Angelina
Enquanto Marcelo ainda está segurando minha mão, escutamos um barulho no portão, anunciando que o pessoal já está de volta. Puxo minha mão com rapidez, e o Marcelo coloca a sua mão agora livre na boca, tampando um sorriso travesso pelo meu nervosismo.
— Olá filha.- ele diz ao ver Izabela entrar na cozinha feito um foguete.- como foi o passeio? .- Marcelo pega a filha no colo, e senta ela em sua perna.
— Divertido papai.- Iza diz toda fofinha, e nós três não conseguimos segurar o riso.
— Angelina você perdeu, nós fomos em várias lojas.- Olívia conta animada, me mostrando suas sacolas de compras.
— Poxa, não acredito que foram sem mim, eu disse que queria ir também.- protesto vendo as coisinhas que eles compraram.
— Mas você não estava aqui.- ela diz torcendo o lábio e o sangue foge do meu rosto.
É, eu não estava aqui!
Merda!
— Eu levei ela em uma trilha.- Marcelo intervém por mim se desculpando.
— Papai, você nem levou eu.- Izabela reclama segurando o rosto dele, o fazendo sorrir mais uma vez.
— Na próxima o papai te leva amor.- ele promete.- eu quero levar vocês em um passeio de lancha, podemos conhecer algumas praias da região, fazer um churrasco, e até mergulha se vocês quiserem.- Marcelo propõem, e o pessoal logo se anima.
— Já vou trocar de roupa.- diz a Linda indo para o quarto, e todos resolvem ir colocar a roupa de banho também, menos minha madrinha, que continua sentada a minha frente.
— Vou levar essa pimpolha para colocar o maiôzinho dela.- diz dona Anahi pegando a Iza do colo do pai, e saindo da cozinha logo em seguida.
— Elena, eu queria pedir desculpas se o que aconteceu…- Marcelo começa a dizer tentando se explicar, mas minha madrinha levanta a mão para impedi-lo.
— Marcelo, eu sei que você não faria nenhum mau para a minha afilhada, você nós trouxe para dentro da sua casa e nos trata como se fossemos da sua família. Eu só quero que respeite as vontades dela, mas não me meto nas escolhas de Angelina.- diz madrinha, e eu fico com o coração acelerado.
— Madrinha, eu sei que o que eu fiz foi errado.- começo a dizer com os nervos a flor da pele.
— Filha, você não fez nada de errado, você veio aqui pra se encontrar e se descobrir. Estou feliz de vê você vivendo sua vida. Você sabe o que eu penso sobre esse seu noivado, não é segredo para ninguém, eu acho legal ver você abrindo os olhos para outras opções.- ela diz com as sobrancelhas levantadas, e sorrir conspiratória para o Marcelo, e depois sai da cozinha.
Fico petrificada de boca aberta, sem acreditar que ela acabou de dizer mesmo tudo aquilo. Minha madrinha jamais disse algo contra meu relacionamento com Thomas, mas sempre deixou claro que não concordava com o noivado, que eu era jovem demais, e tinha que viver minha vida antes de assumir um compromisso tão sério como esse.
Quando já estamos sozinhos, eu fico morrendo de vergonha de olhar para o Marcelo, enquanto ele me observa atentamente, eu tentando organizar meus pensamentos.
Então, para ela eu ter dormido com o Marcelo não foi nada demais?
Ela não iria me julgar se eu quisesse continuar fazendo isso?
Na verdade, ela não me julgou né, pois querendo ou não, na cabeça dela, o que tinha que acontecer já aconteceu, e só esse ato já gerou uma traição.
Como encararei o Thomas de agora em diante?
Eu tenho que contar a ele o que aconteceu aqui?
Deus, ele vai surtar!
Talvez eu deva terminar com ele.
Mas essa seria a coisa certa a se fazer?
Senhor, eu vou surtar em algum momento!
— Você está bem?- Marcelo pergunta com cautela, e eu me viro para encará-lo melhor.
— Marcelo, a gente precisa conversar sobre ontem.- falo seriamente.
Estou com meus neurônios fritando. Eu preciso resolver essa situação.
Marcelo suspira observando a minha batalha interna e concorda.
— Tudo bem.- ele fala ficando sério agora.
— Aquilo que fizemos foi um erro.- tento parecer decida, mas sei que minhas palavras não condiz com o que eu realmente estou sentindo agora, lembrando tudo que fizemos ontem a noite.
— Eu não acho que podemos chamar aquilo de erro.- ele protesta me encarando.
— Marcelo, Por favor, eu estou tentando ter um pouco de juízo aqui.- digo agoniada, colocando a mão no rosto tentando não levar em conta o olhar que ele lança para mim no momento.
Sem dizer mais nenhuma palavra, Marcelo levanta da cadeira em um pulo só e se aproximando de mim. Minha respiração fica presa na garganta com seu olhar penetrante. Ele chega bem perto da minha boca, fazendo-me sentir seu hálito fresco e quente nos meus lábios. Ele umedece seus lábios com a língua, e eu tenho que abrir minha boca para deixar escapar o ar, antes que ele me sufoque.
