****a* e eu fico cheia de vergonha.- mas esse tempo foi bom para eu pensar e saber o que realmente importa para mim. E você é muito importante.- ele diz alisando meu rosto.- Prometo que vou mudar, vou controlar meu temperamento e não vou mais te coagir* a fazer nada que não queira. Quero muito que você fique comigo, mas não porque é sua obrigação ou por se sentir oprimida, mas sim porque você quer está comigo.- nesse momento, eu decido que vou guardar tudo que sinto pelo Marcelo bem no fundo do meu coração, e vou seguir minha vida com o Thomas de agora em diante. — Tá bom, eu topo. Vamos recomeçar daqui então.- falo ainda fungando, e ele sorri como uma criança. — Cheguei aqui achando que iria ser enxotado da sua vida.- diz sorrindo genuinamente.- não sabe como estou feliz de ouvir essas suas palavras, eu te amo Angelelina.- Thomas me beija logo em seguida. Me sinto um pouco m*l*, mas agradeço por ele ter me beijado nesse momento, pois não sei se seria capaz de dizer que eu o amo, e se dissesse, não seria totalmente verdade.
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