Marcelo coloca sua mão na minha coxa, provocando um suspiro que vem de dentro dos meus pulmões. Ele sobe a mão lentamente para minha cintura e a aperta com força, me fazendo gemer com a sensação que provoca em mim.
— Olhe para mim.- ordena e eu desvio o olhar de seus lábios para os seus olhos.- diga que não sente nada.- ele sussurra olhando olhando para mim com libertinagem*.
Eu sinto a minha garganta fechar. Todo o meu corpo se arrepiar no mesmo instante. Meu coração parece querer rasgar o peito* de tão forte que bate, imitando minha respiração entre cortada.
— Diga sua bandida.- ele me provoca, e as palavras ficam presas em minha garganta, enquanto eu ofego com o desejo* que cruza meu corpo feito um tiro.- Angel… Ah tantas coisas que eu quero fazer com você.- ele continua sussurrando nos meus lábios, e passando a mão pelo meu corpo arrepiado.
Eu tento engolir a saliva, mas minha boca está tão seca, que é como engolir arame.
Meu corpo todo implora por ele, por seus beijos, suas carícias, ainda mais agora que sabe como é a sensação do seu toque. Não consigo negar, não consigo dizer que não o quero, pois cada célula do meu corpo clama para que ele me pegue, e me leve o mais alto que poder.
— Eu quero você.- sussurro sem controle nenhum dos meus sentimentos.
— Você me quer?.- ele provoca roçando os lábios no meu queixo.
— Sim, muito.- digo em delírios, já de olhos fechados.
— Então nunca mais diga que o que temos é um erro.- ele rosna me arrepiando inteira.- e eu tomarei você para mim por completo dessa vez.- ele promete, e morde meu lábio inferior, se afastando logo depois, me deixando atordoada, ofegante, e carente do seu toque em minha pele.
Puta* que pariu, esse homem me faz derreter apenas com palavras.
◆◆◆
Fomos todos para o passeio de lancha. E meu irmão, que lancha!
O barco deve ter mais ou menos 10 metros de altura, 20 metros de largura, e isso eu estou tirando por alto, o bicho é enorme, e lindo diga-se de passagem.
Marcelo nos acomodou no barco, e até minha madrinha veio dessa vez, com relutância é claro, mas veio.
A lancha tem 3 quartos com suíte, um banheiro no corredor, sala de estar e cozinha. Na parte superior, tem uma hidromassagem, piscina, um espaço com sofá e uma pequena mesinha no meio, tem um espaço aberto que podemos pegar um sol, e uma mini churrasqueira no final do barco, suspensa por um cano de ferro, que nós aproveitamos para fizer o nosso churrasco. Bebemos umas cervejas, tomamos banho na piscina, até na hidro nós entramos e é claro que também mergulhamos no mar.
Foi quase uma tortura esconder o desejo de abraçar e beijar o Marcelo o dia inteiro, nós nos olhávamos com tanta vontade, que foi quase insuportável mantermos as mãos longe um do outro.
Passamos por algumas ilhas, até na praia do forno. A lancha parou em uma das praias mais lindas que já vi, e Marcelo montou um escorregador inflável gigante, onde teve até almofada para pulo. Foi muito divertido, escorregamos, nadamos e demos risadas. No final do dia, estávamos todos exaustos, porém muito satisfeitos. Nós vimos o pôr do sol sentados no sofá da lancha, todos encolhidos nos lençóis, comendo carne, conversando sobre a vida, e admirando a paisagem.
— Ai Marcelo, obrigada por essa experiência única.- minha madrinha fala olhando para o pôr do sol maravilhoso.
— Que isso, eu fico feliz em proporcionar esses momentos para vocês.- ele responde, e depois me encara.
Um meio sorriso nos lábios dele, faz o meu ser de orelha a orelha.
Eu queria beijá-lo nesse exato momento, mas infelizmente não posso fazer isso com tanta gente ao nosso redor.
◆◆◆
Chegamos na marina, e desembarcamos da lancha. Parecia que estávamos nos arrastando de tanto cansaço.
— Hoje é o nosso último dia aqui, o que podemos fazer?- Abgail pergunta, e todos nós entre olhamos.
Eu não tinha pensado nisso, amanhã vamos voltar para Unamar, e eu não vou mais ter o Marcelo tão próximo assim.
Me pego encarando ele, e depois de um tempo ele me encara de volta. Nós dois sabemos que não queremos que o amanhã chegue tão cedo. Nós estamos tão ligados, que parece que eu consigo ouvir ele dizendo. "Vamos aproveitar o máximo que podemos"
— Que tal um luau?- ele propõe.
— Pô, um luau seria perfeito.- Emma diz.
— Então, vamos fazer um luau.- ele afirma, e sorri para mim.